Livro reúne os mais incríveis templos do século 21

, no BBC Culture

Há muito tempo, arquitetos vêm criando projetos de inspiração divina. Das igrejas planejadas por Andrea Palladio para a Veneza do século 16 à capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, na França, projetada por Le Corbusier nos anos 50, alguns espaços para orações e meditação são também tidos como templos da arquitetura.

O livro Sacred Spaces (“Espaços sagrados”, em tradução livre), do jornalista britânico James Pallister e lançado nesta semana pela editora Phaidon, examina os mais intrigantes projetos contemporâneos para construções religiosas.

Conheça aqui nove deles:

Igreja de Kuokkala, Finlândia

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Muitas igrejas modernas rejeitaram as abóbadas e fachadas grandiosas da arquitetura tradicional.

Este exemplo na Finlândia, projetado pelo estúdio Office for Peripheral Architecture, também finlandês, parece um enorme celeiro quando visto de lado.

Telhas de ardósia apagam as fronteiras entre as paredes e o teto. E o campanário fica separado da construção principal.

Igreja de Lascas de Kärsämäki, Finlândia

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Em outro projeto para um templo, os arquitetos do Office for Peripheral Architecture receberam uma encomenda um tanto peculiar.

O local deveria substituir uma igreja que ficava no mesmo local até ser demolida, em 1841.

O novo templo foi construído usando técnicas do século 18. Madeira vinda dos bosques da paróquia foi transportada a cavalo e cada uma das 50 mil lascas foi talhada à mão e embebida em alcatrão quente.

As faces externas e a fachada são revestidas por essas lascas e não têm janelas.

Mesquita de Chandgaon, Bangladesh

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O arquiteto bengalês Kashef Chowdhury gosta de trazer o ambiente externo para dentro de suas construções. Durante muitos anos, ele se recusou a usar luz artificial em seu estúdio, trabalhando apenas durante o dia.

Sua monolítica mesquita em Chittagong adapta o tradicional estilo decorativo associado com templos islâmicos e exibe dois espaços em formato cuboide sem nenhum detalhe ornamental – o realce é trazido pela luz do sol.

Segundo James Pallister, autor de Sacred Spaces, essa luz natural “se movimenta pelo interior da mesquita conforme o sol se desloca no céu, registrando a passagem do tempo entre as sessões de reza sobre as paredes brancas e o chão de pedra”.

Catedral de Papelão, Nova Zelândia

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Alguns projetos questionam a arquitetura da permanência associada às construções religiosas grandiosas.

Esta estrutura foi erguida para substituir temporariamente a catedral de Christchurch, destruída por um terremoto em 2011.

Foi projetada de graça pelo premiado arquiteto japonês Shigeru Ban, conhecido por seus “palácios de papel”: foi o material que ele usou para abrigar as vítimas de catástrofes como o terremoto de Kobe e o furacão Katrina, além da guerra civil em Ruanda.

A nova igreja homenageia sua antecessora com vitrais coloridos triangulares que fazem referência à rosácea do prédio original de 1868, desenhado pelo arquiteto britânico George Gilbert Scott.

Ao construir uma catedral com tubos de papelão e contêineres, Ban criou algo verdadeiramente radical.

Capela do Pôr-do-sol, México

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Com os muitos ângulos desta capela em Acapulco, o escritório BNKR Arquitectura imitou os enormes rochedos da paisagem à sua volta.

Apesar de a gigantesca pedra em frente ao local não poder ter sido removida, os arquitetos ergueram a construção acima da linha das árvores para permitir uma vista sem obstáculos.

Duas vezes por ano, nos equinócios da primavera e do outono, o sol se põe diretamente atrás do crucifixo no altar.

O edifício é feito de concreto derramado, com os bancos do interior feitos no mesmo material e uma porta que parece ser uma rachadura na pedra.

Pallister aponta para a tensão entre a solidez da capela e a precariedade de sua localização, como se ela estivesse a ponto de rolar montanha abaixo.

Cemitério Islâmico, Áustria

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Este cemitério em Voralberg, no oeste da Áustria, foi projetado para atender às necessidades específicas dos funerais islâmicos.

Os túmulos estão de frente para Meca e são pouco enfeitados, enquanto o edifício de sepultamentos tem um espaço para o ritual de limpeza dos corpos.

Na sela de rezas, duas grades entrelaçadas se encontram e formam uma tela, oferecendo uma suave transição do exterior para o interior em um sentido físico e espiritual.

O arquiteto austríaco Bernardo Bader usou placas de madeira para formar as palavras “Alá” e “Maomé” na escrita árabe, integrando um material local ao design tradicional islâmico.

Igreja da Água e da Luz, Coreia do Sul

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Esta capela cristã na ilha vulcânica de Jeju – popular destino de casais em lua-de-mel – fica ao lado de quatro galerias de arte, batizadas de Água, Vento, Pedra e Terra.

Segundo Pallister, o escritório japonês Itami Jun Architects afirmou ter a intenção de criar uma “arquitetura do céu” em sua estrutura, “algo que refletisse os céus espetaculares e mutantes do local”.

Técnicas tradicionais foram combinadas com materiais contemporâneos, como as telhas de estampa gráfica e a estrutura de aço revestida em madeira.

Sinagoga LJG, Holanda

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Esta é apenas a segunda sinagoga construída na Holanda desde o Holocausto e foi erguida em Amsterdã em 2010.

Seus arquitetos, do escritório SeARCH, tinham por objetivo desenvolver um estilo distintamente holandês.

“As sinagogas do país geralmente exibem exteriores modestos para realçar seu interior”, explica Pallister.

Grandes janelas ganharam o formato abstrato de uma menorá, um importante símbolo do judaísmo, e a padronagem nas fachadas de concreto ressalta a Estrela de Davi e letras do hebraico.

Crematório Meiso No Mori, Japão

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Pallister acredita que no século 21 o minimalismo “tem sido uma linguagem atraente para os arquitetos que trabalham nos projetos para espaços sagrados”.

Isso é particularmente verdade no Japão, onde um estilo mais limpo se harmoniza com o princípio zen da simplicidade.

O arquiteto Toyo Ito recebeu a encomenda de criar um espaço que fosse ao mesmo tempo espiritual e secular para o novo crematório no cemitério de Kakamigahara e que pudesse complementar sua localização entre uma montanha e um lago.

Seu teto branco em concreto ondulado evoca “a calma de uma nuvem pairando sobre o lago”.

Em alguns pontos, o teto tem apenas 20 centímetros de espessura, mas é forte o suficiente para aguentar o peso de pessoas andando sobre ele.

dica do Gustavo Frederico

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