Para bancar casamento, casal vende bombons em semáforo de São Paulo

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Publicado na Folha de S. Paulo

Priscila Miranda, 25, só vai se casar no dia 7 de setembro, mas pode ser vista vestida de noiva todo final de semana em um cruzamento da avenida Henrique Chamma, no Itaim Bibi, perto do parque do Povo, na zona oeste da capital.

Há dois meses, ela e o noivo, Jefferson Tiago, 30, vendem doces no semáforo para bancar o casamento para 200 convidados, orçado em R$ 20 mil.

Ela usa um véu branco e ele, gravata preta. Nas mãos de Priscila, uma lousinha anuncia a contagem regressiva: “Faltam 122 dias”. Ao lado dela, Tiago caminha com um balde cheio de bombons Sonho de Valsa (R$ 2) e pacotes de bala (R$ 3).

“Desde que começamos a nos caracterizar, a reação das pessoas tem sido muito emocionante. Algumas já vão oferecendo dinheiro antes mesmo de saber o que a gente está vendendo”, conta Priscila.

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O casal também tem recebido muitos desejos de boa sorte, abraços e lágrimas. “Ontem, duas garotinhas me abraçaram tão forte que até perdi o ar. As meninas adoram me ver de noiva, acham que sou uma princesa.”

Seis meses atrás, antes da ideia dos docinhos, o casal já tentava complementar a renda vendendo água de coco perto do parque. Porém, como “o rapa começou a embaçar”, reformularam a estratégia e substituíram o coco pelos bombons —menores e sem necessidade de refrigeração.

A paquera entre Tiago e Priscila começou há três anos, bem perto de onde eles hoje vendem doces. Priscila trabalhava como projetista na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini e todos os dias comprava seu café da manhã na barraca de Tiago, onde ele trabalha até hoje, vendendo pastéis.

Namorados, dividiram um quartinho numa pensão da região e hoje vivem com o pai de Priscila, no Grajaú (zona sul), onde planejam construir uma casa no terreno.

Na próxima semana, os dois estarão na rua de novo: ainda faltam R$ 8.000 para liquidar os custos da festa.

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