Cérebro aprecia mais o vinho se achar que ele foi caro

Estudo indica que cérebro aprecia melhor a bebida ao acreditar que o preço dela é mais elevado

taçavinho

Publicado em O Globo

Você quer impressionar seus convidados com uma garrafa de vinho, mas não quer gastar muito. Então, segundo sugere um artigo do jornal britânico “Independent”, basta comprar um rótulo barato e dizer aos amigos que foi caro para eles apreciá-lo mais (é preciso, antes de mais nada, garantir que eles não conheçam a bebida…). Parece exagero, mas um estudo publicado no “Journal of Marketing Research” mostrou que preconceitos com relação ao preço podem realmente mudar o entendimento do cérebro, fazendo com quem esteja tomando o vinho aprecie-o mais ou menos.

Em um experimento envolvendo voluntários que tiveram seus cérebros escaneados enquanto bebiam foi constatado que os cérebros reagiam melhor a vinhos supostamente mais caros. Foi informado aos voluntários os preços de cinco vinhos que eles acreditavam ser diferentes. Na realidade, eles foram submetidos a apenas três produtos distintos, que custavam dois preços diferentes.

O estudo mostra o quão forte são os efeitos placebos do marketing e como nossos cérebros podem realmente experimentar produtos muito diferentes de forma semelhante, dependendo de como eles são comercializados.

Os autores do estudo, o neurocientista cognitivo Hilke Plassman, e Bernd Weber, professor de neurociência da Universidade de Bonn, descobriram que as pessoas com baixa conscientização de seus sentidos físicos e uma elevada necessidade de cognição eram mais propensas a ser influenciadas.

Essa, no entanto, não é a primeira pesquisa neste sentido. Em 2001, o acadêmico francês Frédéric Brochet apresentou a 57 voluntários dois copos de vinho: um vermelho e um branco. Alguns descreveram o vermelho com sabores típicos de vinho tinto, como ameixa, chocolate e groselha, e o branco como tendo notas de grapefruit e mel. Eles não sabiam, no entanto, que os dois vinhos eram exatamente o mesmo, só que um foi colorido com corante.

O produtor Robert Hodgson também pôs em xeque as capacidades dos apreciadores de vinho e acabou descobrindo que juízes profissionais em competições de vinho muitas vezes dão aos mesmos vinhos pontuações diferentes em diferentes ocasiões.

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