O amor vence

 

Lodemir, Pavarini e Eliene.

Lodemir, Pavarini e Eliene.

Marília César e Sérgio Pavarini

Ele passou três meses com a mesma roupa no corpo. Ela chegou a dormir numa caixa de geladeira. Ele se sentia um lixo, a escória da sociedade. Ela vivia perambulando sem destino pelo centro de São Paulo, olhos vidrados, roubando e se prostituindo para conseguir uma pedra de crack.

Um dia, o olhar dos dois se cruzou. Ela estava deitada – jogada, na verdade –, numa calçada na

Cracolândia, no centro de São Paulo, quando Lodemir a acordou. Com carinho e paciência, conversou com ela e convidou-a para sair dali a fim de conhecer a missão onde ele agora trabalhava. Ela recusou o convite, mas a voz amorosa não saiu da sua mente por um bom tempo.

Assim começou uma bela história de amor e de superação, que está dando frutos para o Reino de Deus até agora. Lodemir José, mineiro, 39 anos, viveu o pesadelo da dependência do crack por 22 anos. Morou seis meses na Cracolândia, até ter um encontro libertador com o Evangelho de Cristo.

Eliene Cardoso, também mineira, 30 anos, hoje sua esposa, passou quatro anos na Cracolândia e foi alcançada pelo Evangelho por intermédio da vida de Lodemir. Um ano depois daquele convite, ela resolveu conhecer o trabalho da Missão Cristolândia, que acabou transformando também a sua vida.

Os dois se casaram em março deste ano, depois de namorarem durante oito meses, a maior parte do tempo pela internet. Ela passou esse tempo em casas de recuperação, na Cristolândia, no Rio de Janeiro. Eles trabalham juntos hoje na missão, oferecendo alimentos, roupas limpas e cuidados e, o que realmente faz a diferença, levando o Evangelho que capacita os dependentes a deixar o inferno do crack. Moram numa casa emprestada, ele recebe R$ 600 por mês e ela é voluntária.

“Hoje, eu e mais umas cinco pessoas somos comissionados pela Junta de Missões Nacionais e temos uma ajuda de custo. E o restante são voluntários, que vivem das doações”, disse Lodemir à Revista Comuna.

A Missão Cristolândia foi idealizada por Fernando Brandão, pastor e diretor da Junta de Missões Nacionais. Em 2008, andando pelas ruas de São Paulo, Fernando se perdeu na Cracolândia e foi impactado pela dura realidade que viu ali. O Espírito Santo o tocou para que iniciasse um trabalho de transformação de Cracolândias em Cristolândias.

Em julho de 2009, o Ministério Cristolândia iniciou suas atividades em São Paulo, com abordagem pessoal, oferta de refeições, corte de cabelo, banho e a oportunidade de ouvir uma palavra de esperança aos que estavam nas ruas. Em março de 2010, foi inaugurada a primeira unidade da Missão Batista Cristolândia. Os serviços prestados expandiram-se, atendendo os usuários com café da manhã, banhos e cultos de adoração.

Hoje, a missão está em sete Estados, e apenas em São Paulo tem 13 unidades de serviços, divididas por fase de reabilitação. São cerca de 380 internos em tratamento e mais de 1.500 pessoas já resgatadas do vício das drogas, de acordo com dados da própria instituição.

Segundo Lodemir, o trabalho tem um índice de 75% de sucesso. Significa que a cada 100 pessoas que começam no processo terapêutico e de desintoxicação oferecido, 75 deixam o vício. “A recuperação é difícil”, afirma Lodemir, que sabe bem do que está falando. Ele mesmo tentou 22 vezes, uma por ano, largar o crack. “Sem Cristo, a droga é mais forte. Então, a pessoa vai para a recuperação, mas não vai com a intenção de conhecer a Cristo, e com o tempo quem vai tratar isso aí é o Espírito Santo, que vai fazer com que ele se achegue a Deus. Quando essa pessoa se achega a Deus, de 10 homens, sete ficam e deixam a droga.”

A história incrível desse casal prova que é possível, sim, vencer a batalha contra a droga, por mais difícil que pareça. O romance foi tema de uma reportagem do Fantástico, na Rede Globo, no fim de setembro. Segundo Lodemir, a reportagem na TV sensibiliza as pessoas, mas o mais difícil é transformar essa emoção em ação. O trabalho precisa de doações de alimentos, roupas em bom estado, produtos de limpeza e mesmo dinheiro, que ajuda a manter o salário dos missionários. “Quando voltar para São Paulo, vou arrecadar doações com amigos e voltar à Cristolândia. É difícil esquecer tudo o que vi, principalmente o carinho com que eles recebem cada um que chega lá”, conta.

Fundador da Visão Mundial, Bob Pierce orou certa vez: “Que o meu coração se comova pelas coisas que comovem o coração de Deus”. Que seja essa a nossa prece para evitar um problema recorrente que tem endurecido corações e encurtado os braços de Deus: o vício da indiferença.

Visite o site da Missão Cristolândia

fonte: Revista Comuna

Veja aqui como ajudar.

Para doações em dinheiro:

​Banco Itau (nº 341)
C/C 66341-9
Agência0281
CNPJ 33.574.617/0001-70
Junta de Missões Nacionais

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