Ato em Copacabana usa roupas sujas de ‘sangue’ contra violência sexual

Varal com 33 peças pintadas de vermelho repudia estupro coletivo de adolescente

Peças pintadas representando sangue foram estendidas em varal na Avenida Atlântica (foto: Fernando Lemos / Agência O Globo)

Peças pintadas representando sangue foram estendidas em varal na Avenida Atlântica (foto: Fernando Lemos / Agência O Globo)

Mayara Mendes, em O Globo

Em frente ao Copacabana Palace, entre os que passeiam pelo calçadão neste sábado, uma intervenção choca e atrai olhares atentos. Um varal com 33 peças de roupas femininas manchadas de “sangue” fincado na areia repudia a violência sexual contra a mulher e o estupro coletivo da adolescente de 16 anos por mais de 30 homens em uma comunidade da Praça Seca. A iniciativa é da Ong “Somos todos vítimas”, da Comunidade Evangélica Marca de Cristo, na Penha.

O líder da ong, Leonardo Apicelo, conta que a instituição é um movimento de direitos humanos que lida principalmente com a recuperação de dependentes químicos. A questão da violência contra a mulher, entretanto, é recorrente nos locais em que atuam:

— Por trabalhar com pessoas carentes, em risco social, nós já observamos essa realidade no dia a dia. Aquilo que as pesquisas dizem, nós percebemos no cotidiano. Quando surge um caso como o dessa adolescente, é a chance de gritarmos e fazermos com que essa situação venha à tona, porque, na maioria das vezes, fica debaixo do tapete da hipocrisia — diz.

Além do varal, os ativistas escreveram frases em cartolinas como “A culpa é da vítima?” e “Por amor, não me estupre”. Eles também distribuíram rosas para mulheres junto com a pergunta “Mulher merece o que?”.

A teleoperadora Gilmeire Jesus, de 43, era uma das que participavam da intervenção. Gilmeire, que já sofreu violência sexual, repudiou o ocorrido contra a adolescente:

— Não podemos deixar impune de maneira nenhuma o que aconteceu com essa garota. Por também ser uma vítima de violência, eu resolvi me juntar ao ato para que isso não fique mais às escondidas. Temos que conscientizar para que as pessoas tenham coragem de denunciar — diz Gilmeire.

Para a jornalista Ana Paula Jung, de 47, a iniciativa é positiva por compartilhar o fim da violência sexual.

— Eu achei bem impactante. Estava passando distraída e chamou a minha atenção. Quando há uma manifestação, as pessoas começam a fotografar, compartilhar nas redes sociais e criam cada vez mais engajamento — opina.

Já a aposentada Rosari Santos demonstrou indignação com o caso. A moradora do bairro também acredita que atos como o de hoje ajudam a encorajar as vítimas:

— A maldade humana está levando tudo para o fundo poço. A mulher é digna de respeito. Essa campanha é muito importante para que elas denunciem e os casos sejam apuradas — aponta.

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