5 histórias que muitos assumem estar na Bíblia, mas não estão

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Publicado no Hypescience

Considerando o fato de que a Bíblia cristã é o livro mais popular da história da humanidade, é surpreendente o quão pouco as pessoas sabem sobre o que realmente está escrito nele.
Claro, é um texto complicado que foi compilado e traduzido para diferentes línguas ao longo de milhares de anos, de forma que sua interpretação às vezes é confusa. No entanto, um monte de histórias e personagens que todo mundo associa com a Bíblia não são exatamente verdadeiras. Elas foram distorcidas ou construídas pela cultura popular, ao invés de se basearem no verdadeiro conteúdo da obra. Como:

5. Sodoma e Gomorra foram destruídas por causa da homossexualidade de seus moradores

Se você perguntar a alguém para apontar uma parte da Bíblia onde Deus condena especificamente a homossexualidade, provavelmente a resposta será Gênesis 19, a história de Sodoma e Gomorra.

A história popular é que Deus destruiu essas duas cidades devido à homossexualidade desenfreada (é inclusive daí que vem a palavra “sodomia” como a conhecemos hoje), enviando dois anjos para extrair de lá apenas Ló, o único cidadão não gay, e sua família antes da ira descer na região.

O problema é que não há absolutamente nenhuma referência na Bíblia sobre qualquer pessoa em Sodoma ser gay. Mesmo que houvesse, essa nunca foi a razão para a ira de Deus. Se qualquer coisa, o maior pecado do povo de Sodoma foi que eles realmente odiavam gente de fora.

Na história, Deus envia dois anjos em forma humana para Sodoma para visitar a casa de Ló e informá-lo de que ele devia fazer as malas porque alguma coisa séria, estilo Antigo Testamento, estava programada para acontecer ali no dia seguinte. Isso porque o povo de Sodoma era “mau” e os seus pecados eram “graves” – nada mais específico do que isso. Mas quando os vizinhos de Ló viram que ele tinha visitantes de fora da cidade, reuniram suas tochas e foram mostrar aos estrangeiros sua incrível hospitalidade (eles faziam isso, aparentemente, batendo e estuprando).

É verdade que a turma de linchadores de Sodoma fez uma ameaça clara de estupro contra os visitantes (masculinos) de Ló. A citação da Bíblia, versão autorizada de King James em português, é: “Traze-os aqui fora para que tenhamos relações sexuais com eles!”. Em inglês, não é bem assim. Seria algo como “Traze-os aqui fora para que possamos conhecê-los”, muito embora, em discurso bíblico, “conhecer” alguém não significasse exatamente tomar um cafezinho juntos.

Muitos interpretam isso como evidência de quão louco o pessoal de Sodoma era por sexo gay. Só que fazer uma ameaça de estupro não torna uma pessoa gay. Na verdade, a torna um idiota violento (as prisões que o digam). Sem contar que essa linha é a única referência a qualquer tipo de atividade sexual em toda a história. Quando a Bíblia esclarece mais tarde o que Sodoma tinha feito para irritar Deus, o que é dito é que as pessoas de lá eram preguiçosas, arrogantes e pouco caridosas.

4. Os sete pecados capitais

Você provavelmente sabe quais são os “sete pecados capitais” por causa do filme Se7en, mesmo se nunca pôs os pés em uma igreja. Estes são supostamente os sete piores pecados que você pode cometer: gula, orgulho, luxúria, avareza, ira, preguiça e inveja.

Se você está folheando a Bíblia procurando por eles, esqueça. Eles não estão lá. Se alguém tivesse dito isso para o personagem de Kevin Spacey no início, ele teria economizado meses de trabalho.

Os sete pecados são muito amplos, englobando praticamente qualquer tipo de delito que você possa pensar. De fato, esse é exatamente o ponto – os sete pecados capitais não são uma lista de regras tiradas da Bíblia, como os Dez Mandamentos. Eles foram formulados pela Igreja Medieval como uma maneira fácil de classificar todos os pecados.
Ao invés de um guia ditado por Deus, eles eram mais como uma espécie de “compilação” feita para tornar as 10 bilhões de regras da Bíblia um pouco mais digeríveis para o público em geral, já que quase ninguém tinha uma cópia real do livro (aquela coisa dos livros não serem impressos e precisarem ser copiados a mão era realmente um problema na época).

Então, os pecados capitais foram ditados pela primeira vez no século VI pelo Papa Gregório I, cuja intenção era chegar a uma pequena lista de elementos básicos de coisas que geravam a ira de Deus. Logo, esses pecados fizeram a transição da mitologia obscura para cânone da Bíblia quando Dante escreveu seu poema épico “A Divina Comédia”, mais conhecido por seu popular capítulo “Inferno”. Ele é dividido em sete círculos com base nos sete pecados mortais. Esses sete círculos, é claro, também estão longe de serem encontrados na Bíblia.

