A história do elefante que tomou LSD

publicado no Ciência Maluca

Tusko levava uma vida pacífica no zoológico de Oklahoma, nos Estados Unidos. Era um elefante-indiano macho de 14 anos com quase 3 mil quilos. No dia 2 de agosto de 1962, levou uma picada surpresa nos músculos do bumbum. Ficou inquieto por uns três minutos. O susto passou e a vida voltou ao sossego habitual. Ele não sabia, mas havia acabado de tomar uma injeção de benzetacil, usada no tratamento de infecções. Não estava doente, nem nada, era só um teste para ver como o animal reagiria a um medicamento intramuscular.

Tusko não sabia, mas esse seria apenas o prelúdio. Às oito da manhã do dia seguinte, Tusko levou outra injeção no mesmo lugar. Recebera, dessa vez, uma superdose de 297 miligramas de LSD diluída em 5 mililitros de água, direto nos músculos dos glúteos.

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Os efeitos do LSD, naquela época, intrigavam e interessavam a todos. A droga ainda era um mistério: parecia mudar a mente das pessoas. O governo americano queria descobrir como usá-la na guerra contra os soviéticos, porque tinha a expectativa de que pudesse ser uma ferramenta eficaz para lavagens cerebrais. Os EUA distribuíam dinheiro por meio da CIA e outros órgãos para custear os estudos comportamentais feitos com a droga. Os psiquiatras a cobiçavam por outro motivo: o ácido produzia modelos de psicose (levaria algum tempo ainda para descobrirem que não era bem isso). E, testado em animais em ambiente controlado, poderia ser útil para entender melhor essas doenças.

Foi por isso que Tusko acabou nas mãos dos médicos Louis Jolyon West e Chester Pierce, da Escola de Medicina da Universidade de Oklahoma. Uma particularidade dos elefantes, em especial, atraiu os dois. No cio, esses machos entram numa espécie de loucura. O animal não para quieto, corre freneticamente por duas semanas e pode agir de forma violenta. Dentro das primeiras 72 horas, um fluido marrom escorre pelos olhos e pelas glândulas temporais, localizadas entre os olhos e as orelhas. Se o LSD surtisse algum efeito psicótico em elefantes, pensavam os médicos, essa secreção começaria a sair. Seria a prova fatal dos efeitos do ácido. Warren Thomas, proprietário do zoológico, entrou em cena e ofereceu Tusko.

Para não errar na dose, eles chutaram alto: quase 0,1 mg/kg. Era bem mais que os 0,15 mg previstos por Albert Hofmann, pai do LSD, para deixar qualquer ser humano viajando por horas a fio – veja bem: é a dose total, não por quilo. A dose, em si, não parecia tão absurda quando comparada a outros estudos com animais. Gatos precisavam de uma dose de 0,15 mg/kg para ficar doidões. Macacos recebiam até mais: de 0,5 a 1 mg/kg. Mas havia um agravante: Tusko receberia uma injeção intramuscular de LSD, não seria uma dose engolida ou absorvida aos poucos pela pele. A loucura bateria imediatamente – e viria com tudo.

Foi um exagero. Tusko começou imediatamente a gritar e a correr atrás da própria tromba. Segundo os médicos, no começo a reação não era diferente daquela do dia anterior, com a medicação. Mas Tusko não parou. Só deixou de correr porque estava claramente sem coordenação. Judy, a elefante companheira de jaula, assustada, se aproximou para tentar apoiá-lo. Cinco minutos após a aplicação, Tusko caiu com tudo no chão. A língua ficou azul, os olhos se retorceram e as contrações começaram. Pareciam sinais de um derrame. Passaram-se 20 minutos e o elefante ainda agonizava. Os pesquisadores tentaram reverter o quadro com injeções de antipsicóticos. Nada adiantou. Tusko morreu às 9h40 asfixiado, com os músculos da garganta inchados, como mostraria a autópsia depois.

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