Cinegrafista atacado por cão da PM escapou da morte por 3 cm

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Jesus, o cinegrafista, entre a filha, Thabita, e a mulher, Priscila Foto: jana / Terra

 

Publicado no Terra

O cinegrafista Luiz Carlos de Jesus, 45 anos, levou um susto e tanto no protesto do último dia 29, em Curitiba, quando registrava, para a TV Bandeirantes, o protesto de professores em frente à Assembleia Legislativa do Paraná.

Preocupado com a quantidade anormal de bombas de efeito moral e balas de borracha usada pelos policiais, ele acabou surpreendido pelo ataque repentino sofrido na coxa esquerda. O algoz: um cão pitbull preso à corrente de um policial. Jesus ainda gravou parte da cena, mas caiu quando o ferimento começou a sangrar e saiu carregado pelos colegas a um posto de atendimento médico local.

“O médico me disse que por três centímetros não foi atingida minha veia femoral. Se tivesse sido, eu talvez não estivesse aqui agora”, contou o cinegrafista. Veia de grosso calibre, a femoral tem papel fundamental no transporte de sangue pelo corpo – o rompimento pode levar a vítima à morte.

O cinegrafista recebeu a reportagem do Terra em sua casa, uma residência de fundos em um bairro de classe média baixa da capital paranaense. De repouso, com a perna enfaixada, ele contou que o médico preferiu não fechar o ferimento por risco de infecção. Serão de 10 a 15 dias nessa situação, sem poder trabalhar. E não é a primeira vez que ele sofre agressão em protesto: em um ato durante o dia 7 de setembro do ano passado, levara “uns socos, uns tapas” da Tropa de Choque quando registrava outra manifestação.

Além de Jesus, outros quatro profissionais de imprensa ficaram feridos na ação da última quarta-feira (29). O levantamento foi feito poela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que, em nota, repudiou a violência da PM paranaense e cobrou medidas das autoridades para apuração dos casos.

Jesus, que faz cobertura no dia a dia de casos policiais, não soube dizer se houve excesso de policiais no caso dele. “Não sei (se houve excesso), não trabalho com segurança pública. Mas ficou muito claro que o aparato policial era muito grande, os professores estavam em bem menos quantidade. Também não posso dizer se o que aconteceu foi por estarmos tão próximos, ou se foi por a PM não ter feito um cordão de isolamento; sei é que ninguém ali da imprensa infringiu regra alguma”, relatou.

O episódio trouxe ainda um segundo inconveniente para Jesus: ele, que afirma sempre ter tido o “sonho de ser PM” – está cursando Jornalismo –, viu a filha agarrar o mesmo propósito de vida. Ao menos até quarta-feira passada (29).

“Imagino que seja uma honra vestir a farda da PM, mas o despreparo com que lideram me decepcionou. Vou repensar sobre isso, não sei mais se quero seguir essa carreira”, admitiu a filha, a estudante Thabita Yuri Alecrim Jesus, 16 anos. “Mas eu tenho muitos colegas policiais, não vamos generalizar”, contemporizou Jesus – o pai.

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