‘Vaquinha virtual’ paga de abrigo para porco a terapia após pé decepado

Campanhas de arrecadação de dinheiro são feitas pela internet.
Ativistas criaram projeto que pretende levantar até R$ 300 mil.

Publicado no G1

O tombamento no Rodoanel em São Paulo de uma carreta que levava 110 porcos fez ativistas correrem para a internet e criar uma campanha de financiamento coletivo para custear o tratamento dos animais. A “vaquinha virtual” foi aberta na última terça-feira (25), mesmo dia do acidente, e três dias depois já arrecadou quase R$ 250 mil reais.

Há outras causas que também movimentam as doações, de próteses à jovem que teve mãos e pés decepados pelo companheiro até o financiamento de um aplicativo de sobrevivência no mato (Veja abaixo alguns projetos).

Como funciona
No Brasil, sites como “Vakinha” e “Catarse” reúnem projetos de “crowdfunding”, o financiamento coletivo, ou mais informalmente, as vaquinhas virtuais. Os serviços possuem políticas diferentes.

O “Catarse”, o mais antigo dos dois, funciona de modo similar aos estrangeiros “Kickstarter” e “Indie Go Go”: os autores da propostas descrevem o projeto, indicam uma meta e só levam a grana caso ela seja atingida integralmente. Os proponentes têm ainda que estabelecer faixas de financiamento e sugerir prêmios para aqueles que as arrematarem.

Já o “Vakinha” funciona de forma diferente e é mais simples. Os prazos são maiores e o valor pode ser reajustado com a campanha já em andamento. Foi o que aconteceu com a “vaquinha” dos porcos, lançada iniciamente para arrecadar R$ 50 mil, mas ampliada para R$ 300 mil. A principal diferença é que, ao final da campanha, o dinheiro sempre fica com quem propôs o projeto, mesmo que a meta não tenha sido atingida.

Veja campanhas de financiamento coletivo:

Ativistas fazem manifestação contra o abatimento dos porcos, resgatados do acidente no Rodoanel, (Foto: Cícero Silva/SigmaPress/Estadão Conteúdo)

Ativistas fazem manifestação contra o abatimento
dos porcos, resgatados do acidente no Rodoanel,
(Foto: Cícero Silva/SigmaPress/Estadão Conteúdo)

Porcos do Rodoanel
Depois de uma carreta tombar na Rodoanel em São Paulo, os porcos que eram transportados rumo a um frigorífico chamaram a atenção de ativistas pelo direito dos animais. Isso porque só com o impacto da queda três dos 110 morreram. Os que sobreviveram ficaram sete horas à espera de ajuda. E, durante as tentativas de retirar a carreta da pista, vários ficaram mais machucados ainda.

Após ativistas resgataram os animais, outros criaram um projeto de crowdfunding para ajudar a financiar alimento, medicamentos e o abrigo para os animais resgatados.

O objetivo era reunir R$ 50 mil. Quando estava próximo de ser alcançado, a meta foi elevada para R$ 200 mil e agora está em R$ 300 mil. Segundo os organizadores, como não há uma previsão de quanto será necessário, estão tentando angariar o máximo possível de fundos. Eles dizem que doarão o dinheiro excedente para uma ONG de proteção animal.

Quanto: R$ 300 mil
Período: 25/08/2015 a 31/12/2015
Objetivo: construir abrigos, comprar comida, água e medicamentos para porcos de uma carreta tombada em São Paulo
Onde: Porcos do Rodoanel

Gisele teve as mãos decepadas pelo marido (Foto: Reprodução)

Gisele teve as mãos decepadas pelo marido
(Foto: Reprodução)

Mãos para Gisele
No começo de agosto, a jovem de Gisele Santos, de 22 anos, quase morreu ao terminar encerrar um relacionamento de 7 anos. Seu companheiro não aceitou, a trancou em casa, tomou seu celular e iniciou a sessão de horror: atingiu-a na cabeça com um facão, que usou para decepar as mãos e os pés de Gisele, além de esfaqueá-la na barriga.

Os médicos conseguiram preservar os pés de Gisele, mas as mãos foram perdidas para sempre. A filha da madrasta da jovem iniciou uma campanha para arrecadar R$ 26 mil, dinheiro que vai pagar próteses, as despesas médicas da internação e a teraia para que ela volte a andar.