3. Purgatório

Purgatório é supostamente o lugar para onde você vai se não é mau o suficiente para merecer o inferno, mas também não é santo o suficiente para ganhar uma cabaninha no céu. É como uma espécie de saguão de aeroporto em seu caminho para a salvação – se Deus não está bastante confiante de que você está carregando uma bomba cheia de pecado na sua mala, então você precisa passar pelo raio-X da justiça antes de embarcar para a felicidade eterna.

Na realidade, o purgatório não é algo que a Bíblia descreve literalmente; é mais algo que a doutrina católica sugere que deve existir a fim de resolver o problema de onde as pessoas vão depois que morrem, caso não tenham cumprido os requisitos de entrada no céu ou inferno.

Segundo a doutrina católica oficial, a existência do purgatório foi decidida durante o Concílio de Florença em 1431, porque a Bíblia não especifica seus termos de forma suficientemente clara (tipo, algumas pessoas decidiram que Deus não ficaria chateado se eles inventassem alguns detalhes para serem acrescentados no mundo que Ele criou).
Mas os teólogos logo descobriram um outro problema com a escritura: para onde os bebês vão quando morrem antes de terem a chance de ser batizados? E o que acontece com os justos que viveram e morreram antes de Jesus nascer?

Deus não seria tão cruel de mandá-los direto para o inferno, certo? Logo, vem o conceito de limbo, que, distinto do purgatório, é como uma cela temporária para as almas daqueles que mereciam ir para o céu, mas morreram antes da crucificação de Jesus ou eram demasiado ignorantes (por exemplo, bebês) para perceber que nasceram no pecado.
E dado que os conceitos de purgatório e limbo foram inventados depois que a Bíblia foi escrita, nunca entraram no discurso popular até Dante escrever sobre eles. É, parece que a galera gosta mais de espalhar a palavra de Dante que de Jesus.

2. A prostituta Maria Madalena

Maria Madalena é uma das personagens femininas mais famosas da Bíblia. O que a maioria das pessoas pensa é que ela foi discípula de Jesus (ofuscada por 12 caras muito mais famosos), que foi uma prostituta a quem Jesus perdoou, e que depois passou a segui-lo, lavando seus pés e se redimindo de uma vida de pecado. Alguns especulam que ela era a favorita de Cristo, levando a teorias da conspiração sobre a igreja ter encobrido o fato de que eles se casaram.

A realidade, no entanto, é que a Bíblia não fala quase nada sobre ela. Claro, Maria Madalena aparece nos Evangelhos como uma discípula de Jesus, mas é basicamente só isso. Ela não era uma prostituta e não era a única mulher em sua comitiva – outras mencionadas são Joana, mulher de Cuza e alguém chamada Susana.

Basicamente, os mitos que cercam a vida de Madalena surgiram quando as pessoas começaram a confundi-la com outras pessoas, por conta do fato de que há demasiadas mulheres na Bíblia chamadas Maria. Na verdade, existem dois outros personagens que foram consideradas “Maria Madalena” apenas por compartilhar o que foi provavelmente o nome mais popular da era – Maria de Betânia, irmã de Lázaro, que cozinhou um jantar para Jesus porque parecia a coisa certa a fazer depois que ele ressuscitou seu irmão, e uma mulher “que viveu uma vida de pecado”, que pode ou não ter sido chamada Maria também.

Ambas essas outras Marias cumprimentam Jesus jogando perfume em seus pés e limpando-o com seus cabelos, o que aparentemente era apenas uma coisa normal na época (ninguém na história parece pensar que isso é estranho). Mas a Igreja Católica medieval presumivelmente decidiu que tinha muitos personagens na Bíblia e que as pessoas iriam confundir todas essas Marias, lançando um decreto oficial que todas as três mulheres eram a mesma pessoa.
A igreja voltou atrás dessa alegação em 1969, mas como a maioria das pessoas não acompanha as minúcias do dogma católico, o mito é que Maria Madalena é a única tal “mulher pecadora” que limpou os pés de Jesus com seus cabelos. Aliás, a Bíblia não especifica que seu “pecado” significa que ela era uma prostituta. No entanto, as pessoas imediatamente terem assumido isso diz muito sobre a nossa sociedade.

1. Satanás provavelmente não é uma pessoa só

Esse é um tópico de muita controvérsia – segundo a tradição cristã tradicional, Satanás foi um dos primeiros anjos e originalmente um dos favoritos de Deus, até que se rebelou e foi expulso para a Terra, onde se tornou o príncipe das trevas e o principal antagonista do bem. Mesmo que você não seja muito religioso, provavelmente supõe que esse cara tem um papel significativo na Bíblia.

