Fósseis de anfíbios desconhecidos de 280 milhões de anos são encontrados no Brasil

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publicado na Galileu

Há 280 milhões de anos o Piauí e o Texas não eram tão longe assim. Na verdade, os dois locais eram bem próximos, separados apenas por uma cordilheira. Na condição de vizinhos, é natural que a fauna de ambos fosse bem parecida; os dois estavam no megacontinente de Gondwana. De lá pra cá muita coisa aconteceu: os dinossauros surgiram, foram extintos, uma espécie de macacos desenvolveu consciência e foi ficando mais inteligente até o ponto em que, do alto do seu autoproclamado título de humano, resolveu estudar a história do seu planeta até o período mais longínquo que podia. Deram a esse estudo o nome de paleontologia. Agora, em 2015, humanos no Piauí descobriram três espécies de anfíbios que viviam em um lago cristalino no lado piauiense da cordilheira. Esses humanos preencheram uma lacuna histórica.

“Em todo o hemisfério sul não se conhecia nenhuma fauna terrestre dessa idade” diz o professor Juan Cisneros, um dos humanos responsáveis pela descoberta. Juan e sua equipe encontraram três espécies de anfíbios até então desconhecidas. Vamos às apresentações formais: Timonya annae era um animal de corpo alongado, coluna vertebral bastante flexível e membros curtos. Essas características indicam que ele se locomovia com movimentos sinuosos, como o de uma serpente, e que raramente deixava o lago para se aventurar na terra firme, já que seus membros não suportariam seu peso fora d´água. Ele era o menor dos três – 20 a 40 cm de comprimento – e também o que se sabe mais a respeito: 20 fósseis foram encontrados no local. Seu nome foi escolhido em homenagem ao local em que foi descoberto, a cidade maranhense de Timon.

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O outro é o Procuhy nazarienis, um parente próximo do Timonya, com o dobro do seu tamanho. Dele, apenas um crânio e uma mandíbula foram localizados por enquanto. O Procuhy tem nazariensis como sobrenome também por causa da cidade que ocupa essa região do antigo lago: Nazarena, no Piauí. É provável que as duas espécies sejam primas distantes das salamandras.

O terceiro fóssil é o menos completo, tanto que só terá um nome científico quando mais informações forem coletadas. O que dá pra dizer por ora é que ele tinha um metro e meio de comprimento e provavelmente se alimentava dos outros dois anfíbios recém-descobertos. Essa espécie foi encontrada na cidade piauiense de Monsenhor Gil.

Onde antes era esse lago imenso – ou vários lagos menores, os cientistas não têm como cravar – hoje é uma pedreira que extrai blocos para a construção civil. O que pode soar como um conflito de interesses, no final das contas pode ser um auxílio. “Eles estão cavando pra nós”, explica Juan. Segundo o professor da Universidade Federal do Piauí, essa convivência “poderia ser melhor, mais orientada”, mas ainda assim pode render bons frutos. “Se não fosse pela escavação deles, a gente jamais teria achado o que achou”.

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