Saia do Facebook se quiser ser feliz

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Gabriela Mateos, no Hypescience

“A comparação é o ladrão de alegria”, disse o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt. Ele disse isso a mais de um século atrás, mas essas palavras nunca foram tão verdadeiras.

A Teoria da Comparação Social

Na década de 1950, o psicólogo social Leon Festinger desenvolveu a teoria da comparação social para ajudar a explicar os processos psicológicos por trás da resposta para essa nossa mania besta de ficarmos nos comparamos uns com os outros.

Ele propôs, nessa teoria, que os indivíduos têm um desejo nato de se comparar com seus pares nas dimensões que considerem pessoalmente importantes, a fim de avaliar o quão bem eles estão se saindo na vida.

Esta tendência não desapareceu de lá para cá; através de redes sociais como o Facebook, ela pode estar mais em alta do que nunca.

Facebook é ladrão de alegria

Tais comparações sociais podem transmitir informações importantes, como, por exemplo, se estamos alcançando realizações profissionais conforme o esperado, ou se estamos ficando para trás e precisamos nos esforçar um pouco mais. Ou se estamos engordando ou emagrecendo. Casando ou ficando para titias.

Cada um cuida da sua vida e o Facebook cuida da de todo mundo

É claro que ao nos compararmos muito aos nossos colegas, podemos nos sentir mal sobre nós mesmos.

Ao olhar para as mídias sociais, muitas vezes somos inundados com um fluxo constante de informações e fotos sobre os membros da família, amigos e conhecidos. Pode haver momentos em que isso é demais, e inclusive seria melhor não saber os detalhes que as pessoas insistem em contar.

Por exemplo, uma menina decidiu não ir para a uma baile de formatura da escola porque ela não tinha um acompanhante. Ninguém convidou ela, buá. Então, no dia seguinte, começam a aparecer várias fotos das pessoas que foram na festa. O que acontece? Ela começa a se sentir mais mal ainda.

Seu time perdeu? As pessoas do outro time (ou anti-seu-time) vão postar um monte de piadinhas que vão fazer você ficar ainda mais #chateado com a derrota.

Saiu a lista do vestibular? Alguém com certeza passou, e alguém com certeza não passou. É por isso que existe um número limitado de vagas. Se você estiver, por ventura, no grupo dos que não passaram, ver as outras pessoas comemorando no Facebook vai deixar você mega pra baixo.

Para de ser espectador da vida alheia

Pesquisadores das Universidades de Houston e Palo Alto, ambas nos Estados Unidos, realizaram dois estudos utilizando uma amostra de mais de 300 estudantes americanos universitários (98 homens e 236 mulheres), que estavam principalmente em seus primeiros vinte anos.

Eles realizaram dois estudos, um em um único dia e um segundo ao longo de 14 dias.

Os participantes relataram seu uso diário do Facebook, as comparações sociais que estabelecem através da rede, e sintomas depressivos diários que sentiam ao fazê-lo. No geral, os cientistas descobriram que as pessoas (de ambos os sexos) que passavam mais tempo no Facebook relataram sintomas depressivos mais elevados devido a essas terríveis comparações sociais.

Facebook da depressão

Embora estudos anteriores já houvessem mostrado uma ligação entre o uso do Facebook e os sintomas depressivos, esse estudo demonstrou que a causa subjacente ou o motivo pelo qual as pessoas se sentem tristes depois de passar muito tempo no Facebook pode ser este desejo de se comparar com os outros.

Infelizmente, fazemos isso automaticamente. Não podemos prever ou evitar esse comportamento, basicamente porque nunca sabemos as publicações que vão pipocar no nosso feed de notícias.

Muitas vezes, as pessoas tentam se apresentar sob um ponto de vista forçadamente positivo no Facebook – ou seja, eles filtram os maus aspectos de suas vidas e acentuam o que está bom. Então, se estamos nos comparando ao “melhor” da vida dos outros, podemos mesmo sentir que nossa vida é menos interessante ou glamourosa em comparação com a de nossos amigos todo dia.

Se tivermos em mente que estamos nos comparando com uma versão cuidadosamente trabalhada, positivamente distorcida das vidas de nossos contatos no Facebook, podemos ter uma visão diferente.

Sua vida não é tão ruim quanto parece

O Facebook ou outros sites de redes sociais, como o Twitter ou Instagram, não são naturalmente bons ou ruins. Eles também não são os vilões.

Eles foram criados para cumprir um propósito particular, para nos entreter e nos conectar com nossos amigos – o que é essencialmente algo muito positivo. O que deixa você triste é o uso que você faz desses canais.

Então, se você perceber que está se sentindo cada vez mais triste depois de ver fotos exóticas de férias maravilhosas de seus amigos, anúncios do noivado de um relacionamento perfeito, fotos de bebês lindos que não choram de madrugada nem sujam a fralda, ou mensagens sobre a mais recente promoção de alguém – talvez seja a hora de desligar o Facebook e ir ler um livro. [iflscience]

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