Social das redes sociais

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

O Twitter foi o primeiro a chegar na festa. Disparando humor mordaz, se limitava a frases curtas (muitas vezes roubadas). “Já vi festas melhores, hashtag decadência.”

Logo depois, chegou o Instagram, fofíssimo. “Vocês estão a cada dia mais lindos.” O Twitter deu RT. “Vocês estão a cada dia mais lindos.” O Instagram agradeceu, sem perceber que era um RT irônico.

O Facebook era o rei da festa -mas desconfiava-se do seu caráter. Achava que podia comprar qualquer um: “Quanto é que tá valendo pra te levar pra casa?”, disse para o Tumblr. “Tá pensando que eu sou Instagram, que se vende assim facinho?” Mas o Facebook insistia: já tinha dado certo com o WhatsApp.

O Whatsapp falava com 30 pessoas ao mesmo tempo. Mostrava um dubsmash pornográfico para alguns, para outros mandava fotos de felinos fofos.

O Vine chegou marrento, hipster, mas em três segundos estava bêbado e em seis segundos já estava vomitando. Imediatamente ficou marrento de novo até passar mal de novo e entrar num looping eterno. “Opa, tudo bem? Acho que to passando mal. Vou vomitar. Opa, tudo bem? Acho que to passando mal. Vou vomitar. Opa, tudo bem?”

O LinkedIn só falava de trabalho. Puxava pessoas para um canto e começava a contar vantagem: “Desde que eu fiz um MBA e virei PhD passei de CFO para CEO” -quase tudo era mentira.

O Badoo apenas chamava todos para um papo. “Querem conversar? Não? Ninguém?” Nada. Ninguém. O LinkedIn interferiu: “Sabe o que você precisa? Fazer um ‘summer internship’ com o Facebook, ou um ‘work experience’ com o Google”.

Num canto da festa, moribundos, ICQ e MSN trocavam memórias dos tempos da internet discada. O Bate-papo da UOL chegou animado: “Querem tc?” Não queriam.

O Pinterest, chiquérrimo, passeava carregando um quadro negro ornado com luzes natalinas. Cruzou com o Instagram, que comia um prato lindo de comida enquanto acariciava um gato. “Uau, você tá mega fofo, saudades, te amo.” O Tinder apresentou os dois, na esperança de que rolasse algo. Faltou química.

O Snapchat só queria saber de exibicionismo. Em poucos segundos de papo já estava mostrando as partes íntimas. Mas não queria nada além -quem queria era o Grindr, que em dois segundos de papo queria carregar o interlocutor para o quarto escuro.

Enquanto isso, na janela, sem amigos, o Google Plus cogitava o suicídio. O Instagram tentava ajudar: “Relaxa, amigo, você tá lin-do”.

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