Se a religião é tão inútil, por que é universal?

topo_nmc130

Hélio Schwartsman, na Folha de S.Paulo

Deu na Folha que crianças religiosas não são mais boazinhas que as não religiosas. Ao contrário, o estudo, que envolveu 1.170 participantes de seis países, indicou que muçulmanos e cristãos são um pouquinho menos generosos e mais intolerantes que seus coetâneos criados em lares não religiosos.

Qual é o vínculo entre religião e moral? Para os extremamente pios, ele é total. A moral, eterna, emana de Deus, que a revelou aos homens nas Escrituras. A hipótese não resiste a uma análise mais acurada, já que a Bíblia autoriza condutas que hoje consideramos unanimemente imorais, a exemplo da licença para vender filhas como escravas (Êx. 21:7).

Essa interpretação tampouco se coaduna com a antropologia. A moralidade é tributária de um instinto que se consolidou no homem muitos milênios antes de o primeiro padre celebrar a primeira missa. Sem balizas morais para o convívio social, jamais teriam surgido grupamentos suficientemente complexos para produzir as religiões monoteístas.

Isso permite mudar a pergunta. Se a religião é tão inútil, por que é universal? A resposta está no contexto social. Nos casos em que lidamos com grupos culturalmente uniformes que quase nunca se encontram com outras tribos e, quando o fazem, é para guerrear, a religião mais ajuda que atrapalha. Ela unifica e motiva.

Nas situações mais típicas da modernidade, porém, em que vivemos em sociedades multiculturais em que pessoas de diferentes “backgrounds” interagem o tempo todo, o risco é a religião tornar-se um pretexto para legitimar a violência.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Se a religião é tão inútil, por que é universal?

Deixe o seu comentário