Seis inverdades ditas por Trump e o que acham seus eleitores

Candidato republicano foi considerado o campeão das informações falsas ou distorcidas – mas será que isto incomoda seus seguidores?

Donald Trump aceita a nomeação republicana para ser candidato do partido à Casa Branca e discursa em Cleveland, Ohio (foto: Aaron P. Bernstein / Reuters)

Donald Trump aceita a nomeação republicana para ser candidato do partido à Casa Branca e discursa em Cleveland, Ohio (foto: Aaron P. Bernstein / Reuters)

Publicado por BBC [via G1]

Não é novidade um político ser acusado de falar mentiras ou exagerar fatos. Mas Donald Trump, o candidato republicano à presidência dos Estados, é alvo destas acusações com mais frequência que outros políticos.

Foi inclusive o vencedor do indesejado prêmio Mentira do Ano 2015, dado pelo site Politifact, uma organização apartidária que coloca as declarações de figuras públicas sob escrutínio.

A organização já ganhou um prêmio Pulitzer por seu trabalho e afirmou que “nenhum outro político tem tantas declarações com uma pontuação tão negativa”.

Do lado dos Democratas, Hillary Clinton também já foi citada pelo Politifact.

Mas Trump obteve destaque várias vezes devido às informações distorcidas ou mesmo sem provas que divulga.

A BBC levou seis destas declarações à convenção republicana em Cleveland, Ohio, que confirmou Trump como convidado, e ouviu o que seus partidários têm a dizer sobre elas.

1. Milhares de árabes americanos comemoraram os ataques de 11 de setembro?
“Eu estava assistindo (à televisão) quando as Torres Gêmeas caíram e vi em Jersey City, Nova Jersey, milhares e milhares de pessoas comemorando quando aquelas torres caíram”, disse Trump em novembro de 2015, durante uma visita a Birmingham, Alabama.

Não existe nenhuma prova oficial de que tal situação tenha acontecido em Nova Jersey.

Mas Kelly Brenner, delegada representante do Estado do Novo México, afirmou à BBC que acredita que houve comemoração.

“Acredito que provavelmente houve, sim, pessoas comemorando, talvez não nestas quantidades. Foi um momento muito forte. Acho que [Trump] é muito apaixonado, ama sua cidade e seu país. Quando nos atacam, as emoções transbordam. Mas acho que ele tem boas intenções.”

2. O México envia estupradores e outros criminosos para os Estados Unidos?
Em 8 de julho de 2015, em um programa de televisão, Trump acusou o México de enviar criminosos deliberadamente para os Estados Unidos como imigrantes ilegais.

Dias antes, no lançamento de sua campanha, Trump havia feito uma generalização comparando imigrantes ilegais hispânicos a estupradores.

“O México manda seu povo, mas não manda o melhor. Está mandando pessoas com muitos problemas (…). Estão trazendo drogas, crimes, os estupradores. Presumo que alguns são bons”, disse o magnata no dia 16 de junho em Nova York.

Neste mesmo discurso, Trump afirmou que iria construir um “grande muro” na fronteira entre os Estados Unidos e México. Acrescentou que a obra seria paga pelos mexicanos e que “o México não é nosso amigo”.

De acordo com o jornal americano The Washington Post, a grande maioria dos imigrantes indocumentados mexicanos presos nos Estados Unidos “não se encaixam na descrição” de Trump. Apenas uma pequena parte comete crimes graves, como tráfico de drogas ou homicídio.

“Trump falou que alguns, não todos (são estupradores)”, disse à BBC Sara Rodríguez, do Estado de Indiana. Tanto é, diz, que muitos latinos apoiam Trump.

3. Trump usou expressões que ofendem as mulheres?
No debate presidencial de agosto de 2015, Trump negou ter se referido às mulheres em termos ofensivos, como alegou a então moderadora do debate Megyn Kelly.

Mas segundo a organização Factcheck.org, em 2006 ele chamou a atriz Rosie O’Donell de “porca gorda”; em 2015, chamou a fundadora e chefe do site de notícias Huffington Post, Arianna Huffington, de “dog” (“cachorro”), uma expressão usada em inglês para se referir a uma mulher feia.

“Provavelmente é uma crítica justa contra Trump. As pessoas falam muitas besteiras e ele já falou várias, obviamente. Mas ele está aqui, não podemos votar em nenhum outro”, disse à BBC Elizabeth Kramer, delegada representante do Estado da Pensilvânia.

4. O desemprego nos EUA chega aos 42%?
No dia 28 de setembro de 2015, Trump disse que o desemprego nos Estados Unidos poderia ter chegado aos 42%.

De acordo com o Politifact, incluindo as estatísticas mais extremas e alternativas de qualquer definição de desemprego no país, o índice não fica acima de 14%.

O índice oficial de desemprego em setembro de 2015, compilado pelo Escritório Nacional de Estatísticas, era de 5,1%.

Para George Williams, delegado do Estado do Alabama na convenção republicana, Trump distorcou a estatística na intenção de “proteger” os Estados Unidos.

“Se ele fez estas declarações, não as fez para ferir as pessoas… Trump está falando da segurança, de proteger o país. Para mim isto tem precedência sobre todo o resto.”

5. 200 mil refugiados sírios chegaram aos Estados Unidos?
No dia 30 de setembro de, 2015 Trump disse que “agora escuto que querem aceitar (nos Estados Unidos) 200 mil sírios”.

Os números a que Trump se refere sobre os planos do governo americano para receber cidadãos sírios não batem.

Em uma conferência internacional realizada em setembro de 2015, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou que o número todal de refugiados que o país planejava aceitar no ano fiscal de 2016 – de todas as partes do mundo – seria 85 mil, dos quais 10 mil seriam sírios.

Frank DiNatali, representante do Estado de Nova York na convenção republicana, acha que esta crítica a Trump é injusta.

“Não acho que esta crítica contra Trump seja justa. Os Estados Unidos têm problemas ao receber pessoas cujos antecedentes não tenham sido analisados, possivelmente terroristas. Sobre o número de refugiados, já escutei algumas cifras maiores, outras menores, depende da fonte.”

6. Obama nasceu no Quênia?
Trump se converteu no mais famoso porta-bandeira de um movimento chamado “birther”, que questionava que o presidente americano, Barack Obama, tivesse nascido nos Estados Unidos e, por isso, pudesse ser eleito presidente.

Em 2011, ele garantia que tinha enviado investigadores ao Havaí, local de nascimento de Obama, para verificar a autenticidade de seus documentos.

“O que estão descobrindo é inacreditável”, disse Trump naquela ocasião.

“Olha, Obama nasceu no Havaí. É cristão. Não me importo com o que ele fez antes com a própria vida. Não é meu inimigo, não é do mal, mas suas políticas não funcionam”, disse à BBC Eric Golub, representante da Califórnia na convenção do Partido Republicano.

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