6 experimentos horríveis que pais cientistas fizeram em seus próprios filhos

Publicado no Hypeness

Hoje, a ciência exige que testes sejam conduzidos em um ambiente controlado e ético. Se a discussão ainda é polêmica quando se trata de experiências com animais, vale lembrar que, até bem recentemente, a experimentação científica em seres humanos era considerada aceitável, mesmo sem nenhuma cautela ou aprovação prévia.

Pior: em nome da descoberta, alguns pais arriscaram a vida ou a felicidade de seus próprios filhos, que se tornaram cobaias em experimentos horríveis. Confira:

6. O psicólogo que testou a resposta humana às cócegas acabando com a alegria de seu filho

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Em 1933, o psicólogo Clarence Leuba queria descobrir se rir quando recebemos cócegas é um instinto com o qual nascemos, ou se é uma resposta que aprendemos a partir da observação de outras pessoas fazendo o mesmo.

Ele chegou à conclusão de que a melhor oportunidade para estudar isso era usando seu filho recém-nascido como cobaia.

No interesse da ciência, Leuba primeira proibiu todo o tipo de cócegas em sua casa, permitindo que ela fosse feita apenas durante os períodos especiais experimentais. Além disso, ele proibiu explicitamente sua esposa de rir na presença do garoto, para que ele nunca ouvisse tal som e acidentalmente o associasse com cócegas. Certamente, resolver essa questão era importante o suficiente para Leuba de forma que ele sacrificaria a alegria da infância de seu bebê para respondê-la.

E esse nem é o aspecto mais aterrador deste experimento. Para ter realmente certeza de que seu filho não seria influenciado por suas expressões faciais, Leuba usava uma máscara assustadora de papelão branca com fendas estreitas nos olhos ao fazer cocegas na criança, e em um esforço para não influenciar seu riso (já que ele não ganhou um Nobel, será que ele ganhou um prêmio de pior pai do mundo?).

Surpreendentemente, o garoto começou a rir, mas, de acordo com Leuba, a validade do teste foi arruinada por sua esposa, que confessou já ter rido na presença da criança, enquanto a balançava nos braços.

Leuba não se deixou vencer, no entanto. Não contente em arruinar os primeiros meses da vida de um filho, começou um segundo teste com sua segunda filha, impedindo qualquer riso em sua casa por sete meses, até que ela riu espontaneamente quando recebeu cócegas. Está aí sua resposta, Leuba. Feliz?

5. O homem que inventou a vacina contaminando seu filho com varíola

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No final do século 18, o médico inglês Edward Jenner estava tentando provar sua teoria: que deliberadamente infectar as pessoas com uma doença bovina que não era grave, chamada de varíola bovina, lhes daria imunidade à varíola, uma doença desfigurante e potencialmente fatal.

Sabemos hoje que Jenner estava certo – o processo que ele inventou agora é chamado de vacinação -, mas, naquela época, sua teoria era baseada na observação de que as pessoas que trabalhavam com vacas não tendiam a pegar varíola.

Compreensivelmente, a comunidade científica não estava convencida por este pequeno fato para apoiar Jenner, de forma que o médico decidiu fazer o óbvio: infectar de propósito seu filho, Edward Jr., com ambas as doenças.
Inocular as pessoas daquela época não era tão simples quanto é hoje, ou seja, com uma picada no braço. O que Jenner realmente teve que fazer foi cortar o braço de seu filho e enfiar um monte de pus infectado ali.

Pior: Jenner não só fez isso com seu próprio filho, mas com várias crianças da vizinhança. Claro que, se ele estivesse errado e todos aqueles meninos contraíssem varíola e morressem da doença, Jenner provavelmente não seria conhecido como um herói da medicina, mas sim como mais um dos notórios assassinos em série ingleses como Jack, O Estripador, com um nome do tipo “O Monstro do Pus de Londres”.

Embora tenha demorado um pouco para que a vacinação realmente pegasse no mundo, hoje ela é uma das melhores coisas que a ciência já possibilitou à saúde humana.

4. O toxicologista que picou seu filho com uma água-viva mortal para ver se ela era mortal

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Em 1964, um toxicologista marinho australiano chamado Jack Barnes estava investigando a água-viva que ele achava ser responsável pela produção da “síndrome de Irukandji”, uma coleção de sintomas misteriosos que estava aparecendo em alguns nadadores australianos.

Barnes finalmente encontrou uma amostra da pequena água-viva que ele suspeitava ser a culpada em uma praia de Queensland, mas precisava testar se ela era realmente venenosa, e não apenas alguma água-viva não venenosa que não era digna de seu status como australiana. Então, testou a picada da água-viva em três pessoas: em si próprio, em um salva-vidas local e em seu filho de 9 anos de idade, Nick.

A síndrome de Irukandji é descrita por suas vítimas como uma dor pior do que o parto, insuportável até o ponto em que os sofredores muitas vezes pedem para morrer. No entanto, Barnes aparentemente concordou em picar seu filho só porque ele perguntou se podia tentar. Leuba, você se safou – o pior pai do ano é na verdade Barnes.

Como deveria ter sido completamente esperado, todos acabaram no hospital 20 minutos depois, contorcendo-se em convulsões e agonia, porque é isso que a síndrome causa. Felizmente, todas as “cobaias” se recuperaram muito bem, mas o jovem Nick admitiu mais tarde que realmente sentiu o desejo de morrer durante o calvário.

Vale a pena esclarecer que a Carukia barnesi, água-viva testada por Barnes, não é a única que causa a síndrome. Todo um grupo de animais chamados de cubozoários podem torturar vítimas com Irukandji.

