Fazer mais sexo não traz mais felicidade, diz estudo

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Cláudia Collucci, no UOL

Não é de hoje que pesquisadores fazem associações mirabolantes entre sexo e felicidade. Uma das mais bizarras foi feita por economistas a partir de uma pesquisa com 16 mil americanos adultos. Segundo eles, aumentando a frequência das relações sexuais (de uma por mês para uma por semana) a pessoa conseguiria um aumento de felicidade proporcional ao que sentiria se tivesse US$ 50 mil a mais na conta bancária…

Na verdade, olhar mais acurado sobre esses estudos deixa claro que não é possível estabelecer essa relação de causa e efeito que as pessoas tanto adoram. A associação entre sexo e felicidade até existe mas pode ser por um motivo bem mais raso: pessoas que se dizem mais felizes tendem a fazer mais sexo. Simples assim.

Para estabelecer o chamado nexo de causalidade, seria preciso que os cientistas fizessem um estudo controlado, comparando casais que fazem sexo com mais frequência com aqueles “mais devagar”. Depois, verificariam o grau de felicidade nos dois grupos.

Não é que uma pesquisa dessas aconteceu e será publicada na edição de agosto do “Journal of Economic Behavior & Organization”?

Foi assim: os pesquisadores da Carnegie Mellon University recrutaram 64 casais adultos, todos casados e heterossexuais. Em seguida, quiseram saber sobre a frequência sexual dos voluntários, o quanto agradável era e, por fim, o quanto se sentiam felizes em geral. Todas as respostas foram baseadas em questionários padronizados que medem o humor e energia.

Metade dos casais, escolhidos aleatoriamente, continuou transando como de costume. A outra metade foi orientada a dobrar a frequência das relações sexuais. Por exemplo, se eles fizessem sexo uma vez por mês (a taxa mínima para a inclusão no estudo), passariam a fazê-lo duas vezes. Casais que tivessem relações sexuais três vezes por semana (a taxa máxima para os participantes) foram orientados a passar para seis.

Todos os participantes também foram incumbidos a preencher um questionário on-line diariamente durante o experimento (de 90 dias) sobre a quantidade e a qualidade do sexo no dia anterior e os seus estados de humor subsequentes.

Alguns casais no grupo experimental conseguiram duplicar a taxa de relações sexuais, e, em média, houve um aumento de 40%.

Tornaram-se mais felizes? Não. Na verdade, o bem-estar até diminuiu, especialmente em relação às medidas de energia, entusiasmo e qualidade do sexo. Tanto homens como mulheres relataram que a relação sexual adicional não foi muito divertida. Os resultados surpreenderam alguns dos pesquisadores

Mas não George Loewenstein, professor de economia e psicologia, que liderou o estudo. “Parece que, se você está tendo sexo por uma razão diferente daquela ‘eu gosto e quero ter sexo’, você pode comprometer a qualidade das relações sexuais e do seu estado de espírito.” A lição que se deve tirar daí, segundo ele, é: concentre-se na qualidade e não na quantidade.

A conclusão lhe parece óbvia ou inútil? Pode ser. Mas levando em consideração que a frequência sexual continua sendo uma fonte de preocupações, dúvidas e inseguranças em um bom número de casais, vale a pena a discussão. Há muita conversa fiada em torno do tema. Muita gente que, ao se comparar com a quantidade dita pelos outros, fica em dúvida se a sua vida sexual é boa ou ruim.

A frequência sexual é um assunto que deve ser pactuado apenas entre o casal, não precisa ser ajustado às estatísticas. O que interessa é o desejo e a necessidade de ambos. Descompassos existem e muitos. Daí a necessidade de falar abertamente sobre sexualidade com o companheiro ou a companheira, da mesma forma que se fala sobre os demais temas da vida. Em se tratando de sexo, a pergunta não deveria ser quanto é o normal, mas se estou satisfeito com o que tenho.

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