Pastor citado em denúncia de Cunha já criticou políticos

Abner-Ferreira

Marco Antônio Martins e Luíza Franco, na Folha de S.Paulo

Em maio de 2014, durante um congresso de missionários em Santa Catarina, o pastor Abner Ferreira, 51, criticou políticos em busca de votos na campanha eleitoral. “Aqui não se vende milagre, nem prodígio e nem maravilha. Homem de Deus não aceita dinheiro sujo”, disse o líder da Assembleia de Deus.

Nesta quinta (20), o nome do pastor apareceu na denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é o dirigente da Assembleia de Deus, em Madureira, zona norte do Rio, local frequentado por Cunha.

Junto com o irmão, Samuel, dividem o controle da Assembleia de Deus no Brasil. São filhos do bispo Manoel Ferreira, presidente vitalício da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Conamad), que direciona o rumo da igreja no país.

De acordo com a denúncia de Rodrigo Janot, Fernando Soares, operador do PMDB, indicou o empresário e agora colaborador Julio Camargo a realizar pagamentos na forma de doações à igreja.

A denúncia contra o deputado indica que houve dois depósitos nas contas da igreja no valor de R$ 125 mil em 31 de agosto de 2012.

Para o procurador-geral, não há dúvidas de que as transferências foram feitas por indicação de Eduardo Cunha. Essas doações, segundo Rodrigo Janot, teriam sido uma maneira utilizada para lavar dinheiro.

ASSEMBLEIA DE DEUS

O Censo de 2010 aponta a Assembleia de Deus como a igreja que mais cresce no Brasil. Dos 42 milhões de evangélicos no país, 12 milhões seriam fiéis da assembleia.

Atualmente, dos 37 deputados federais reeleitos da bancada evangélica, 19 são da Assembleia de Deus.

As assembleias estão organizadas de uma forma em que cada ministério é constituído pela igreja-sede. No caso, o Ministério de Madureira é a principal unidade no Rio com 90 mil filiados.

No prédio tombado na zona norte do Rio, Cunha já recebeu políticos de diferentes partidos como o candidato à presidência, pastor Everaldo Pereira (PSC) e o deputado Arolde de Oliveira (PSD).

Com três torres altas iluminadas, o prédio da igreja,de acordo com funcionários do local, é tombado pela Prefeitura do Rio e tem capacidade para cerca de 2.000 fiéis.

As dezenas de funcionários trabalham em um prédio anexo ao lado da igreja. É lá também que fica o escritório de Abner Ferreira. Os irmãos Ferreira foram procurados durante toda a sexta-feira (21) pela Folha, mas não atenderam às ligações.

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