Estudo aponta que homens com raiva ganham mais influência enquanto mulheres perdem

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Jéssica Maes, no Hypescience

Até a raiva é machista. Um novo estudo sobre os comportamentos das pessoas durante a deliberação do júri descobriu um viés de gênero distinto quando se trata de expressar a raiva e influenciar pessoas. O estudo descobriu que os homens usam a raiva para influenciar os outros, mas as mulheres perdem influência quando demonstram raiva em um argumento.

De acordo com o site Science 20, os autores do artigo dizem que a sua conclusão reforça a ideia de que uma mulher que faz uma argumentação apaixonada poderia convencer os outros da sua opinião se ela fosse um homem. Porém, o estudo vai um passo além e mostra que mulheres nervosas perdem influência em um debate.

A pesquisa tem implicações para além da sala de deliberação dos tribunais, de acordo com a psicóloga da Universidade do Estado do Arizona Jessica Salerno, co-autora do estudo. “Nosso estudo sugere que as mulheres podem não ter a mesma oportunidade de influência quando expressam raiva”, disse Salerno em entrevista ao Science 20. “Descobrimos que quando os homens expressaram a sua opinião com a raiva, os participantes os classificaram como mais credíveis, o que os tornava menos confiantes em sua própria opinião. Mas quando as mulheres expressaram raiva e argumentos idênticos, elas foram percebidas como mais emocionais, o que tornou os participantes mais confiantes em sua própria opinião”.

“Esse efeito não pode ser explicado [com a justificativa de que] mulheres se comunicam de forma menos eficaz raiva ou têm uma aparência diferente quando expressam raiva porque tiramos tudo isso da equação”, explicou a pesquisadora. “O efeito foi devido aos participantes pensarem que a raiva veio de um homem versus uma mulher”.

Metodologia

O estudo contou com 210 universitários elegíveis ao júri que participaram de uma simulação de computador em que eles acreditavam que estavam deliberando com outros cinco participantes. Cada participante viu uma apresentação de 17 minutos, que foi baseada em evidências de um caso real em que um homem foi julgado pelo assassinato de sua esposa. Os participantes leram as declarações de abertura e fechamento e testemunhas oculares. Eles também viram fotografias da cena do crime e da suposta arma do crime.

Para começar a deliberação, os participantes tiveram uma votação preliminar de culpado ou inocente. Cada um deles então trocou uma série de mensagens, supostamente com colegas que também tinham que concordar como um grupo sobre se o suspeito deve ou não ser condenado.

Essas trocas foram escritas com antecedência e de uma forma muito específica – quatro dos jurados fictícios concordou com o veredicto do participante e um discordou. Este discordante tinha um nome de usuário claramente masculino ou feminino e os outros nomes eram de gênero neutro.

Todos os participantes leram essencialmente os mesmos argumentos, mas para alguns os argumentos foram feitos com raiva, outros com medo e os restantes foram passados em um tom emocionalmente neutro. Durante a discussão, os participantes periodicamente responderam a perguntas sobre o quanto se sentiam confiantes do seu veredicto inicial. Depois, eles votaram mais uma vez (apenas 7% mudaram de ideia).

Influência desigual

“A confiança dos participantes em seu próprio veredicto caiu significativamente após os discordantes masculinos expressarem raiva”, afirmam os pesquisadores. “Os participantes tornaram-se significativamente mais confiantes em seus veredictos originais após discordantes femininos expressarem raiva, mesmo que elas estivessem expressando a mesma opinião e emoção que os masculinos”.

Segundo Salerno, o efeito de influência era evidente tanto nos participante homens quanto nas mulheres.

“O que é mais perturbador sobre os resultados é que eles foram produzidos pela raiva, especificamente”, acrescentou. “Se você pensar sobre quando expressa raiva, muitas vezes é quando realmente se preocupa com alguma coisa, quando estamos mais apaixonadas e mais convictas em uma decisão. Nossos resultados sugerem que as disparidades de gênero na influência têm maior probabilidade de se materializar nestas situações – quando estamos discutindo sobre algo com que nos importamos muito”. [Science 20]

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