Ex-viciado em sexo, evangélico quer derrubar Coca-Cola com a Judá Cola

publicado no UOL

Ele diz que já foi viciado em sexo e teve a mente poluída, até supostamente receber de Deus uma missão: substituir a Coca-Cola no Brasil e no mundo. Baiano de Bom Jesus da Lapa, Moisés Magalhães, 42, é frequentador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da marca Leão de Judá. Ele afirma ter uma linha com mais diversos produtos. O carro-chefe é o refrigerante Leão Judá Cola.

“Tive um distanciamento de minha fé. Estava mais voltado para o dinheiro. (…) Era viciado em sexo –isso dentro do casamento é uma bênção, mas fora é uma maldição. Minha mente era poluída, eu era escravo desses desejos. Deus me livrou e eu me tornei limpo”, diz Magalhães, contando como começou seu atual negócio.

Ele diz ter pedido a Deus uma ideia, e a resposta dos céus teria sido: “Eu pesei a Coca-Cola na balança e encontrei-a em débito comigo. Vai e substitua a Coca-Cola no Brasil e no mundo”.

Sem título

Além do boca-a-boca entre os membros da igreja, o empresário também usa as redes sociais –como o Facebook– e o site de vídeos Youtube para promover seu produto. O refrigerante aparece, em fotos, acompanhando churrascos, e em diversos vídeos em que Magalhães denuncia supostos abusos da marca Coca-Cola.

Segundo ele, a empresa “vende um produto ilegal, com substâncias com uso de extrato de folha de coca”. Procurada pela reportagem, a Coca-Cola informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se manifestaria sobre as denúncias do empresário.

No momento, o produto está à venda em poucos lugares e ainda não é encontrado na Grande São Paulo, por exemplo.

“Estamos colocando via igrejas evangélicas, que estão nomeando membros para implantação de distribuidoras Leão de Judá na Grande São Paulo”, diz.

Espírito Santo como marqueteiro

Em garrafa pet de 2 litros ou latas de alumínio, a Leão de Judá Cola traz o desenho de um leão sobre o rótulo vermelho.

Entre 2009 e 2010, Magalhães chegou a ter uma parceria com o CompreBem, (antiga marca de supermercado popular do Grupo Pão de Açúcar), e colocou seu produto nas prateleiras do supermercado em algumas lojas do Estado de São Paulo.

O Pão de Açúcar confirmou que já vendeu esse refrigerante em suas lojas. O contrato com a rede, porém, não foi renovado. Agora, o empresário aposta em nova estratégia: quer ter 7.000 distribuidores em todo o país. O objetivo é terceirizar a produção e a distribuição da bebida.

“Quem me dá estratégia é o Espírito Santo. Ele é meu marqueteiro. Ele que fala pra mim: ‘faz assim, fala assim’.”

A bebida é produzida em fábricas regionais, que fazem refrigerantes de outras marcas populares. “São 150 [fábricas de refrigerante] catalogadas. Fora as de feijão, macarrão, bolacha, arroz, sucos…”, afirma.

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