‘Tá tranquilo, tá favorável’: MC Bin Laden diz buscar ‘loucura’ em vídeos

Conheça o MC do hit com clipes bizarros e dancinha que conquistou Neymar.
Evangélico, ‘Bin Laden do bem’ parou de exaltar drogas após amigo morrer.

MC Bin Laden apresenta refrão de 'Tá tranquilo, tá favorável' com cartazes à la Bob Dylan, em laje da Zona Sul de São Paulo. No fundo estão seus dois 'assistentes', Saddam e Salahim (foto: Rodrigo Ortega / G1)

MC Bin Laden apresenta refrão de ‘Tá tranquilo, tá favorável’ com cartazes à la Bob Dylan, em laje da Zona Sul de São Paulo. No fundo estão seus dois ‘assistentes’, Saddam e Salahim (foto: Rodrigo Ortega / G1)

Rodrigo Ortega, no G1

Bin Laden é o alvo, mas quem recebe o G1 na laje de uma casa da Zona Sul de SP são dois homens encapuzados: Saddam e Salahim. Os dois dançarinos participam de shows do MC Bin Laden, mas não revelam o rosto ou os nomes reais. “Tem que fingir que é de outro país mesmo. Deixar o povo com medo ‘de nóis’, mas sem fazer nada. É tipo um teatro”, explica Saddam.

O estouro atual do chefe com o funk “Tá tranquilo, tá favorável” faz o trabalho de guarda-costas terrorista de mentira render dinheiro de verdade. “Tá valendo mais”, celebra Salahim. A dancinha do hit foi adotada até pelo ídolo do MC santista, Neymar, após fazer o gol que fechou a vitória do Barcelona por 6 a 1 sobre o Celta de Vigo, na Espanha neste domingo (13).

Em seguida chega o líder, Jefferson Cristian dos Santos de Lima, 22 anos, ex-vendedor na rua 25 de Março, hoje (muito) mais conhecido pelo nome de guerra. “Bin Laden não morreu”, seu primeiro funk de destaque, gerou o nome artístico “de impacto” roubado do terrorista saudita.  Nos shows teatrais, o objetivo é fazer do baile “um Afeganistão”. Mas ele garante que é tudo brincadeira e não há apologia à violência: “Se já existiu um Bin Laden ruim, hoje tem o Bin Laden bom”, diz o jovem evangélico.

Antes de “Tá tranquilo, tá favorável”, ele já brilhava no funk de SP com músicas viciantes e clipes surreais. Em “O passinho do faraó”, Afeganistão vira Egito e MC Brinquedo, colega da produtora KL, aparece de imperador romano. “Lança de coco” é um dos funks sobre drogas – tema que ele diz ter abandonado após a morte por overdose de um amigo. “Bololo haha” conquistou os maiores nomes da música eletrônica dos EUA, Skrillex e Diplo, dupla que reinventou o som de Justin Bieber. Diplo levou Bin Laden ao estúdio em 2015 e disse que ele era “incrível”.

Mas foi só no fim do ano passado que o “Bin Laden bom” virou fenômeno além da cena funk. “Tá tranquilo, tá favorável”, com uma letra meio ostentação, meio zoação, ganhou um clipe e vídeos extraoficiais feitos pelo próprio Bin Laden e seus amigos. Eles criam arranjos à capela enquanto Bin Laden mostra a farta pança e a coreografia com “hang loose” inspirado no jogador Ronaldinho. (Talvez Saddam e Salahim figurem à paisana nesses vídeos, talvez não – eles pedem segredo).

“Essa é nossa originalidade, nosso talento. Além de cantar só dentro de um estúdio [podemos usar] a câmera de um celular e colocar amigos para se divertir. O objetivo é ter “ideias diariamente para fazer coisas muito loucas”. “Novidades vão vir”, provoca. Imagens surreais como a do amigo de máscara de Shrek atacando uma banca de banana na estrada no vídeo oficial não são para explicar – apenas sentir. “É loucura nossa. Não é para entender mesmo”. Só o clipe oficial tem quase 20 milhões de views no YouTube.

Bin Laden é o alvo, mas quem recebe o G1 na laje de uma casa da Zona Sul de SP são dois homens encapuzados: Saddam e Salahim. Os dois dançarinos participam de shows do MC Bin Laden, mas não revelam o rosto ou os nomes reais. “Tem que fingir que é de outro país mesmo. Deixar o povo com medo ‘de nóis’, mas sem fazer nada. É tipo um teatro”, explica Saddam.

O estouro atual do chefe com o funk “Tá tranquilo, tá favorável” faz o trabalho de guarda-costas terrorista de mentira render dinheiro de verdade. “Tá valendo mais”, celebra Salahim. A dancinha do hit foi adotada até pelo ídolo do MC santista, Neymar, após fazer o gol que fechou a vitória do Barcelona por 6 a 1 sobre o Celta de Vigo, na Espanha neste domingo (13).

