Pesquisa mostra que ansiedade atinge sete a cada 10 brasileiros

Destes, porém, quatro sofrem de ansiedade patológica, aquela considerada doença e que prejudica diretamente a vida

 Pesquisa mostra que ‘doença do século’ atinge sete a cada 10 brasileiros (foto: Reprodução Internet)


Pesquisa mostra que ‘doença do século’ atinge sete a cada 10 brasileiros
(foto: Reprodução Internet)

Publicado em O Dia Online

Aquele friozinho na barriga antes de uma entrevista de emprego ou de algum evento importante é um sintoma comum da ansiedade, problema que atormenta a vida de sete a cada dez brasileiros, de acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom). Desses sete, porém, quatro sofrem de ansiedade patológica, aquela considerada doença e que prejudica diretamente a vida da pessoa, a ponto de ela deixar de ir a um lugar. Além dos danos à integridade psicológica, a patologia pode carregar consigo sintomas como alergias, herpes, gastrite e queda de cabelo, para citar apenas alguns.

A gerente administrativa Maria Beatriz Santos, de 44 anos, conta que sempre sofreu de estresse e ansiedade, mas nos últimos tempos, por causa da forte tensão causada por problemas financeiros e o medo de ser demitida, os sintomas se agravaram. Há duas semanas, ela foi parar numa emergência, com forte dor no peito e falta de ar. Achava que estava à beira de um ataque cardíaco. Após examinar pulso e batimentos, o médico deu o veredicto: transtorno de ansiedade.

Nem tudo está perdido. Existem várias formas de lidar com a doença, muito além dos remédios. Uma das alternativas é a prática de exercícios físicos. O neurologista André Gustavo Lima, da Academia Brasileira de Neurologia, ele mesmo um ansioso, tem o hábito de participar de meia maratona. “É uma das coisas que mais indico”, aponta o especialista, que percorre cerca de 20 quilômetros por semana na orla. Diretor da clínica NeuroVida Cuidados Médicos, ele explica, porém, que existem outros modos de tratar o problema.

A partir da conscientização do paciente, um terapeuta deve ser procurado para orientar e dar um norte a quem tem visto a vida ser prejudicada pela doença. Caso os métodos mais básicos não surtam efeitos concretos, ainda há o recurso da medicação: os ansiolíticos.

Doença confundida com pânico

Entre os sintomas de ansiedade, os mais comuns são dor no peito, fadiga, tontura, dor de cabeça, dor nas costas, falta de ar, insônia, dor abdominal, inchaço e torpor. Myriam Durante comenta que, às vezes, o paciente não reconhece os sintomas como consequências da ansiedade, e busca curas para os problemas avulsos. “Se tratasse o emocional, tudo isso seria resolvido.”

Tanto Myriam quanto o neurologista destacam a importância do cuidado com a avaliação médica nesses casos, porque os sintomas da ansiedade podem ser confundidos com os de outros problemas psicológicos, como o pânico.

De acordo com pesquisa do Ipom, 95% dos entrevistados no primeiro trimestre de 2016, em grandes centros urbanos, afirmaram se sentir muito estressados. A pesquisa mostrou que 87% declaram ser ansiosos em excesso e apresentam distúrbios como alergias (63%), gastrite (39%), úlcera (30%), herpes (29%), asma (15%) e fibromialgia (12%).

A médica especialista em medicina esportiva Ludmila Miranda destaca a importância dos exercícios físicos para o tratamento. Segundo ela, eles ajudam tanto na socialização quanto na área neuroquímica, com o bem-estar. Ela comenta que o simples ato de ter um compromisso com a atividade já ajuda. “O ansioso tem milhões de compromissos no cérebro, mas não consegue fazer nada. Quando ele assume e consegue lidar com um compromisso com o esporte, já ajuda muito”, aponta.

Hipnose pode ajudar a controlar o problema

Autora do recém-lançado livro ‘Ansiedade: aprenda a controlar sua ansiedade e viva melhor’, a psicoterapeuta Myriam Durante desenvolveu um método próprio de tratamento da “doença do século” por meio da hipnose. Como não existe exame físico para constatar a doença, o ansioso deve ter consciência de quando a situação está acima do aceitável.

Mas de que modo isso pode ser percebido? “Se a pessoa não consegue dormir: deita e não consegue parar de pensar, aí levanta, liga a TV, o computador”, explica a psicoterapeuta, que ressalta: “Você tem que tomar conta da ansiedade, não ela tomar conta de você.”

O livro vem acompanhado de um CD de relaxamento, algo parecido com o vídeo ‘Aprenda a Relaxar’, postado por ela no YouTube, que tem mais de 260 mil visualizações e vários comentários.

 

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