Celular prejudica relacionamentos, diz estudo

46,3% dos entrevistados dividem a atenção dos parceiros com seus telefones

Estudo com 453 pessoas mostra que nível de satisfação de casais é inversamente proporcional ao uso de smartphones - Reprodução/Pixabay

Estudo com 453 pessoas mostra que nível de satisfação de casais é inversamente proporcional ao uso de smartphones – Reprodução/Pixabay

Publicado em O Globo

Uma pesquisa da Universidade de Baylor, nos Estados Unidos, confirmou que os celulares são prejudiciais aos relacionamentos amorosos e que eles podem levar a certos níveis de depressão.

Os professores James A. Roberts e Meredith David, do departamento de marketing da universidade, publicaram o estudo “Minha vida tornou-se uma grande distração para meu telefone celular: Phubbing e satisfação com o relacionamento entre parceiros românticos” no diário científico “Computers in Human Behavior”.

Para o estudo feito nos EUA, os pesquisadores conduziram dois levantamentos separados, com um total de 453 participantes adultos, com a intenção de entender os efeitos do “Pphubbing” — o “Snubbing” entre parceiros. A pesquisa define “Pphubbing” como o hábito de utilizar o celular enquanto se está na companhia de seu parceiro de relacionamento.

— Descobrimos que, quando alguém percebe que seu parceiro está deixando-o de lado para ficar no celular, isso cria conflitos e leva a níveis mais baixos de satisfação com o relacionamento — explica Roberts. — Esses níveis mais baixos de satisfação com o relacionamento, por sua vez, levam a níveis mais baixos de satisfação com a vida e, finalmente, os níveis mais elevados de depressão.

A primeira investigação, feita com 308 adultos, ajudou Roberts e David a desenvolverem uma “escala de Pphubbing”, com nove hábitos comuns para usuários de smartphones que os próprios participantes do estudo identificaram como “comportamentos esnobes”. Entre as reclamações mais comuns estão: “Meu parceiro coloca o seu celular onde ele pode vê-lo quando estamos juntos” ou “Meu parceiro checa a tela do celular enquanto fala comigo”.

Já a segunda rodada da pesquisa, feita com 145 adultos, mediu o nível de “Pphubbing” entre os casais. Nessa fase, os participantes responderam à escala de nove itens desenvolvida na primeira parte do levantamento.

Outros critérios também foram medidos na segunda fase da pesquisa, como conflitos causados pelo celular, a satisfação no relacionamento, satisfação com a vida, depressão e o tipo de ligação entre os parceiros — por exemplo, a “ligação ansiosa”, que descreve as pessoas que são menos seguras em seu relacionamento.

Os resultados mostraram que 46,3% dos participantes costumam ser “ignorados” por seus parceiros. Já 22,6% disseram que o “Pphubbing” causa conflitos em suas relações, e 36,6% afirmaram que se sentem depressivos parte do tempo. No total, apenas 32% dos entrevistados afirmaram que estavam muito satisfeitos com seus relacionamentos.

— Nas interações diárias com seus parceiros, as pessoas muitas vezes presumem que as distrações momentâneas com seus telefones celulares não são uma grande coisa — comenta Meredith. — No entanto, nossos resultados sugerem que quanto mais o casal é interrompido pelo celular, menos provável é que o outro indivíduo esteja satisfeito no relacionamento.

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