São Paulo não precisa de mais uma igreja

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Osmar Guerra, no Medium

São Paulo não precisa da Hillsong. Aliás, não precisa de mais nenhuma igreja. Acredito que as igrejas precisam mais de São Paulo. Explico!

Antes de tudo, porém, é preciso dizer que sou evangélico, participo de uma igreja “descolada” e o dedo que aponta pra lá, em riste volta pra cá, direto pra minha cara, ok?

Em recente reportagem da BBC Brasil, a liderança da Hillsong conta que tem procurado incessantemente por um lugar bacana, moderno e bem localizado pra se instalar por aqui. Se possível um teatro, pra que seja preparado para o padrão de qualidade dos cultos da igreja australiana.

Pra quem não conhece, a Hillsong é uma igreja australiana que ficou conhecida mundialmente pela embalagem moderna que dá a seus cultos e celebrações. A música da Hillsong vendeu milhões de cópias, ganhou prêmios internacionais e suas celebrações não perdem em nada para um show do U2, por exemplo. É a igreja que conseguiu “converter” o Justin Bieber.

Na reportagem da BBC, os caras contam que investem pesado nesta “cara jovem” e nesta linha fina entre religião e entretenimento, justamente para alcançar os jovens e fisga-los pra Jesus.

O uso de ferramentas do marketing, design, urban art, show business e publicidade não é exclusivo do pessoal da Hillsong. Cada vez mais as igrejas tem investido em seus departamentos de comunicação e marketing e dado uma cara mais pop e descolada a seus cultos e identidades visuais. Nunca antes vimos tanta preocupação com figurino, luz, jeito de falar, mídia e internet.

São Paulo não precisa de uma igreja que alimente nossos sentidos e nos traga diversão e arte de forma mais barata. Aposto com você que uma igreja assim trará pra suas fileiras gente cansada da marca de sempre e que esteja procurando uma nova marca pra usar. Gente que cansou de McDonald’s e adorou a chegada do Burger King.

Ser relevante pra São Paulo não é de jeito nenhum transformar um teatro num lugar de entretenimento com discurso religioso. Aliás, a igreja já desativou muito teatro e cinema. Quer ver um show? tem inúmeras opções na Vejinha. Quer consumir arte? Ajude a recuperar o MASP, vai numa exposição dos gêmeos. Quer dançar? Já entendeu né?

Quer servir a cidade? Monta aí uma igreja que se reúne a cada domingo numa unidade da Fundação Casa, numa favela da periferia ou na casa de uma adolescente grávida abandonada e sem perspectiva de futuro. Quer impactar a São Paulo? Monta aí um escola de alfabetização de adultos, pega o dinheiro do arquiteto da moda que vai assinar o projeto e constrói casas populares. Sai daí do mundinho gostoso da música boa e do estacionamento fácil, da lógica shopping center e bota a mão na merda!

A igreja precisa mais de São Paulo. As necessidades da cidade precisam gritar alto nos ouvidos dos descolados do show. A igreja precisa sair do banco e ir varrer a Cracolândia. Apagar a luz do palco e acender a luz no barraco escuro. Tirar a camisa de marca e vestir a criança de rua. Abaixar o som da guitarra e aumentar os sons que incomodam e nos tiram do lugar confortável.

Comentários

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3 Comentários

  1. Anderson disse:

    Todos sabem o que devem fazer, mas poucos estão fazendo e/ou tem a disposição para tal e, neste caso, fazer significa obedecer o Mestre.
    Desconfio que quem não quer mais uma igreja esteja com medo da concorrência!!!
    Tomara que eu esteja errado!!!

  2. Raphael disse:

    Excelente post! Concordo com tudo em número, gênero e grau!

  3. Artur Lima disse:

    Eu não discordo do ponto de vista do autor deste texto, mas honestamente amigos, vai ser mais uma igreja-show em São Paulo, já tem tantas né,o próprio Bola de neve é assim, a Renascer ja foi assim , mas amadureceu para atrair um publico mais maduro e abastado, enfim nada de novo debaixo do sol

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