Stranger Things é uma das melhores coisas que você verá este ano

publicado no Judão

Misture anos 1980, Steven Spielberg, ET, Stephen King, It, John Carpenter, Wes Craven, A Hora do Pesadelo, Halloween, Dungeons & Dragons, walkie talkies, John Hughes, Os Goonies, Beetlejuice, Evil Dead, Guerra Fria, Toto, Joy Division, Vangelis, The Clash, mix tapes… Coloque uma pitada de 2016. Pronto, você terá Stranger Things, a nova série do Netflix que estreou nesta sexta-feira (15) em todo o mundo.

Como você pode imaginar, essa mistura não tinha como dar errado. E não deu. Assistimos a todos os oito episódios da primeira temporada da produção, que foi criada por Matt e Ross Duffer e, cara, que SENSACIONAL.
Tudo começa na fictícia cidade de Hawkins, Indiana, onde os amigos Will (Noah Schnapp), Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) passaram horas e horas no porão jogando D&D. Parecia mais uma noite normal, só que, quando eles resolvem ir para casa, algo acontece. Um misterioso monstro ataca Will, que some misteriosamente. Este é apenas o início das “coisas estranhas”.

Joyce (Winona Ryder), mãe do garoto, vai até a polícia pra buscar ajuda. Inicialmente o Chefe Hopper (David Habour) dá de ombros, meio que achando que o garoto está bem e que a ela, separada do marido, é desleixada com os filhos. Porém, Hopper aos poucos vai se deixando levar pelo caso, muito por conta do próprio passado dele com a filha e a família. Uma busca que o leva a um misterioso laboratório do governo nos limites da cidade.

Ao mesmo tempo, Mike, Dustin e Lucas não desistem do amigo. Mesmo sem permissão, eles se juntam para EMPREENDER as próprias buscas, o que os coloca frente a frente com uma misteriosa garotinha de cabelo raspado, Eleven (Millie Bobby Brown), que pouco fala e tem uns poderes misteriosos. Como bem define o Dustin, ela parece uma X-Men. 😀
Também tem Jonathan (Charlie Heaton), irmão de Will, que tenta racionalizar os fatos e distribuir fotos do garoto por aí, mas com pouco resultado. Ele chama a atenção da Nancy (Natalia Dyer), irmã do Mike e que, apesar de estar toda IN LOVE com Steve (Joe Keery), se sensibiliza com a história e passar a ajudar Jonathan.

Assim, Stranger Things constrói quatro histórias paralelas, cada uma com um único objetivo – encontrar o Will – que vão descobrindo partes diferentes deste quebra-cabeça. Uma personagem é tida como maluca por todos, tentando se comunicar com o filho pelas luzes; o outro se vê em uma grande conspiração governamental; os adolescentes parecem que estão no meio de um filme de terror; e as crianças embarcam numa aventura digna de RPG, com superpoderes e dimensões paralelas.

Aos poucos, esses caminhos vão se encontrando e o quebra-cabeça ganha forma. A forma de um grotesco monstro sem face…

Um dos pontos mais interessantes de Stranger Things é que nenhum desses inúmeros personagens permanece “flat” durante toda a temporada. Mesmo que curta, com oito episódios, há tempo suficiente para todos eles evoluírem, amadurecerem e se tornarem, no final, algo diferente do que eram no começo.

Stranger Things não cai no mesmo erro de outra série feita por irmãs pro Netflix. Se em Sense8, por mais que haja uma evolução da história e dos personagens, o enredo principal de ficção científica é pouco resolvido, deixando um gosto de episódio piloto para toda a primeira temporada. Aqui os irmãos Duffer conseguem construir uma história com começo, meio e fim. Todos os mistérios e problemas propostos no primeiro episódio são, eventualmente, respondidos – por mais que deixem novas perguntas depois, que serão fatalmente o gancho de uma nova temporada. Como proposta de série, Stranger Things funciona bem.

Tudo isso embalado com roupas, músicas, decoração, estética e objetos de uma das décadas mais deliciosas da história da humanidade. A tal “década perdida”, que nunca foi isso, não é apenas um acessório, mas sim parte importante da história. Pra quem teve algum contato com aqueles tempos, essa sensação de nostalgia ajuda bastante a se deixar levar por tudo que é contado, identificando aqui e ali as referências.

Os atores ajudam, também. Winona Ryder tem uma energia incrível. A maior parte das cenas da atriz são fortes e desgastantes, dando a real dimensão do sofrimento de uma mãe que quer resgatar o filho de algo que ela não entende. Já Millie e Finn estão sensacionais como Mike e Eleven – é impossível não se encantar com os dois. Aliás, falando nos garotos, eles parecem aquele grupo de amigos perfeito, pra toda a vida, e dá pra ver um pouco da nossa própria infância ali. Outra que merece destaque é a Natalia Dyer – a Nancy é a personagem mais interessante de toda a série, com uma grande evolução e, na parte final, cenas ótimas.

Stranger Things é, desde já, uma das melhores surpresas de 2016. Daquelas que, mais uma vez, vai te fazer devorar todos os episódios rapidamente e, quando menos esperar, já estar contando os minutos pra ver a próxima temporada.

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