Metade do planeta vai precisar de óculos até 2050

publicado no Motherboard

Lá pelo ano 2050, metade do planeta vai sofrer de vista curta – ou, como os médicos preferem, de algum grau de miopia. Não só: um quinto dessas pessoas terá risco maior de sofrer de cegueira total e permanente de acordo com estudo do Instituto da Visão Brien Holden publicado na última sexta-feira na revista Ophthalmology.

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No relato, autores observam que a onda de pessoas que se esforçam para enxergar longe aumentará cinco vezes a incidência de miopia em comparação aos anos 2000 e se tornará um grande problema de saúde pública.

O aumento estrondoso dos míopes não é novidade. Metade dos adultos dos Estados Unidos e da Europa sofre de algum grau de miopia (o dobro em 50 anos); na China, 96% dos jovens do sexo masculino de 19 anos têm miopia (aumento de 10 a 20% em 60 anos). Ano passado, pesquisadores calcularam que um terço da população do planeta será míope até o fim da década.

O novo estudo, porém, se apresenta como o mais completo: oferece uma revisão sistemática da prevalência de miopia e da miopia muito alta utilizando dados publicados desde 1995. Um total de 1656 artigos sobre miopia e 2632 artigos sobre erros refrativos (a classe geral de problemas na visão da qual a miopia é parte) foram localizados e analisados. Juntos, eles oferecem uma visão em alta resolução do boom da miopia global nos tempos modernos. É um cenário ruim, mas que, se analisarmos de perto, pode ser mudado.

A rotina da maioria das pessoas, sabemos, não é muito boa para a saúde ocular. Há, pelo mundo, muitas pessoas que passam horas de olhos grudados nas telas e tantas outras que não ficam tempo suficiente ao ar livre. Esses dois fatores, afirmam os cientistas, são os principais no aumento da incidência de míopes. “Considera-se amplamente que o aumento projetado para a miopia e a alta miopia ocorra por meio de fatores ambientais (externos), principalmente mudanças no estilo de vida como resultado de uma combinação da diminuição de tempo passado ao ar livre e aumento de atividades semelhantes ao trabalho, dentre outros fatores”, relatam os autores.

Há, além disso, uma preocupação especial com países como a China, Taiwan e Singapura. Segundo o estudo, os “sistemas educacionais desses países pressionam demais os alunos desde os anos iniciais da escola”. “Isso pode resultar numa mudança no estilo de vida, assim juntamente com o uso excessivo de dispositivos eletrônicos”, concluíram.

É um assunto delicado. Ao mesmo tempo em que a tecnologia nos oferece, ela tira. Eu mesmo comecei a usar óculos recentemente por causa de uma miopia leve e recente e, caras, eu passo muito tempo na frente de uma tela. Mas também passo um bom tempo lá fora, ao ar livre, na luz natural, o que é uma coisa boa, então pode ser que venha a piorar.

De acordo com a Nature News, Ian Morgan, pesquisador de miopia na Universidade Nacional da Austrália, estimou que as crianças precisam passar cerca de três horas por dia sob níveis de luz de pelo menos 10.000 lux para se proteger da miopia. É quase o nível experimentado por uma pessoa na sombra em um dia de verão enquanto usa óculos de sol. Um estudo de 2013, entretanto, descobriu que estudantes de Taiwan solicitados a passar seu intervalo de 80 minutos ao ar livre em vez de dentro das salas tiveram uma incidência de miopia de 8% em comparação com os 18% de uma escola vizinha. Em outras palavras, é um problema que pode ser facilmente resolvido.

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