Esta história vai fazer você pensar duas vezes antes de destilar seu ódio na internet

publicado no Administradores

As redes sociais são, sem dúvidas, um dos melhores canais de divulgação de um trabalho independente. Em grupos, você pode mostrar o que faz de melhor, atrair novos clientes e até financiadores. No entanto, esse espaço de divulgação também é um espaço de críticas. Enquanto algumas delas são construtivas, outras são apenas ofensivas. E talvez, em menor ou maior grau, você já tenha embarcado numa dessas ondas. Afinal, quem não lembra, por exemplo, do bolo da Frozen que virou meme mundial?

A verdade, no entanto, é que a gente às vezes se soma ao coro da crítica ou da chacota sem avaliar as consequências e, principalmente, sem saber o que há por trás daquela informação superficial que passou no feed do Facebook. E destilar ódio, ultimamente, parece ser o esporte preferido de que acessa a internet.

noticia_109071

O jovem designer gráfico Renato Nicacio descobriu há alguns dias como é estar do lado apedrejado. Ele publicou em um dos grupos mais populares do Facebook para artistas de sua área um logo que desenvolveu para uma distribuidora de água e pediu a opinião dos colegas. As reações foram basicamente ofensas, sem nenhuma contribuição verdadeiramente construtiva, conforme relata outro designer, Bruno Medeiros, que viu a postagem e compartilhou o caso no Facebook.

O que quase ninguém ali naquela cena de intolerância gratuita sabia era que Renato é, na verdade, um grande exemplo de superação. Ele tem paralisia cerebral e cria suas artes com uma escova de dentes presa na boca (inclusive aquela que foi alvo dos xingamentos). De acordo com a mãe do jovem, Regina Ribeiro, ele começou a desenhar ainda na infância com a ajuda da AACD. Tentou fazer cursos, mas nunca conseguiu vaga, devido à deficiência que porta. Ele resolveu, então, aprender sozinho.

O caso de Renato é mais um dos que nos fazem refletir sobre como criticamos nas redes sociais. A impessoalidade da internet nos faz tecer comentários sem pensar no impacto que ele poderá causar e também sem termos conhecimento, muitas vezes, do que há por trás de uma informação superficial que chega até nós.

O fato de Renato ter uma deficiência nos obriga a flexibilizar os critérios de análise artística do que ele faz? Não, de forma alguma. Ele é um profissional como qualquer outro. Se o dono da distribuidora de água que o contratou não gostar do logo, ele tem todo direito de solicitar os ajustes que quiser, opinar e pedir para refazer. Mas ninguém precisa fazer isso com pedras nas mãos.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Esta história vai fazer você pensar duas vezes antes de destilar seu ódio na internet

Deixe o seu comentário