Recife instala primeiro voluntariômetro do país e se transforma na capital da solidariedade

ARB_0001_03072015_Foto_AndreaRegoBarros

Mais de cem mil horas de trabalho voluntário já foram dedicadas a instituições sociais no Recife, Pernambuco. O número, contabilizado pela plataforma Transforma Recife, criada pela prefeitura, pode ser acompanhado em tempo real por qualquer pessoa que passar por uma das avenidas mais movimentadas da capital pernambucana, desde a instalação do “voluntariômetro”. O equipamento, criado nos moldes do “impostômetro” de São Paulo, registra o resultado do cruzamento de dados das instituições que precisam de mão de obra voluntária com os das pessoas que querem dedicar parte do seu tempo à ações de solidariedade.

A ideia partiu do empresário Fábio Silva, criador da ONG Novo Jeito. Há cinco anos, ele criou um movimento de mobilização social, capaz de incentivar voluntários do Brasil inteiro a pensar a solidariedade com atitude. Desde o início, a ONG demonstrou um poder de mobilização social tão grande que chamou a atenção do governo dos Estados Unidos. Tanto que Fábio foi um dos cinco líderes sociais brasileiros convidados para participar de um intercâmbio entre países em desenvolvimento para incentivar ações sociais. Depois de tamanha repercussão, o empresário foi convidado pela prefeitura do Recife para liderar a plataforma de voluntariado pioneira no País.

– O que a instalação do Voluntariômetro representa para a cidade?
Um marco de esperança, um símbolo do bem, a afirmação de que muitas pessoas querem ajudar, colaborar com a transformação de uma cidade apenas não sabem como. As horas contabilizadas no voluntariometro vai espalhar em nova cultura, a cultura do engajamento, do serviço. Em cidades onde os marcadores são: impostometro, vítimas de acidentes, mortes por arma de fogo, O Voluntariometro marca o Bem, o Reino do Bem.

– Qual o objetivo da plataforma?
Muito simples, mas inédito. Ligar quem quer ajudar a quem precisa de ajuda. O desafio é o tamanho, estamos falando de um projeto de cidade, uma cidade de 3,5 milhões de habitantes. Agora Todo o cidadão pode entrar e se cadastrar para ser voluntario em uma vaga disponível pelas ONGS da cidade. Ou seja a ONG que precisava de contador, advogado, pintor, eletricista basta oferta a vaga e ela será preenchida. Está todo mundo muito feliz. As ONGS ganharam uma visibilidade que nunca tiveram, estão construindo um projeto de longo prazo que é o ter pessoas especializadas apoiando. Sem falar das ONGS trabalhando em rede, ou seja a ONG mais jovem sendo apoiada por quem já tem muita experiência. É o
Bem em escala.

ARB_0005_03072015_Foto_AndreaRegoBarros

– Como o voluntariado pode ajudar a transformar a cidade?
Quem for um pouquinho responsável já percebeu que não será apenas através do voto ou elegendo um gestor público que vamos construir o mundo que sonhamos para os nossos filhos. É preciso participar, É preciso ir além de cumprir com nossos deveres, cumprir eles já não resolve o caos social. E não vejo isso como uma fraqueza, alguns dizem: “vamos fazer a parte dos nossos governantes?!”. Não vamos ensiná-los como faz e acho que dessa nova cultura vão nascer os novos governantes, com um novo DNA.

– Quais os impactos esperados na cidade com os resultados da iniciativa?
Os impactos já são visíveis, os números falam, em 4 meses já são 20mil pessoas cadastradas e mais de 300 ONGS ofertando vagas. A cada 10 vagas ofertadas pelas ONGS 3 já são preenchidas, isso dá uma média de 40mil horas de trabalho voluntário mês. É uma Mudança significativa na agenda da sociedade civil. Não ficamos só no discurso da mudança, somos a mudança.

– Quem é o homem por trás da plataforma?
Que homem? Seu estiver falando de Fábio Silva, estamos falando de um Pai, empresário que crer que o mundo que sonhamos, nos construímos. Fui construir! Mas o Transforma, a plataforma, é um projeto de muitos, é o sonho de muitos. Das ONGS, de cada cidadão que carrega um sonho adormecido, de governantes de bem que buscavam convocar a sociedade pra participar de sua gestão mas não sabiam como. Creio nessa pauta, pra mim a mais importante, através dela temos melhor saúde, melhor educação. Porque? Simples, vamos cobrar mais porque sabemos fazer.

– De que forma o voluntariado pode contribuir com a carreira profissional dos voluntários?
Nos USA de cada 10 americanos, 8 fazem ou fizeram um trabalho voluntário, é uma cultura. Ouvi de um americano, “quem não tem engajamento social é visto como uma pessoa com desvio de caráter!”. Sendo assim, encontrar uma vaga na faculdade, um processo de seleção para o trabalho conta ponto o currículo social. Vamos introduzir através da plataforma o currículo social no mercado de trabalho na cidade do Recife ou seja as empresas vão começar a valorizar quem faz trabalhos sociais.

– Como você vê o Recife nos próximos anos a partir desta iniciativa?
A capital da Solidariedade é assim que nós vemos. Porém acho que vai nascer a cultura da disputa por esse título. Existe disputa por quem mais recebe turistas, quem mais arrecada impostos, imagine a disputa anual para ver quem mais faz o bem. E nosso projeto (plataforma, voluntariometro) o bem é quantificado. Então vejo que através do Recife, do Transforma nasce um projeto para o Brasil de políticas públicas tanto para o voluntariado, como para a relação com as ONGS. Sabe os jargões sobre “nova política”, sobre “participação da sociedade”, este projeto responde.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Recife instala primeiro voluntariômetro do país e se transforma na capital da solidariedade

Deixe o seu comentário