Em seguida chega o líder, Jefferson Cristian dos Santos de Lima, 22 anos, ex-vendedor na rua 25 de Março, hoje (muito) mais conhecido pelo nome de guerra. “Bin Laden não morreu”, seu primeiro funk de destaque, gerou o nome artístico “de impacto” roubado do terrorista saudita.  Nos shows teatrais, o objetivo é fazer do baile “um Afeganistão”. Mas ele garante que é tudo brincadeira e não há apologia à violência: “Se já existiu um Bin Laden ruim, hoje tem o Bin Laden bom”, diz o jovem evangélico.

Antes de “Tá tranquilo, tá favorável”, ele já brilhava no funk de SP com músicas viciantes e clipes surreais. Em “O passinho do faraó”, Afeganistão vira Egito e MC Brinquedo, colega da produtora KL, aparece de imperador romano. “Lança de coco” é um dos funks sobre drogas – tema que ele diz ter abandonado após a morte por overdose de um amigo. “Bololo haha” conquistou os maiores nomes da música eletrônica dos EUA, Skrillex e Diplo, dupla que reinventou o som de Justin Bieber. Diplo levou Bin Laden ao estúdio em 2015 e disse que ele era “incrível”.

Mas foi só no fim do ano passado que o “Bin Laden bom” virou fenômeno além da cena funk. “Tá tranquilo, tá favorável”, com uma letra meio ostentação, meio zoação, ganhou um clipe e vídeos extraoficiais feitos pelo próprio Bin Laden e seus amigos. Eles criam arranjos à capela enquanto Bin Laden mostra a farta pança e a coreografia com “hang loose” inspirado no jogador Ronaldinho. (Talvez Saddam e Salahim figurem à paisana nesses vídeos, talvez não – eles pedem segredo).

“Essa é nossa originalidade, nosso talento. Além de cantar só dentro de um estúdio [podemos usar] a câmera de um celular e colocar amigos para se divertir. O objetivo é ter “ideias diariamente para fazer coisas muito loucas”. “Novidades vão vir”, provoca. Imagens surreais como a do amigo de máscara de Shrek atacando uma banca de banana na estrada no vídeo oficial não são para explicar – apenas sentir. “É loucura nossa. Não é para entender mesmo”. Só o clipe oficial tem quase 20 milhões de views no YouTube.

Bin Laden veio de família pobre, na Zona Leste de SP, e conta que o pai era viciado em jogos. A barriga que motiva piadas na web tem outro significado para ele. O MC conta com orgulho do encontro recente com outro Mc. “Foi só há um ano e meio que comi meu primeiro McDonald’s”, diz. “Eu passava fome. Depois que eu ganhei uma condição melhor eu comi tudo o que tinha vontade.” Hoje, Bin Laden “não tem vergonha” de mostrar a barriga.

O músico liga o jeito tranquilo e autoirônico com a religião, algo que pouca gente associaria o funk. “Eu gosto muito de igreja evangélica, vou muito”, conta. “Ela me faz caminhar com pé no chão, com humildade”. Ir à Igreja entre um baile funk e outro, segundo Bin Laden, o ajuda a “usufruir do status, da fama do dinheiro sem deixar de sempre lembrar de onde eu vim”.

MC Bin Laden ao lado de seus 'ajudantes' Saddam e Salahim, na laje da casa da produtora KL, em São Paulo (foto: Rodrigo Ortega / G1)

MC Bin Laden ao lado de seus ‘ajudantes’ Saddam e Salahim, na laje da casa da produtora KL, em São Paulo (foto: Rodrigo Ortega / G1)

Morte de amigo
O status de “funkeiro evangélico” fica mais fácil de explicar depois que ele parou de fazer músicas sobre maconha e lança-perfume, a droga mais comum no funk paulista. Um dos motivos para a decisão, segundo ele, foi a morte de um amigo. “Era irmão de consideração. Teve um problema e infelizmente veio a falecer.” Ele diz que o amigo morreu por overdose de “lança e pó”. “Além dele, outras pessoas continuam a passar mal. Se um dia eu falei sobre o estado do lança, como era bom, um dia vou falar do lado ruim”, promete.

Hoje Bin Laden tem casa própria e dá ao irmão mais novo, de 12 anos, videogames, celular, tênis: “tudo que ele pode ter e eu não podia”. Ele conta que tem apoio da Nike para usar e divulgar produtos da marca. O G1 procurou a assessoria da Nike para confirmar e detalhar o apoio, mas ainda não teve retorno.

Ele se empolga ao falar de um 2016 favorável, que inclui reality show na web para encontrar o novo ídolo do funk da KL e um novo estúdio sendo construído na casa da produtora. O músico que conseguiu virar fenômeno com vídeos caseiros e instrumental no gogó fala com os olhos brilhando sobre os novos brinquedos: “Vai ter guitarra, bateria, banda completa”.

MC Bin Laden (foto: Reprodução / Facebook do cantor)

MC Bin Laden (foto: Reprodução / Facebook do cantor)

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