Oposição vence disputa pela formação da comissão do impeachment

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Troca de empurrões entre o deputado Paulo Pereira da Silva, Maria do Rosário e Paulo Pimenta durante sessão na Câmara – André Coelho / Agência O Globo

Publicado em O Globo

Com 272 votos a favor a chapa da oposição venceu a disputa e vai comandar a Comissão Especial do Impeachment. A chapa governista obteve 199 votos. A votação foi secreta.

A sessão para definir os integrantes da comissão começou com confusão, empurra-empurra e tensão no plenário da Câmara. Parlamentares do PT, que inicialmente tentaram impedir a votação alegando ser ilegal a oficialização de uma segunda chapa e a votação secreta, começam a ocupar as urnas para registrar o voto. Depois de quebrarem urnas, deputados contrários ao impeachment se postaram em frente as cabines de votação, dizendo que iriam obstruir a sessão.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu a votação, de forma secreta, às 17h18, logo após proceder a leitura dos integrantes das chapas e como seria o procedimento. Parlamentares governistas protestaram dizendo que ele deveria aguardar questões de ordens. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) pediu a suspensão da votação, mas Cunha rejeitou o pedido.

Deputados petistas e aliados protestaram no plenário da Câmara porque Cunha abriu a votação validando as duas chapas e afirmando que a votação será secreta.

Aos gritos de “é a chapa 2”, aliados de Cunha e membros da oposição começaram a votar nas urnas de votação instaladas na lateral do plenário. Os petistas pediam questão de ordem mas, como Cunha não acatou, parlamentares obstruíram a votação, colocando-se em frente às cabines para evitar a votação.

— Vocês estão atropelando o direito, querem que seja na marra. O presidente atropelou o plenário e quer impor, não aceita a questão de ordem. Ele está usando o poder de presidente e estamos aqui obstruindo. Vamos ter que obstruir aqui — disse o deputado Jorge Solla (PT-BA), que quebrou uma das urnas e estava na frente de uma das cabines de votação, impedindo a entrada dos demais.

Outro parlamentar que participou da tentativa de obstrução foi Afonso Florence (PT-BA), que jogou computadores usados para votação no chão. Deputados disseram que apenas três das 14 urnas eletrônicas estavam funcionando. Técnicos da área de informática foram chamados para reativar os equipamentos danificados.

O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), pedia calma:

— Calma, gente. Essa votação vai ser inviabilizada pelo Supremo daqui a pouco mesmo — argumentava o peemedebista, que disse que estava, no momento, apenas observando a confusão.

Já os deputados Jorge Solla (PT-BA) e José Carlos Aleluia (DEM-BA) chegaram a brigar em plenário. Solla explicou que foi empurrado por Aleluia, e que a agressão resultou na quebra de uma das urnas:

— O deputado veio para cima de mim, bufando, me empurrou, fui agredido. Além de tudo, são agressores — disse o petista.

— Tem uma questão de ordem desde as 15h e a Mesa não responde. Não nos restou outra forma que não tentar obstruir — completou Solla.

Mesmo deputados que não são da base governista estavam indignados com a votação secreta.

— Voto secreto é coisa de covarde: se eu vier votar, vou rasgar essa cortina. Vocês estão com medo do quê? — bradou, exaltado, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ):

— Ele (Cunha) quebra a norma democrática. Isso é o fim da picada. Ninguém vai esconder meu voto, meu voto vai ser aberto. Golpista — concluiu.

A chapa “oficial” para a comissão do impeachment recebeu a indicação de 49 deputados por líderes de 20 partidos. Já a chapa alternativa, a chapa 2, teve 39 indicações.

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