Não é bem assim. Primeiro de tudo, a maioria das referências da Bíblia ao ser que pensamos como Satanás na verdade provavelmente referem-se a entidades completamente diferentes. Não é tudo uma criatura só. Por exemplo, a serpente no Jardim do Éden que convenceu Eva a comer do fruto proibido era provavelmente apenas uma serpente falante ao invés de um demônio que muda de forma, como evidenciado por Deus amaldiçoando-o a rastejar em sua barriga pela eternidade.

Mais tarde, no Antigo Testamento, a palavra “Satanás” é apenas usada para significar “adversário”, da maneira que “anticristo” foi usado para se referir a qualquer um que odiava os cristãos.

O mais estranho de tudo é que, em uma das poucas vezes que Satanás realmente aparece com um papel na Bíblia, ele é descrito como uma espécie de conselheiro de Deus. Na história de Jó, Satanás é um dos muitos anjos que frequentam o tribunal de Deus no reino celestial. Jó é o humano favorito de Deus devido ao seu senso de justiça, mas Satanás sugere que talvez ele não seria tão justo se Deus tirasse sua riqueza e família. Deus decide que Satanás tem um bom argumento e que seu conselho é uma boa ideia, seguindo-o.

Também parece que se referir ao diabo como Lúcifer foi apenas um erro, um simples mal-entendido – o autor de Isaías 14 tirou esse nome de um rei babilônico, comparando-o a descida do planeta Vênus (que se traduz aproximadamente a “brilhante estrela da manhã”). Tradutores posteriores depois decidiram que essa era uma referência a tal da única criatura demoníaca por trás de todo o mal.

Finalmente, o personagem de Satanás como o general em uma grande batalha contra Deus, que aparece no livro do Apocalipse, é uma das únicas vezes em que uma descrição física é feita de tal indivíduo. (Caso você não saiba, as versões do diabo com rabo, chifre, tridente, pele vermelha, são todas invenções da cultura pop). E o que é falado desse Satanás? Que ele é um dragão. Diversas vezes, aliás. Uma delas é a citação: “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos” Apocalipse 20:2. [Cracked]

Comentários

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3 Comentários

  1. Paulo brasil disse:

    As muitas letras te fazem delirar. Ouviu alguém falar e, desconhecimento, fez observações legítimas e outras com pouco ou sem nenhum fundamento.
    Doutra vez submeta a outros especialistas antes de tornar público.
    Pois, além do sucesso desejado, traria informação para os leitores

  2. Amigo, que loucura! Muita coisa que escreveu não faz sentido. Já começa com Sodoma e Gomorra X Homossexualidade?! Se na sua igreja falam isso, corre de lá!

    Não gosto de discutir religião. Mas, isso que você escreveu saiu
    muito fora. Satanás, não é uma pessoa. Não mesmo!

    A Bíblia ao qual conhecemos hoje, demorou aproximadamente 1.500 anos para ser “oficializada”. Diversos Canôns, foram realizados para incluir ou excluir textos do Cristianismo. Então, existe a mão do homem ali, bem como sua vontade. Com certeza a vontade do Pai prevaleceu, mas, a do homem também. Vou te dar um exemplo: Pra quem estuda os textos canônicos e não só os da Bíblia, sabe que Jesus esteve conosco (na terra) e os fatos mostram sua origem Divina. Mas, mostram também que as mulheres tiveram sua relevância diminuída na Bíblia. Ele muito provavelmente foi casado, pois, se não o fosse nem teria o direito de falar nas Sinagogas e não seria considerado um homem sério. Então, se Ele foi casado ou não, que diferença isso faz?! Pra quem é bitolado, faz muita, porque casamento tem sexo, tem filhos, não é?! E por causa dessa exclusão, as mulheres ficaram sempre em segundo plano. Muitas partes e Evangelhos que falavam de forma a enaltecer as mulheres que circundavam Jesus, foram retirados da Bíblia. Acha que o Evangelho de Mateus por exemplo está completo? Engano… Quem afirmou que o Evangelho de Felipe ou de Tomé (por exemplo) era Apócrifo? Bispos, Papas, Reis e estudiosos…

    Isso foi ruim pra mulher. Hoje em dia você ainda deve conhecer muitas mulheres submissas e outras que não saber aproveitar a liberdade que tem.

    Precisamos conhecer Deus e praticar seus ensinamentos, mas, não levar tudo ao pé da letra. Fazer o bem, resistir às tentações, amar e respeitar o próximo, são atos que agradam muito a Deus. Amar a Deus é simples! As Religiões (Homem buscando a Deus), ajudam, mas, se não tiverem bons líderes, complicam.

  3. The Crow disse:

    como faço pra “desver” este monte de esterco???

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