Por que você age de forma estúpida quando está a fim de alguém

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Publicado no Hypescience

Se apaixonar, se encantar, ficar a fim de alguém – tudo isso é divertido e emocionante, mas também extremamente propenso a fazer com que até mesmo as mais racionais das pessoas tomem decisões realmente estúpidas.

Cientificamente falando, a atração humana ainda é um mistério muito grande. Há uma tonelada de diferentes variáveis que afetam o quanto nos sentimos atraídos por alguém, incluindo preferências de personalidade, tendências culturais, pressões sociais e parceiros potenciais disponíveis.

Biologicamente falando, no entanto, há uma série de produtos químicos diferentes que contribuem para um estado alterado da mente quando alguém nos chama a atenção.

Amor = química

De uma forma muito real, se sentir atraído por alguém é muito parecido com estar sob o efeito de drogas. A liberação de substâncias químicas no nosso cérebro e corpo cria um estado mental alterado, em que nos comportamos de forma diferente do que normalmente faríamos.

Conheça alguns dos diversos produtos químicos que nadam através de seu cérebro quando você vê uma pessoa bonita:

Adrenalina: quando você vê alguém que está atraído, seu corpo libera adrenalina em seu sistema. Adrenalina é responsável por fazer o coração acelerar e as mãos suarem. Ela coloca seu corpo em estado de alerta, te preparando para uma ação imediata, aumentando os níveis de tensão e estresse. Também libera dopamina e endorfina.

Dopamina: quando você se sente eufórico ou sente prazer, a dopamina é a culpada. Ela é uma faca de dois gumes, no entanto. Responsável por estímulos gratificantes, ela acaba alimentando comportamentos que viciam. Isso é benéfico (esperamos) em relacionamentos românticos positivos, mas também afeta condutas negativas, como abuso de drogas. Em outras palavras, quando você está apaixonado por alguém, seu corpo o recompensa com produtos químicos que te fazem se sentir bem, sendo essa uma boa decisão ou não (agora faz total sentido o fato das pessoas continuarem interessadas por alguém, mesmo que isso só lhes faça sofrer).

Serotonina: quando você não consegue tirar alguém de sua cabeça, a serotonina é geralmente a culpada. Ou, mais precisamente, a falta dela. Essa queda na criação de serotonina também está presente em pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo. Ou seja, ser apaixonado por alguém provoca um estado químico semelhante a uma condição que de outra forma seria tratada com remédios em um ambiente profissional.

Testosterona: os níveis de testosterona (que oscilam regularmente) afetam a atração em ambos os sexos. Níveis mais altos de testosterona em homens os levam a ser mais atraídos por mulheres com faces mais “femininas”. Por outro lado, um estudo mostrou que as mulheres veem homens com altos níveis de testosterona como mais atraentes e masculinos, embora isso afete principalmente julgamentos a curto prazo.

Estrogênio: um grande número de estudos demonstrou que a atração do sexo feminino é afetada em uma variedade de formas pelo estrogênio e o ciclo de ovulação. Por exemplo, uma pesquisa demonstrou que os homens que simplesmente cheiram a camisa de uma mulher que está ovulando têm um aumento considerável na produção de testosterona.

Nenhum destes produtos químicos ou reações determina sozinho quem você é ou como você se comporta. Sua personalidade é mais do que apenas a soma total das substâncias químicas liberadas em seu cérebro. No entanto, em termos gerais, você não tem como evitar essa onda de sensações quando está perto de alguém por quem sente atração. E isso, é claro, causa problemas.

“Eu não fiz isso”

Conforme todos os produtos químicos se manifestam no seu organismo, você pode ver alguns efeitos selvagens e surpreendentes sobre o seu comportamento. Clássico momento: “Não, eu não acabei de fazer isso”. Mas fez.

Por exemplo:

Homens ficam mais burros quando acham que as mulheres estão lhe assistindo. Um par de estudos mostraram que, quando os homens foram simplesmente informados de que uma mulher estaria lhes observando realizar um teste cognitivo, eles foram pior. As mulheres não apresentaram diferença no desempenho, independentemente do sexo de seu observador. Se isto é devido à pressão da sociedade para os homens impressionarem as mulheres, ou se é uma condição biológica, os pesquisadores não sabem.

Nós pensamos que somos mais semelhantes às pessoas que estamos atraídos do que realmente somos. Basta que aquela pessoa por quem você tem uma queda lhe diga que gosta de uma coisa que você também gosta, que você basicamente pensa que ela é sua alma gêmea – mesmo que vocês tenham um gosto comum por pizza, junto com todas as outras pessoas do universo. De acordo com uma pesquisa feita na Universidade de Iowa (EUA), não só as pessoas que são atraídas por alguém acreditam que têm mais em comum com essa pessoa do que realmente têm, como também tendem a avaliar seus parceiros de forma mais positiva quando estão apaixonadas (é isso mesmo, o amor é cego, surdo e facilmente impressionável).

