A novinha é apenas uma criança

Graças a uma série de casos de grande repercussão, o fenômeno da erotização de meninas começa a ser problematizado pela ciência

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Isabela Moreira, na Galileu

Um levantamento realizado pelo Pornhub mostra que “teen” (adolescente, em inglês) é um dos termos mais procurados no mundo na hora de assistir pornografia na internet — vídeos que contam ora com atrizes muito novas, ora com mulheres mais velhas imitando o comportamento infantojuvenil.

Fora das telas mecanismos parecidos acontecem: versões menores das roupas de adultas são fabricadas para meninas pequenas que, antes mesmo de desenvolverem suas próprias identidades, entendem que só terão valor perante à sociedade quando estiverem dentro de uma série de padrões de beleza e sensualidade impossíveis de serem atingidos.

Como consequência, a autoestima das meninas diminui, ao passo que o número de assédios — o primeiro assédio ocorre aos 9,7 anos, segundo o coletivo Think Olga — e abusos sexuais aumentam — de acordo com o IPEA, mais da metade dos estupros registrados no Brasil são de crianças, em sua maioria, meninas.

Por muito tempo, a erotização de crianças foi vista como normal. Cercado de câmeras no Big Brother Brasil 16, o participante Laércio de Moura, 53, não se constrangeu em dizer que preferia se relacionar com meninas mais jovens, “na faixa dos 17, 18 e 20 anos”. Nas redes sociais, ele também já tinha dito que era “efebófilo”, alguém que sente atração sexual por adolescentes. Fora da casa, porém, a repercussão da fala levou a uma investigação e, em maio, ele foi preso acusado de estupro de vulnerável.

Mas o episódio é exceção no país. Foi só recentemente que o assunto começou a ser pesquisado e problematizado.

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