3. O homem que praticamente aprisionou seu filho para lhe ensinar uma língua morta

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Em 1881, o lituano nascido judeu Eliezer Ben-Yehuda emigrou para a Palestina e percebeu que todos os outros imigrantes judeus estavam falando um monte de línguas estrangeiras diferentes e não conseguiam se entender, o que tornava muito difícil para eles se organizarem como um povo. Ele concluiu que os judeus deveriam estar falando em uma língua comum, e que havia uma disponível – o hebraico. Problema: o hebraico não era falado como língua materna desde o século III aC.

Sendo assim, Ben-Yehuda decidiu que seu filho, Ittamar, teria o privilégio de ser o primeiro falador de hebraico nativo em alguns milhares de anos. Ia ser complicado – o hebraico do Antigo Testamento não tinha palavras para coisas como “trens a vapor”, então Ben-Yehuda teve que inventar grandes porções da linguagem de modo que fosse capaz de ensinar seu filho sobre tudo o que tinha acontecido no mundo desde o início do Império Romano.

Isso até que parece legal, exceto que, para que a criança aprendesse hebraico puro, e como apenas ele e seu pai falavam hebraico no mundo todo, Ittamar não estava autorizado a falar com qualquer outro ser humano, nunca. Quando os amigos da família visitavam sua casa, Ittamar era mandado para a cama, para que não ouvisse acidentalmente uma palavra não hebraica.

Quando Ben-Yehuda pegou sua esposa cantando para a criança em russo, ficou furioso e acabou quebrando uma mesa. Ben-Yehuda chegou até a proibir seu filho de escutar os ruídos produzidos por animais, o que não faz sentido, porque não é como se os burros locais zurrassem em uma versão animal árabe na orelha de Ittamar de propósito, em um esforço para minar todo o trabalho de Ben-Yehuda de ensinar hebraico a seu filho.

Felizmente, ao invés de tratar Ben-Yehuda como uma pessoa louca que temia conspirações animais, a comunidade judaica apoiou seus esforços e começou a ensinar hebraico para seus próprios filhos. Hoje, o hebraico é uma língua oficial de Israel, e o país todo (provavelmente) também sabe como cães e gatos soam.

2. Charles Darwin tratou seu filho como um estudo de caso

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Você provavelmente conhece ou já ouviu falar do trabalho de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, com os animais. O que você talvez não saiba é que ele não conseguia desligar o modo “pesquisador” que havia dentro dele e trocá-lo pelo modo “pai”, de forma que quando teve William, criou seu filho da única maneira que sabia: como um biólogo.

Darwin passou os dois primeiros anos de vida de seu filho tomando notas sobre o comportamento do bebê. Não é porque ele queria publicar qualquer coisa – o artigo com suas “descobertas” não foi publicado até 37 anos mais tarde, como uma reflexão tardia -; ele só fez isso por puro hábito.

E como não aguentou apenas assistir e aprender, tomou a iniciativa de colocar o bebê através de uma série de experimentos comportamentais cada vez mais bizarros, como agitar vários objetos na frente de seu rosto para testar suas reações e levá-lo para um zoológico para descobrir quais animais o assustavam mais, revelando temores herdados de um passado humano selvagem.

Em um experimento, Darwin testou a reação de seu filho a mamas e ficou desapontado que a criança apenas percebeu o seio de sua mãe quando chegou bem perto, a sete a dez centímetros de distância, “como mostrado pela saliência de seus lábios e seus olhos tornando-se fixos, mas eu duvido muito que isso tinha alguma ligação com a visão; ele certamente não tocou o seio”.

Como se isso não fosse estranho o suficiente, Darwin se referia a William ocasionalmente como “it” em suas notas. Em inglês, o “it” é um pronome usado para coisas e animais, ao contrário de “he” e “she” (“ele” e “ela”, respectivamente), usados para pessoas. Vamos dar uma colher de chá para Darwin; ele provavelmente não via seu filho como uma coisa, ou pelo menos não o tempo todo.

1. O psicólogo que criou um chimpanzé como irmão de seu próprio filho

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Na década de 1930, os cientistas ainda não sabiam exatamente quais partes da inteligência e comportamento humano eram inatas e quais eram causadas apenas por educação. Havia ainda a teoria de que alguns dos animais mais inteligentes, como os chimpanzés, não falavam ou tinham moral apenas porque ninguém nunca os criou como filhos, lendo-os histórias e ensinando-os a falar.

Mas como testar esta teoria? O psicólogo chamado Winthrop Kellogg decidiu levar para casa um jovem chimpanzé chamado Gua e criá-lo ao lado de seu filho recém-nascido Donald, de forma idêntica, só para ver o que aconteceria.
Winthrop também desenvolveu um sistema de testes em que Donald e Gua eram colocados um contra o outro, em uma batalha épica de bebê vs. chimpanzé (soa ilegal, não?). Kellogg testou coisas como destreza, memória, desenvolvimento da linguagem, obediência e a velha questão do que acontece quando você amarra um bebê a uma cadeira e o gira muito rápido (vide o vídeo abaixo).

Infelizmente, Kellogg não conseguiu criar o homem chimpanzé esperado. Gua basicamente permaneceu um chimpanzé, com comportamento de chimpanzé. E, enquanto não é possível tornar um chimpanzé mais humano apenas ao tratá-lo dessa maneira, humanos “des-evoluem” muito rápido. A experiência de Kellogg teve efeitos colaterais inesperados para Donald, que começou a agir como um chimpanzé. O experimento teve de ser interrompido quando a criança não parou de correr e morder as pessoas.

Então, da próxima vez que você for julgar pessoas que postam fotos constrangedores de seus filhos no Facebook, lembre-se que poderia ser pior. Pelos menos uma criança criada ao lado de um chimpanzé ainda tem vídeos no Youtube, quase 100 anos depois, de seus pais disparando armas ao seu lado só para ver o que acontece.

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