Desfaçatez sem limites

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Juka Kfouri, na Folha de S.Paulo

O PAÍS de Eduardo Cunha, de Delcídio do Amaral, de Eduardo Azeredo não cansa de chocar.

O país de Ricardo Teixeira, José Maria Marin, de Andrés Sanchez não dá trégua.

O país, em silêncio, vê Marco Polo Del Nero renunciar a seu cargo na Fifa e indicar Fernando Sarney para seu lugar.

Como Cunha, Nero quer ficar no poder que lhe resta. Não quer renunciar à CBF como Teixeira, nem ser preso como Marin.

Como Sanchez se faz de seu desafeto, embora o tenha estimulado a não renunciar na CBF, indica um Sarney para substituí-lo.

Sarney é vice-presidente da região Norte da CBF, apesar de ser do Maranhão, no Nordeste.

Seu envolvimento em escândalos faz do mensalão tucano de Azeredo coisa menor, que o diga a Operação Faktor, da Polícia Federal, em 2006 —para não falar do bloqueio, pela Suíça, de uma conta dele, não declarada ao fisco brasileiro, de US$ 13 milhões, segundo revelou esta Folha, em 2010.

A contribuição dele ao futebol é tão nenhuma que não será surpresa se a Fifa, no atual surto moralizador, vetar a indicação.

Nero brinca com a cara do Brasil assim como o senador petista Amaral.

Eles insistem, mesmo diante de todas as investigações em curso na PF e no FBI, em continuar a não respeitar um mínimo de decoro.

Quem sai aos seus não degenera, ou segue degenerado. O pai de Fernando, José Sarney, um dia escreveu nesta Folha, a pretexto de saudar a conquista do pentacampeonato mundial pela seleção brasileira, que “Ricardo Teixeira venceu a tempestade”, como se a vitória nos gramados da “família Scolari” apagasse todos os indiciamentos do cartola na CPI do Futebol um ano antes.

O ex-presidente do Brasil, cuja família fez do Maranhão um dos Estados mais miseráveis do país, precipitou-se.

Teixeira não só não venceu a tempestade como afogou-se nela.

Nero aposta na falta de memória nacional, esquecido ele mesmo do que disse, dia 9 de junho último, na Câmara Federal: “Renuncia quem tem alguma coisa errada na vida, não é? Eu não renuncio, não”.

Pois renunciou, ao menos, ao seu posto na Fifa, antes que o pusessem para fora por faltar às reuniões da entidade, já que anda com um medo que se pela de sair do país.

A exemplo do que fizeram João Havelange, na Fifa e no Comitê Olímpico Internacional, e Teixeira, na Fifa e na CBF, Nero caiu fora para se poupar de ser caído.

Se Cunha resiste com desfaçatez desmedida, se Amaral está preso como Marin, se o julgamento de Azeredo demora mais que o tempo em que o Corinthians de Sanchez ficou sem ser campeão paulista nos anos 1950/60 e 70, Nero imita Cunha e abusa da falta de vergonha, nem aí para o prejuízo que causa à imagem do futebol pentacampeão mundial, humilhado pelo 7 a 1 que a gestão Marin e dele proporcionou.

E torcedor algum bate panela para exigir que Cunha e Nero vão embora, que Azeredo seja julgado e, pior, ainda aplaude Sanchez como se fosse ele, e não Tite e seus jogadores, os responsáveis pelo hexacampeonato brasileiro.

Atribuem a Sanchez o estádio erguido pela Odebrechet graças à intermediação de Lula que, nada republicano, foi o melhor presidente corintiano.

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