Estudo: crença em frases pseudoprofundas e teorias da conspiração são ligadas a baixa inteligência

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Natasha Romanzoti, no Hypescience

Um novo estudo descobriu que as pessoas que acreditam em frases pseudoprofundas são mais propensas a ter baixa inteligência verbal e fluida, a acreditar em conspirações e a endossar medicina alternativa.

No contexto deste estudo, frases pseudoprofundas foram definidas como declarações sem sentido que soam superprofundas, como “Bem-estar requer exploração. Atravessar a missão é unir-se a ela”, ou “O significado oculto transforma o abstrato sem paralelo”.

“Embora estas afirmações pareçam transmitir algum tipo de significado potencialmente profundo, são apenas uma coleção de chavões colocados aleatoriamente em uma sentença que mantém estrutura sintática”, explicam os pesquisadores.

Por que caímos em baboseiras?

Frases bizarras como essas estão cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas, particularmente quando se trata da internet.

Porém, muito pouca pesquisa tem sido feita para explicar por que algumas pessoas são tão sensíveis a esses tipos de declarações.

O doutorando Gordon Pennycook e uma equipe de pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, fizeram o que eles acreditam ser o primeiro estudo a “empiricamente investigar a baboseira”.

Sim, a palavra “bullshit”, que em inglês quer dizer que algo é uma besteira, aparece centenas de vezes no estudo, caso você esteja se perguntando.

Os experimentos

Para testar a crença das pessoas em declarações pseudoprofundas, os pesquisadores usaram um gerador aleatório para criar uma série de citações sem sentido. Em seguida, pediram a 280 estudantes de graduação para avaliar as declarações baseado em quão profundas elas eram usando uma escala de 1 a 5, sendo 5 “muito profunda”, e 1 “nada profunda”.

A classificação média para as declarações foi de 2,6, o que é alto, dado que as frases realmente não faziam qualquer sentido. O mais preocupante foi que 27% dos participantes avaliaram as sentenças como 3 ou mais. “Estes resultados indicam que os participantes em grande parte não conseguiram detectar que as frases eram baboseiras”, disse Pennycook.

Em um segundo experimento, os pesquisadores misturaram frases geradas aleatoriamente com tweets “particularmente vagos” postados pelo espiritualista Deepak Chopra. Mais uma vez, um novo grupo de participantes classificou as declarações de forma bastante semelhante na escala de profundidade.

Um experimento final analisou a forma como as pessoas classificavam declarações banais, como “A maioria das pessoas gosta de algum tipo de música” em comparação com citações profundas conhecidas, para garantir que os participantes não estavam apenas classificando tudo como profundo. Como você pode imaginar, as frases mundanas foram classificadas de forma muito inferior.

Quem cai mais na baboseira?

Os participantes também passaram por extensos testes cognitivos, incluindo matemática e avaliações verbais, e foram interrogados sobre suas crenças espirituais e pontos de vista sobre coisas como teorias da conspiração e medicina alternativa.

Os pesquisadores concluíram que as pessoas mais receptivas a baboseiras eram menos reflexivas, tinham menos habilidade cognitiva (inteligência verbal e fluida, numeracia), eram mais propensas a fazer confusões ontológicas, a acreditar em teorias conspiratórias, a manter crenças religiosas e paranormais, e a endossar a medicina complementar e alternativa.

Então, qual é o objetivo do estudo? Os cientistas esperam que entender o que torna as pessoas propensas a se fascinarem com declarações duvidosas os ajudará a criar estratégias para proteger as pessoas de caírem em baboseiras.

O estudo também poderia nos ajudar a entender o que torna as pessoas relutantes em tomar uma abordagem baseada em evidências para pensar sobre coisas como vacinas e as alterações climáticas. [ScienceAlert]

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