Quanto: R$ 26 mil
Período: 17/08/2015 a 31/12/2015
Objetivo: prótese para mãos, despesas médicas e terapia para jovem voltar a andar
Onde: Vamos Dar as Mãos a Gisele

Theodoro, menino de 9 anos, que tem distrofia retiniana, uma doença degenerativa na retina sem cura. (Foto: Reprodução/Facebook)

Theodoro, menino de 9 anos, que tem distrofia
retiniana, uma doença degenerativa na retina sem
cura. (Foto: Reprodução/Facebook)

Olhar para Theo
Um garoto de 9 anos do Rio Grande do Sul (RS) passou a enxergar com dificuldade e foi diagnosticado com distrofia retiniana. A doença degenerativa ataca a parte da retina que é sensível à luz, não tem cura nem podia ser prevenida.

Um diagnóstico mais adequado é feito por meio de uma genotipagem ocular no garoto e em seus pais. Exame e o protocolo de tratamento, que ainda está em fase de experimento, são feitos nos Estados Unidos.Por isso, amigos da família criaram uma vaquinha virtual em abril para arrecadar R$ 100 mil para Theo e seus pais consigam arcar com os custos da viagem e dos procedimentos médicos.

A campanha já mobilizou jogadores de futebol, como Marcelo Grohe e Rodholfo, do Grêmio, Neymar, do Barcelona, Zé Carlos, do Palmeiras, e Dalessandro, do Internacional. O esforço saiu da internet e chegou às ruas da capital gaúcha. O dono de um posto de gasolina da cidade decidiu doar o lucro dos abastecimentos para a campanha toda vez que um cliente escreve na nota fiscal “um olhar para o Theo”.

Quanto: R$ 100 mil
Período: de 18/04/2015 a 12/10/2015
Objetivo: diagnóstico e protocolo de tratamento de menino de 9 anos com distrofia retiniana
Onde: Um olhar para Theo

Músico Nando Costa que teve de decepar a perna e agora tenta arrecadar dinheiro para comprar uma prótese. (Foto: Reprodução/Facebook)

Músico Nando Costa que teve de decepar a perna e
agora tenta arrecadar dinheiro para comprar uma
prótese. (Foto: Reprodução/Facebook)

Prótese para Nando
O músico Nando Costa, de 38 anos, teve um tumor em 2004 no joelho esquerdo, que foi substituído por uma prótese. Cinco anos depois, veio a boa notícia: ele estava curado do câncer.

A prótese se quebrou em 2013 e teve de ser substituída por outra. Poucos meses depois da cirurgia, uma bacteria se alojou no objeto. O tratamento da infecção não surtiu efeito e os médicos descartaram implantar nova prótese devido ao risco de a infecção apenas ser transferida de uma para a outra. A solução escolhida por Costa foi amputar a perna, o que ocorreu em agosto deste ano.

A campanha de financiamento coletivo pretende levantar R$ 50 mil para que o músico consiga comprar outra prótese para voltar a andar novamente. Esse dinheiro também pagará remédios e acessórios que serão usados em breve.

Quanto: R$ 50 mil
Período: 12/08/2015 a 31/12/2015
Objetivo: prótese para perna
Onde: Prótese para Nando Costa


Cirurgia para Erike
Depois de ser internado em abril com um inchaço no abdômen, o ator Erike Busoni descobriu ter um turmo de 22 centímetros. O câncer foi causado a partir de um nódulo no testiculo, retirado em uma cirurgia. O tumor estava em uma área muito vascularizada e muitos órgãos vitais. Por isso, os médicos decidiram primeiro reduzi-lo com sessões de quimioterapia antes de partir para uma cirurgia.

Após 28 sessões de quimio, cada uma com 5 horas, o tumor não regrediu. A solução agora é retirá-lo. Mas a cirurgia é delicada –pode durar até 12 horas. Busoni entrou na fila do SUS à espera pela intervenção, que tem de ser feita urgentemente. Em um hospital privado, com o acompanhamento de médicos especialistas, a remoção custa R$ 100 mil.

