‘Pelo bem da ciência’, voluntários são pagos para ficarem dois meses na cama

Publicado na Folha de S. Paulo

á imaginou ser pago para ficar dois meses deitado na cama? Um estudo feito para investigar o que acontece com o corpo e a saúde dos astronautas que passam muito tempo no espaço busca voluntários exatamente para esse “trabalho”.

No estudo, coordenado pelo laboratório Envihab, na Alemanha, cientistas observam as mudanças no corpo de voluntários que passam dois meses deitados, como o desgaste dos seus músculos e ossos e mudanças no funcionamento de seus órgãos.

A ideia é entender o que pode acontecer com astronautas quando eles passam muito tempo longe da Terra.

Envihab parece um prédio do futuro. Um daqueles em que tudo parece perfeito e brilhante pelo lado de fora, mas que carrega um ar sinistro do lado de dentro.

O edifício lembra uma construção feita com Lego, mas a maior parte dele, na verdade, está abaixo da superfície.

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O cientista nutricional Petra, nosso guia pelo prédio, nos levou pela entrada do túnel, sem nenhuma janela e com um brilho verde assustador.

Dentro do prédio, toda parede, piso ou teto são brancos e lisos, não há nenhuma janela, nem plantas ou quadros – e também não há maçanetas nas portas.

A sensação é de estar entrando em outro mundo – e é desorientadora. Mas essa experiência estranha de ser jogado em uma estação espacial ou em um “mundo alienígena” é proposital. O Envihab foi desenhado assim para que médicos, cientistas e engenheiros pudessem pesquisar os efeitos de viagens espaciais – o isolamento, o impacto físico e psicológico, etc.

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Com um cartão, Petra libera um novo conjunto escondido de portas. Elas balançam apenas com o zumbido leve e nós entramos em uma sala que parece um quarto de hospital. É uma enfermaria, com equipamento médico em um longo e claro corredor, sem nenhuma janela e cheio de camas.

Esses quartos, porém, não são para pacientes doentes. Eles são ocupados por 12 voluntários perfeitamente saudáveis que são pagos para ficarem deitados nessas camas por dois meses “pelo bem da Ciência”. Conhecido como estudo do “descanso na cama”, esse experimento é feito para simular os efeitos de longo prazo da vida fora da gravidade.

Viver no espaço por mais do que alguns dias é um problema sério para a saúde. Os músculos e ossos sofrem desgaste, e os fluidos corporais formam uma “piscina” na cabeça, dando aos astronautas aqueles rostos inchados e uma sensação constante de gripe – até o sistema imunológico e a visão são afetados.

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O astronauta americano Scott Kelly e o cosmonauta russo Mikhail Kornienko estão em uma Estação Espacial Internacional por nove meses para investigar os desafios de missões de longa duração. Uma de ida e volta para Marte, por exemplo, levaria pelo menos 18 meses.

O objetivo do experimento “descanso na cama” no laboratório Envihab é reproduzir uma experiência parecida àquela que se tem quando se está em órbita. Mas ficar deitado em uma cama 24 horas por dia por dois meses inteiros não é algo tão fácil ou prazeroso quanto se pode pensar.

Para começar, não há nenhuma cama luxuosa com travesseiros super confortáveis. Os voluntários precisam ficar em camas de hospitais inclinadas para que suas cabeças fiquem mais próximas ao chão. Há câmeras monitorando todos eles para o caso de tentarem se levantar ou sentar.

Christian está há 40 dias no experimento. Ele pode assistir à televisão, tem um celular, um laptop e a internet disponíveis para quando precisar – e diz que até consegue ver o sol por uma frestinha no vidro fosco.

O astronauta americano Scott Kelly e o cosmonauta russo Mikhail Kornienko estão em uma Estação Espacial Internacional por nove meses para investigar os desafios de missões de longa duração. Uma de ida e volta para Marte, por exemplo, levaria pelo menos 18 meses.

O objetivo do experimento “descanso na cama” no laboratório Envihab é reproduzir uma experiência parecida àquela que se tem quando se está em órbita. Mas ficar deitado em uma cama 24 horas por dia por dois meses inteiros não é algo tão fácil ou prazeroso quanto se pode pensar.

Para começar, não há nenhuma cama luxuosa com travesseiros super confortáveis. Os voluntários precisam ficar em camas de hospitais inclinadas para que suas cabeças fiquem mais próximas ao chão. Há câmeras monitorando todos eles para o caso de tentarem se levantar ou sentar.

Christian está há 40 dias no experimento. Ele pode assistir à televisão, tem um celular, um laptop e a internet disponíveis para quando precisar – e diz que até consegue ver o sol por uma frestinha no vidro fosco.

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Na Estação Espacial Internacional, os astronautas precisam passar pelo menos uma hora e meia se exercitando todos os dias para manter a músculos e ossos em atividade. No experimento, Christian também precisa fazer exercícios, pulando e saltando – tudo isso sem se levantar, usando uma cama especial para exercícios físicos.

Os resultados do estudo não serão utilizados somente para ajudar astronautas no futuro. Eles também deverão facilitar a vida de pacientes que passam muito tempo em camas de hospital. Além disso, pesquisas espaciais sobre o desgaste de músculos e ossos já estão beneficiando pessoas que sofrem de osteoporose.

Perguntado sobre o que quer fazer assim que for liberado do estudo, Christian diz: “Respirar fundo várias vezes”. Que é exatamente o mesmo que faço quando saio dali e volto a ter contato com o ar fresco do mundo de fora daquele prédio.

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