PMDB faz ato de desagravo a secretário que agrediu mulher no Rio

Convenção estadual do partido foi transformada em ode a Pedro Paulo, braço-direito de Eduardo Paes. Acusações de agressão e ameaça foram classificadas pelo atual governador Luiz Fernando Pezão como ‘fofocas’

Pedro Paulo discursa entre Pezão (esquerda), Paes, Paes, Picciani e Sergio Cabral: apesar de acusações de agressão às mulheres, ele foi ovacionado por suas correligionárias na plateia (foto: Leslie Leitão/VEJA)

Pedro Paulo discursa entre Pezão (esquerda), Paes, Paes, Picciani e Sergio Cabral: apesar de acusações de agressão às mulheres, ele foi ovacionado por suas correligionárias na plateia (foto: Leslie Leitão/VEJA)

Leslie Leitão, na Veja on-line

Depois de confessar duas agressões à ex-mulher, o secretário-executivo da prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Carvalho, foi a grande estrela da convenção do PMDB para a escolha de seu novo diretório no Rio, que aconteceu nesta segunda-feira na sede do partido, no centro da capital fluminense.

Os principais caciques peemedebistas estiveram no evento, que reuniu, em um pequeno auditório, mais de uma centena de correligionários. E ali, aos berros e com o apoio de uma claque formada por dezenas de mulheres, colocaram um ponto final (ao menos por enquanto) nas especulações de que o braço-direito do prefeito Eduardo Paes não seria mais o candidato à sucessão na eleição do ano que vem. A todo instante os integrantes da cúpula do PMDB defendiam Pedro Paulo, que chegou a ser chamado de “maestro”, sem, no entanto, tocarem especificamente no assunto dos espancamentos a Alexandra Mendes Marcondes, registrados em delegacias do Rio e de São Paulo, como revelou o site de VEJA. O governador Luiz Fernando Pezão chegou a classificar o caso como “fofoca”.

O discurso afinado foi resultado de uma reunião entre a cúpula do partido, que aconteceu mais cedo, fora da sede. Pouco depois das 11 horas, o ex-governador Sergio Cabral, Pezão, o presidente do PMDB Jorge Picciani, além dos inseparáveis Paes e Pedro Paulo, desembarcaram da van e subiram direto para o oitavo andar. Nas fileiras da frente, muitas mulheres, como a líder do PMDB Mulher, Kátia Lobo, que se recusa a falar sobre as agressões praticadas por seu correligionário, aplaudiam-no e berravam a cada fala. “PMDB já tem nome/É Pedro Paulo e Rafael Picciani”, cantava o auditório.

Pedro Paulo foi colocado estrategicamente no centro na mesa, entre Picciani e Paes, deixando os governadores mais ao lado. “Vamos com candidatura à presidência da república em 2018. E a eleição de 2016 é importante para isso. Então, aqui estamos apresentando o cara que governou a cidade ao meu lado. Que foi o responsável pelo planejamento. Se esse governo é referência em plano estratégico e metas, é por causa desse cara”, bradou Paes, erguendo o braço do fiel escudeiro. Na saída do evento, ao ser questionado se não temia que este apoio a um agressor de mulheres confesso pudesse representar perda de capital político, o prefeito se esquivou: “Tenho plena consciência dos meus atos. Respondo por todos eles”, limitou-se a dizer.

Pezão foi além. Com um discurso inflamado, aproveitou para atacar o senador Marcelo Crivella, a quem derrotou na última eleição para governador e futuro adversário do PMDB para a prefeitura: “Ninguém derrota o PMDB unido, Pedro, pode ter certeza. Essas fofocas cada vez vêm de um jeito. Agora estão começando mais cedo. Botando a cara para fora mais cedo. A gente gosta de urna e de voto. Se quiser ir pro pau, vamos pro pau! Não tem medo de rede de televisão, de picareta de pastor 1,99”, disparou.

Em seguida, o governador fez questão de mandar um recado para o próprio PMDB nacional, dizendo que o Rio de Janeiro tornou-se o carro chefe do partido: “Só fico vendo a movimentação dos adversários, esperando com a faca nos dentes uma falha nossa. Mas esse momento não vai ter aqui. Sei que isso assusta até dentro do PMDB. Mas eu digo que não vai ter mais eleição nacional do PMDB sem passar aqui pela Rua Almirante Barroso, número 82 (sede estadual). Temos a maior bancada federal. E temos que ter candidato a presidente em 2018. E é assim que nós do PMDB do Rio vamos ser respeitados”.

Pai e filho também afinaram o discurso em torno de Pedro Paulo. Secretário estadual de esportes, Marco Antônio Cabral se disse honrado de, aos 18 anos, ter trabalhado ao lado de Pedro Paulo na Casa Civil da prefeitura: “Ele sempre foi nosso maestro”. Em seguida foi a vez de Sergio Cabral – alvo dos maiores protestos de rua no país, em 2013 – reaparecer em público. O ex-governador pegou o microfone e também garantir apoio do homem que espancou a mulher duas vezes, uma delas quebrando um dente e em outra tendo a filha de 2 anos como testemunha: “Pedro Paulo é um político forjado nas lutas. Sem dúvida, foi o grande gestor desses sete anos de governo Paes. E para o ano que vem vamos nos preparar para essa disputa com argumentos. É natural do processo político que a imprensa cogite a polêmica, mas estamos preparados, né Picciani?. Na saída, aos jornalistas, Cabral falou apressado. Garantiu que não será candidato caso a tentativa de emplacar Pedro Paulo fracasse: “Não tem plano B. Eu não vou concorrer”, disse.

Reeleito presidente estadual do partido, Jorge Picciani tentou mostrar ao grupo de Paes que a revelação do histórico de agressão de Pedro Paulo não partiu dele, como tem sido dito nos bastidores da prefeitura. Voltou a dizer que não há outra opção em mente, embora continue analisando a situação de Pedro Paulo, através de pesquisas qualitativas que vêm sendo feitas constantemente. Ao ser perguntado se votaria em um vizinho que agride a mulher, numa eventual eleição para síndico do seu prédio, Picciani emudeceu. Baixou a cabeça e entrou no elevador em silêncio e foi embora.

Comentários

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1 Comentário

  1. evandro disse:

    O PMDB perdeu a credibilidade há muito, deste a sua participação nas safadezas do PT. São co-autores de todas mazelas do Brasil.Agora vem fazer desagravo em nome de um covarde que maltrata uma mulher? Não tem moral para tanto.

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