Caso a campanha seja um sucesso, os amigos do ator prometem doar o dinheiro restante para uma instituição de combate ao câncer.

Quanto: R$ 120 mil
Período: 03/08/2015 a 02/10/2015
Objetivo: cirurgia para retirar tumor do abdômen
Onde: Cirurgia para Erike Busoni se livrar do câncer

Cena do documentário 'Das Raízes às Pontas', sobre a relação de negros com seu cabelo crespo. (Foto: Divulgação/Catarse.com)

Cena do documentário ‘Das Raízes às Pontas’,
sobre a relação de negros com seu cabelo
crespo. (Foto: Divulgação/Catarse.com)

Documentário sobre cabelo crespo
O documentário “Das Raízes às Pontas” reconstrói o lugar de homens e mulheres negros a partir da relação de cada um com seu cabelo. Acadêmicos, artistas, executivos, empresários e estudantes discutem como confrontam um padrão de beleza excludente e tentam colaborar para construir a identidade da cultura negra no Brasil.

Os relatos dos adultos são costurados pela vida de Luíza, uma criança negra de 12 anos, que foi educada para ter orgulho de suas madeixas. A diretora Flora Egécia e a roteirista Débora Morais já estão em processo de pós-produção, que custará R$ 15.970.

Quanto: R$ 15.970
Período: até 18/09/2015
Objetivo: documentário sobre as raízes negras dos cabelos crespos
Onde: Das Raízes às Pontas

Game '99Vidas', feito pelo estúdio independente brasileiro QUByte em parceria com o podscast 99Vidas. (Foto: Divulgação/Catarse.com)

Game ’99Vidas’, feito pelo estúdio independente
brasileiro QUByte em parceria com o podscast
99Vidas. (Foto: Divulgação/Catarse.com)

Game vintage
Inspirado em games clássicos como “Final Fight”, “Double Dragon”, “Golden Axe” e “Street of Rage”, o estúdio independente brasileiro QUByte criou o game “99Vidas” em parceria com o podcast de mesmo nome.

O game é do tipo bater e correr, em que os personagens caminham pelo cenário à espera de inimigos que surgem de todos os lados. Mas se livrar dos adversários, usam combos e golpes especiais. Apesar de ter o objetivo de ser lançado para consoles de última geração, o jogo em 16 bits lembra os arcades dos anos 80 e 90.

A dobradinha QUByte e 99Vidas tenta levantar R$ 80 mil para levar o game aos sistemas Linux, Mac e Windows. Se conseguirem arrecadar R$ 150 mil, lançam o game também para os videogames PlayStation 4 e Xbox One, além de PS vita, Nintendo Wii U e 3DS. A previsão é liberar o “99vidas” em junho de 2016.

Quanto: R$ 80 mil
Período: até 29/09/2015
Objetivo: jogo estilo ‘bater e correr’ brasileiro
Onde: 99Vidas – O Jogo

Game '99Vidas', feito pelo estúdio independente brasileiro QUByte em parceria com o podscast 99Vidas. (Foto: Divulgação/Catarse.com)

Game ’99Vidas’, feito pelo estúdio independente
brasileiro QUByte em parceria com o podscast
99Vidas. (Foto: Divulgação/Catarse.com)

App para sobreviver no mato
Para a Escola Mestre do Mato e Mateiros do Brasil, sobreviver é preciso. Na hora do aperto, se um profissional não estiver por perto, que pelo menos um aplicativo deixe as coisas menos complicadas. Por isso, criaram o app de sobrevivência mestre do mato, sem a pretensão de fazer do serviço uma promessa de transformar iniciantes em experts.

Como ensinar técnicas cartográficas e a navegar com bússulas precisa de tempo, o app possui uma ferramenta para ninguém se perder no meio do mato. O “marcador de trilha” funciona mesmo sem o GPS do celular para mostrar como percorrer na volta o mesmo caminho da ida. Também há dicas de como obter água, buscar ajuda e de como construir abrigos.

Quanto: R$ 8 mil
Período: até 06/09/2015
Objetivo: aplicativo com técnicas de sobrevivência na floresta
Onde: Aplicativo de Sobrevivência Mestre do Mato

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