Nós pegamos pequenos maus hábitos das pessoas que gostamos. Pesquisas mostram que, quando estamos namorando alguém novo, temos uma tendência a pegar seus maus hábitos. Felizmente, este efeito também pode ser aplicado a comportamentos positivos. Mais importante, não parece estender-se fortemente para hábitos catastroficamente ruins (a não ser que a pessoa já seja propensa a esse comportamento).

Ambos os sexos diminuem as expectativas para evitar a solidão. Não é preciso da ciência para chegar a essa conclusão, mas só por graça uma pesquisa da Universidade de Toronto (Canadá) confirmou o que já sabíamos: quanto mais medo de ficar só uma pessoa têm, mais propensa ela é a se comprometer com menos para encontrar um parceiro.

Optamos por ficar com um parceiro ruim, porque temos medo de perdê-lo. Qualquer economista poderia dizer-lhe que um produto em alta demanda e pouca oferta sobe em valor. O economista comportamental Dan Ariely explica que isso acontece com nossos relacionamentos também. Se uma pessoa está explorando opções para namorar, pode ser mais propensa a apostar em alguém que está prestes a perder, independentemente da qualidade da pessoa. Famoso “agora eu quero porque não posso ter”

A conclusão é clara: misture atração, hormônios e comportamento humano, e você tem uma receita para o ridículo.

Como evitar o ridículo

A boa notícia é que você pode tomar melhores decisões, mesmo se você estiver encharcado de emoções. Mas não é fácil.

Para começar, é ideal entender que a sua ansiedade, nervosismo ou medo é uma condição da sua própria psique e não necessariamente a realidade.

Muito da experiência negativa das emoções é o encobrimento. É quando você resiste, oculta ou tenta mudar as emoções que você experimenta. Quando você faz isso, coloca tanta pressão e foco naquelas emoções que elas são mantidas no lugar. Se você não se “agarrar” àqueles pensamentos e emoções, novos pensamentos e emoções surgem.

A capacidade de identificar e gerenciar emoções é conhecida como inteligência emocional. Alta inteligência emocional pode levar a tomada de melhores decisões, apesar de estressores que desencadeiam reações como as descritas acima.

Uma pesquisa da Universidade Yale (EUA) descobriu que o efeito da inteligência emocional na tomada de decisão é profundo. Eles convidaram participantes a preparar um discurso de improviso, o que gerou ansiedade. Em seguida, os mesmos participantes foram questionados se queriam se inscrever para uma clínica de gripe.

Os resultados mostraram que as pessoas com inteligência emocional mais elevada eram mais conscientes de que a ansiedade que sentiram não estava relacionada com a decisão sobre a clínica da gripe. Embora apenas 7% das pessoas de baixa inteligência emocional se inscreveram para a clínica, 66% das pessoas com inteligência emocional superior fizeram isso.

Desenvolver a inteligência emocional é uma disciplina em si, e, como com a inteligência regular, ela pode crescer ao longo do tempo. Você pode aprender a desenvolver a inteligência emocional através da escrita de seus sentimentos ou apenas falando deles com os outros.

Confira alguns exercícios que você pode fazer para melhorar sua inteligência emocional:

Identifique e reduza o estresse no momento: identificar fatores de estresse e desenvolver hábitos de respiração, adiando uma ação precipitada, além de relaxamento muscular pode te ajudar a se acalmar e não fazer besteira.

Reconheça emoções muito fortes e as mantenha afastadas: o autocontrole emocional não é apenas eficaz na gestão da raiva. Enquanto a raiva e o romance podem ser muito diferentes, as mesmas estratégias se aplicam: estar ciente de suas próprias emoções e se acalmar para não tomar decisões precipitadas.

Aprenda os conceitos básicos de comunicação não verbal: todo mundo ao seu redor está em constante comunicação, mesmo que não digam nada. Aprenda a ler esses sinais para avaliar a sua situação melhor.

Utilize o humor para fazer conexões e resolver problemas: você não precisa necessariamente ser um comediante, mas saber quando usar o humor para resolver conflitos pode se provar muito beneficial.

Resolva conflitos de forma positiva: há uma enorme diferença entre discutir e efetivamente resolver problemas. Em linhas gerais, evite a primeira opção e parta para a segunda, na qual você tenta resolver um problema pacificamente lidando com suas emoções e se acalmando antes de falar algo do qual se arrependa.

Por fim, por mais inteligente emocionalmente que você seja, não há “cura” para estar apaixonado (e consequentemente agir como um idiota). No final do dia, é você contra milhões de anos de evolução humana. Boa sorte! [LifeHacker]

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