Dormir torna nossas memórias mais acessíveis, mostra estudo

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Impacto benéfico do sono sobre a memória está bem estabelecido – Reprodução/Pixabay

Publicado em O Globo

Esqueceu-se de alguma coisa e não se lembra por nada? Talvez seja melhor se deitar. Dormir não só protege as memórias de serem esquecidas, como também as torna mais fáceis de serem acessadas, de acordo com nova pesquisa da Universidade de Exeter e do Centro Basco de Cognição, Cérebro e Linguagem. Os resultados sugerem que após o sono nós estamos mais propensos a lembrar fatos que não conseguíamos lembrar enquanto acordados há algum tempo.

Em duas situações em que indivíduos esqueceram informações ao longo de 12 horas de vigília, mostrou-se que uma noite de sono promove o acesso aos traços de memória que tinham inicialmente sido muito fracos para serem recuperados.

A pesquisa, publicada neste domingo na revista “Cortex”, rastreou memórias para novela, palavras inventadas aprendidas antes de uma noite de sono ou em um período equivalente de vigília. Os indivíduos foram convidados a recordar palavras imediatamente após a exposição a elas, e depois novamente após o período de sono ou a vigília.

A principal diferença foi entre aquelas memórias de palavras que os participantes conseguiam se lembrar tanto no teste imediato e no reteste de 12 horas, e aquelas de que não se lembravam no teste imediato, mas, eventualmente, se lembravam no reteste. O pesquisador descobriu que, em comparação com a vigília diurna, o sono ajudou a resgatar memórias mais do que preveniu a perda de memória.

“O sono quase dobra nossas chances de lembrar material previamente esquecido. A melhora pós-sono em acessibilidade de memória pode indicar que algumas memórias são afiadas durante a noite. Isso apoia a noção de que, durante o sono, nós ensaiamos ativamente informações marcadas como importantes”, explicou Nicolas Dumay, da Universidade de Exeter. “São necessárias mais pesquisas sobre o significado funcional deste ensaio e se, por exemplo, permite que memórias sejam acessíveis em uma ampla gama de contextos, portanto, tornando-as mais úteis.”

O impacto benéfico do sono sobre a memória está bem estabelecido, assim como se sabe que o ato de dormir é nos ajuda a lembrar as coisas que fizemos, ou ouvimos, no dia anterior. A ideia de que as memórias também poderia ser afiadas e tornadas mais vivas e acessíveis durante a noite, no entanto, ainda está para ser plenamente explorada.

Dumay acredita que o impulso de memória vem do hipocampo, uma estrutura interna do lobo temporal, descompactando episódios recentemente codificados e repassando-os para regiões do cérebro originalmente envolvidos na sua captura – o que levaria o assunto a efetivamente re-experimentar os grandes eventos do dia.

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