Turistas na Rio 2016 dominam Pokémon Go e irritam cariocas

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Publicado no UOL

Pessoas concentradas na tela do celular, andando devagar e apontando o telefone em todas as direções. Era fácil perceber quem jogava Pokémon Go na famosa calçada de Copacabana, no Rio de Janeiro, na noite de quarta-feira, dia no qual o aplicativo entrou em operação no país. Mas os moradores reclamavam que a Olimpíada está dificultando a diversão porque encheu a cidade de estrangeiros. Com acesso ao jogo desde o começo de julho, os visitantes têm personagens muito mais fortes e pagam de patrão nas batalhas.

“Os gringos estão sinistros”, resume Nicholas Borghini, estudante de 18 anos.

Ele explica que um Pokémon evolui e fica mais poderoso com o passar do tempo. Este mês a mais jogando dá enorme vantagem aos estrangeiros. Seria como se os atletas da NBA viajassem ao Rio para disputar o NBB, a liga nacional de basquete.

Sem condições de competir, Nicholas caminhava pelas areias de Copacabana às 23h30 de quarta procurando os personagens do jogo. O rapaz contou que havia passado numa praça de Ipanema e feito boa parte da calçada de Copacabana junto com o amigo Victor Ávila, 18, outro que estava de “saco cheio” com os gringos. “Já andamos mais de 10 quilômetros. Tem um marcador no jogo que informa”, explica.

A dupla falou que chegou a entrar dentro de um espaço reservado a seguranças para pegar um Pokémon. Isto acontece porque o jogo recria as cidades no celular e coloca os personagens em determinados locais. Quando o dono do aparelho cruza com um bichinho, tem a chance de capturá-lo.

O aplicativo consegue ter forte apelo entre os mais jovens porque foi tema de jogos para videogames quando eram crianças. Ainda havia um desenho que passava na televisão e fez sucesso. O lançamento ocorrido na quarta-feira também floresceu a criatividade das pessoas.

Iasmim Santos, 20, tem uma ideia para aumentar os quilômetros rodados e assim evoluir no jogo. Ela sugere amarrar o celular em um ventilador. Desta maneira, os brasileiros poderiam frequentar os ginásios, locais onde ocorrem as batalhas, e fazer frente aos gringos.

O Copacabana Palace é um desses pontos no Rio, e estava dominado por estrangeiros. Brasileiro nem chegava perto porque não tinha a menor chance, ressalta Nicholas.

Pokémon boêmio

Área de bares no Rio de Janeiro, a Lapa abriga as pessoas que desejam esticar o happy hour. Mas Priscila Santos, 34, tinha menos tempo para as amigas porque precisava ficar de olho para o aparecimento de personagens na tela do celular. Já era uma da madrugada e ela não se importava em levantar e deixar as companheiras falando sozinhas para capturar um Pokémon. Voltava sorrindo repetindo que existe Pokémon boêmio.

Abandonada na mesa, Vânia de Mesquita Soares, 32, ficava indignada. Reclamava que é um absurdo Priscila prestar mais atenção ao celular do que na conversa. A jogadora nem se importa com as críticas e responde que “ninguém paga” as contas dela.

Talvez ficasse mais fácil para Vânia compreender a fixação dos jogadores de Pokémon Go se soubesse que todos que conversaram com o UOL Esporte afirmaram se importar mais com Pikachu e companhia do que com as Olimpíadas.

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