Movimento virtual homenageia mulheres que foram torturadas na ditadura

Reprodução: Facebook

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Isabela Moreira, na Galileu

No último domingo (17), ocorreu a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Durante a sessão, que foi conduzida pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, cada parlamentar teve dez segundos para anunciar se era a favor ou contra o impeachment.

Os deputados usaram esse tempo para lembrar de amigos, familiares, cidades de origem e para ressaltar suas crenças religiosas. Já o deputado Jair Bolsonaro (PSC – RJ), que é conhecido por realizar declarações homofóbicas e machistas, foi além: “Em memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra”, anunciou o parlamentar antes de declarar seu voto a favor do impeachment.

O coronel em questão foi um dos mais temidos da ditadura militar. Entre 1970 e 1974, Ustra foi chefe do Destacamento de Operações Internas (DOI-CODI), em São Paulo, onde ficavam encarcerados e eram torturados os opositores do regime.

A declaração de Bolsonaro não foi à toa. Também na década de 70, a presidente Dilma passou cerca de três anos presa, durante os quais foi torturada. Para relembrar esse período da história do Brasil e as diversas mulheres que lutaram e morreram pela democracia, a página “As Mina na História” criou o movimento “Troque a foto do perfil: Em Memória Delas“.

A página foi criada por Sigrid Ortega em 2015 com o objetivo de “resgatar a memória e o trabalho de mulheres que transformaram o mundo, e ainda assim acabaram apagadas da História“. Nos últimos dias “As Mina na História” tem se dedicado exclusivamente a lembrar brasileiras que foram presas, torturadas e mortas durante o período da ditadura.

Não importa o seu partido, nem se você é a favor ou contra o impeachment. Não podemos permitir que um estuprador seja citado como herói”, diz a página. “Carlos Alberto Brilhante Ustra entrou para a história do Brasil como um dos militares mais rígidos e temidos da ditadura, de 1964 a 1985. Ele estuprou e matou mulheres. Uma de suas práticas era a de inserir ratos em suas vaginas.”

A página pede ainda que as internautas troquem suas fotos de perfil pela das mulheres lembradas e utilizem a hashtag #emmemóriadelas. “Para que a história da ditadura jamais se repita. Conheça a “As Mina na História” clicando aqui.

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