Um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no Brasil, diz relatório de CPI

Lindbergh Farias (PT/RJ) apresenta relatório sobre assassinatos de jovens apurados em CPI. (foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Lindbergh Farias (PT/RJ) apresenta relatório sobre assassinatos de jovens apurados em CPI. (foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Pedro Willmersdorf, no Extra

Foi divulgado nesta quarta-feira o relatório final da CPI do Senado sobre Assassinato de Jovens. De acordo com o texto, apresentado pelo senador Lindbergh Farias (PT/RJ), relator da comissão, um jovem negro é assassinado no Brasil a cada 23 minutos. A taxa de homicídios de jovens negros é quatro vezes maior que a referente a brancos da mesma faixa etária, entre 15 e 29 anos. A cada ano, no Brasil, cerca de 23,1 mil jovens negros são assassinados, segundo constatou o relatório.

Como ações práticas, o texto apresenta três frentes: transparência de dados sobre segurança pública e violência e fim dos autos de resistência (termo utilizado por policiais que alegam estar se defendendo ao matar um suspeito), a unificação das polícias Militar e Civil e um Plano Nacional de Redução de Homicídios de Jovens.

Em um trecho do relatório, há uma crítica frontal à política de combate às drogas no país, sendo traçada uma ponte entre tal diretriz e o extermínio de jovens negros no Brasil: “Vimos, por outro lado, que a “guerra às drogas” também passou a ser o mote da atuação da polícia. De fato, a polícia institucionalizou a relação com a favela nos moldes de confronto, com apoio da mídia e de grande parte da população. Assim, as comunidades pobres e negligenciadas passaram a assistir execuções extrajudiciais serem aplaudidas pelos noticiários e referendadas pelas instituições”.

Em outro momento, o modelo atual de atuação policial é taxado de “falido”: “O Relatório enfatiza que o ciclo completo de polícia, a carreira única, assim como a desmilitarização, não revela soluções por si sós. Todavia, asseveramos que o modelo atual está falido, não apura crimes, não SF/16203.78871-55 154 sabe impedir atos de violência e promove a dizimação da população jovem, negra e pobre”.

Instalada em maio de 2015, a comissão ouviu mais de 200 pessoas em 29 audiências públicas em vários estados. De acordo com dados apurados pelo colegiado, o homicídio continua sendo a principal causa de morte de jovens negros, pobres, moradores da periferia dos grandes centros urbanos e também do interior do país.

Ao fim da apresentação do relatório, a sessão abriu espaço para depoimentos de familiares de jovens vítimas da violência no país.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no Brasil, diz relatório de CPI

Deixe o seu comentário