Grana do desafio do balde de gelo ajudou a identificar gene associado à esclerose

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Publicado no Gizmodo

Em 2014, o desafio do balde de gelo pode ter irritado alguns por ser classificado como “ativismo preguiçoso” e pelo oportunismo de estrelas que queriam aparecer. Porém, a campanha de 2014 para o combate à doença de Lou Gehrig — ou esclerose lateral amiotrófica, conhecida como ELA — arrecadou mais de US$ 100 milhões para a ALS Association e tem bancado uma série de pesquisas.

A última descoberta neste sentido é de uma iniciativa chamada Project MinE, bancada pela ALS Association e outras duas instituições americanas. Os pesquisadores deste projeto descobriram um novo alvo para desenvolvimento de possíveis tratamentos para a doença usando big data.

Para quem não conhece, a ELA é uma doença neurológica na qual a função de neurônios motores começa a parar de funcionar lentamente e que não tem cura.

Eles descobriram um gene, chamado NEK1, que está presente apenas em 3% dos casos de ELA analisados. No entanto, ele está presente tanto pacientes hereditários como em pacientes esporádicos. Segundo a ALS Association, 10% dos casos de ELA são herdados da família, enquanto o restante é esporádico. Logo, a pesquisa do gene contribuirá no tratamento das duas variantes. Isso surge como um novo alvo para cientistas tentarem trabalhar na criação de formas de inibir a doença.

O Project MinE trabalhou com o sequenciamento de genoma de 15 mil pessoas com a doença, e a descoberta contou com uma tropa internacional de 80 pesquisadores de 11 países, inclusive cientistas brasileiros. Os detalhes da pesquisa estão em um artigo publicado nesta segunda-feira (26) no periódico Nature Genetics.

Para Brian Frederick, vice-presidente de comunicações e desenvolvimento da ALS Association, a descoberta prova a importância da mobilização das pessoas na época:

“Isso é empolgante, pois mostra a todos que contribuíram com o desafio do balde de gelo que as suas contribuições tiveram um impacto na pesquisa. O trabalho que o Project MinE está fazendo é muito importante, e a descoberta deste novo gene nos ajudará a entender melhor a esclerose lateral amiotrófica.”

Como o próprio Frederick pontuou ao Guardian, a pesquisa ajuda a entender o que causa a doença e que isso pode ajudar a achar um tratamento melhor. Porém, “ainda é muito prematuro o nosso conhecimento sobre este gene em particular, e ainda temos um longo caminho para entender a doença”.

No fim das contas, o dito “ativismo preguiçoso” não foi de todo mal, ainda que o ato de derrubar um balde de água com ele sobre si não faça nascer dinheiro na conta da entidade. Pelo menos, levantou a bola para causa e incentivou as pessoas a fazerem doações.

[Guardian]

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