Estudo: baleias e golfinhos lamentam a morte de seus parentes, como nós

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Publicado no Hypescience

Baleias e golfinhos são animais inteligentes e muitas vezes sociáveis. Eles formam laços estreitos uns com os outros.

De acordo com um estudo da Universidade de Milano-Bicocca, na Itália, esses animais inclusive lamentam a morte de seus parentes.

Sete espécies de mamíferos marinhos já foram vistas agarradas ao corpo de um animal morto, provavelmente um filhote ou outro tipo de parente.

A explicação mais provável para a recusa dos animais de largar os cadáveres é simples: luto. “Eles estão de luto”, disse a coautora do estudo, a bióloga Melissa Reggente. “Eles estão sentindo dor e estresse. Sabem que algo está errado”.

Luto animal

Os cientistas já documentaram várias espécies, de girafas a chimpanzés, se comportando como se estivessem lamentando a morte de companheiros.

O sofrimento animal pode ser definido como angústia emocional associada a uma perturbação do comportamento usual, de acordo com Barbara King, professora emérita de antropologia da Faculdade de William e Mary, na Virgínia, EUA, e autora do livro “O que sentem os animais?” (Odisseia Editorial, 2013).

Elefantes, por exemplo, voltam várias vezes para “visitar” o corpo de um companheiro morto, como os humanos costumam levar flores a túmulos em cemitérios.

Tais relatos acrescentam ao debate sobre se os animais sentem emoção ou não. Em caso positivo, como tais emoções devem influenciar o tratamento que damos a eles?

Acontece por todos os cantos

No novo artigo, publicado no Journal of Mammalogy, Reggente e seus colegas reuniram relatos, na sua maioria inéditos, do comportamento de luto em sete espécies de mamíferos marinhos, da baleia-cachalote ao golfinho-rotador.
Todas as sete espécies foram vistas na companhia de seus mortos em oceanos por todo o mundo. “Nós descobrimos que é muito comum, e há uma distribuição mundial deste comportamento”, disse Reggente.

Cientistas em um barco no Mar Vermelho, por exemplo, assistiram a um golfinho-roaz empurrar o cadáver bastante deteriorado de um animal menor através da água. Depois que os pesquisadores pegaram o animal morto e começaram a rebocá-lo à terra para enterrá-lo, o adulto nadou junto com o corpo, ocasionalmente tocando-o, até que a água tornou-se traiçoeiramente rasa para ele continuar a acompanhar o cadáver. Muito tempo depois que a carcaça tinha sido tirada dele, no entanto, o adulto permaneceu perto da costa.

Ligação profunda

Tal comportamento de luto tem um custo para os animais: uma baleia mantendo vigília sobre um companheiro morto é uma baleia que não está comendo ou reforçando suas alianças com outras baleias vivas.

Os pesquisadores acreditam que os animais fiquem de luto por parentes, com quem tem laços mais fortes. Ocasionalmente, eles têm pistas sobre a relação entre o enlutado e o morto.

Por exemplo, uma orca conhecida como L72 foi vista em San Juan Island, Washington, nos EUA, com um recém-nascido morto em sua boca. L72 mostrava sinais de ter dado à luz recentemente, e os cientistas sabiam que bastante tempo havia decorrido desde o nascimento de seu último filhote.

“Ela estava tentando manter o filhote [morto] na superfície durante todo o tempo, equilibrando-o em cima da cabeça dela”, disse o coautor do estudo, Robin Baird, do Cascadia Research Collective, em Washington, que testemunhou os esforços da mãe.

Uma orca e sua prole podem passar toda a vida juntos. Logo, esses animais podem passar por um período de luto em que enfrentam o mesmo tipo de emoções que você ou eu quando um ente querido morre.

Dúvidas

Em outro caso documentado no artigo, um grupo de baleias-piloto-de-aleta-curta no Oceano Atlântico Norte fez um círculo protetor em torno de um adulto e filhote mortos.

Em ainda outro caso, um golfinho-rotador no Mar Vermelho empurrou o corpo de um jovem em direção a um barco. Quando os ocupantes da embarcação colocaram a carcaça a bordo, todo o grupo de golfinhos nas proximidades circulou o barco e nadou para longe.

“Nós não podemos explicar por que eles fizeram isso”, afirma Reggente.

King concorda que tais incidentes mostram que as baleias estão de luto. “Claro, às vezes podemos estar vendo curiosidade ou exploração, ou comportamento que pode ser uma dificuldade em se ‘desligar’”, disse a antropóloga ao National Geographic. Mas “é inegável que também podemos ler algo como dor nos animais, pela energia que gastam para transportar ou deixar os mortos à tona, tocando o corpo repetidamente, nadando em torno do indivíduo”. [NatGeo]

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