Mulheres cristãs enfrentam o Estado Islâmico com uma milícia na Síria

Imagem divulgada na página do Facebook do grupo Forças de Proteção da Mulher Beznahrin

Imagem divulgada na página do Facebook do grupo Forças de Proteção da Mulher Beznahrin

Susana Samhan, na EFE [via UOL][

Cansadas de ver como o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) ameaça seus povos no nordeste da Síria, as cristãs decidiram pegar em armas para lutar contra os radicais em uma milícia que combate ombro a ombro com os homens.

“Eu me uni porque nos tempos atuais não devemos nos sentar em casa para ver o que acontece com nossos povoados e nossa gente, não queremos ver outro massacre, por isso que tomei o caminho das armas”, disse pela internet a porta-voz das Forças de Proteção da Mulher Beznahrin (FPMB), Nisha Gawriye.

Este grupo lembra o contingente feminino mais famoso da Síria, as Unidades de Proteção da Mulher, ramo feminino das milícias curdo-sírias, nas quais elas sempre tiveram uma papel preponderante, e inclusive comandaram batalhas épicas contra os jihadistas como a de Kobani.

No entanto, Gawriye diz que, por enquanto, seu grupo não mantém qualquer relação com as forças curdas, embora pretenda estabelecer laços em breve.

As FPMB nasceram há quase um ano como a seção feminina do Conselho Militar Siríaco Sírio, uma facção armada cristã que atua, sobretudo, na província de Al Hasaka (nordeste).

Lá, a maioria dos fiéis cristãos são assírios, um grupo étnico que segue várias igrejas como a caldeia, a siríaca ortodoxa e a Igreja do Leste.

De fato, o nome das FPMB, “Beznahrin” (casa dos dois rios, em idioma siríaco), faz referência à maneira com que os assírios denominam a Mesopotâmia em sua língua.

Gawriye explicou que as fileiras do FPMB são integradas por “centenas” de mulheres, já que não quis dizer o número exato, sobretudo, cristãs, embora também haja de outras crenças, com idades que oscilam entre os 18 e os 60 anos.

“Estamos abertas a todas as religiões”, assegurou esta jovem, que decidiu abandonar a universidade para se unir à luta armada, apesar da oposição inicial de seus pais.

“Temiam por mim, como qualquer pai e mãe que têm medo por seus filhos, mas lhes expliquei meus objetivos e princípios”, disse.

Antes de entrar no campo de batalha, as novas recrutas recebem treinamento em alguma das academias da milícia em Al Hasaka.

“A formação que recebemos é boa, muito treino no uso de armas e nas artes do combate”, afirmou Gawriye.

Seu trabalho consiste em vigiar igrejas, patrulhar as ruas e realizar revistas, além de participar de ofensivas militares contra o EI.

Gawriye lembrou que as FPMB lutaram contra o “Daesh” (acrônimo em árabe de Estado Islâmico) nos últimos meses nas frentes de Al Hul e de Al Shadadi, no sul de Al Hasaka.

Na sua opinião, quase não há diferença entre um homem e uma mulher no campo de batalha, “somente o corpo, porque a constituição do homem é maior”, embora, tenha refletido, “a mulher seja mais paciente, especialmente na frente de combate”.

Casadas, solteiras, com ou sem filhos, e inclusive com netos, as integrantes das FPMB querem demonstrar que as mulheres também podem lutar.

“Queremos testar a nós mesmas em todos os âmbitos, fortalecer nossa personalidade e defender nossa terra e nosso povo mano a mano com os homens”, ressaltou Gawriye, para quem a única maneira de derrotar o EI é com “resistência”.

Mesmo assim, seu objetivo vai além de vencer os jihadistas e expulsá-los do território sírio: “Buscamos a igualdade da mulher na sociedade, essa é a meta de todas nossas metas, porque a sociedade é incompleta sem mulheres”.

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