Vigorexia: os homens musculosos que não conseguem parar de malhar

publicado no Bem-estar

Quando Nicolas Depoorter se olha no espelho, ele vê o adolescente magrelo que ele foi um dia – apesar de o jovem de 24 anos ter atualmente um bíceps com uma circunferência de meio metro.

“Todo o meu tempo livre eu uso para treinar. Eu sempre arranjo tempo para ir à academia nos finais de semana, porque me sinto mal quando não vou. É realmente uma obsessão”, diz Depoorter.

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Sua rotina diária de três horas na academia não existe só porque ele é viciado em malhar. Ele sofre uma dismorfia muscular, ou vigorexia, um transtorno de aparência que é pouco conhecido mas está se tornando cada vez mais comum, principalmente entre homens.

Não importa se tenham barriga tanquinho ou peitorais sarados, as pessoas afetadas pela condição são obcecadas com a ideia de que não são musculosas o suficiente.

“Para mim, é uma obsessão saudável. Além disso, se você quer ser melhor que os outros, precisa ser um pouco obcecado. É um estilo de vida, algo que você faz 24 horas por dia, 7 dias por semana”, disse Deporteer à BBC.
De acordo com um estudo recente da Universidade de Sydney, os homens têm quatro vezes mais chances de ter vigorexia e não serem diagnosticados do que as mulheres.

Em um estudo de larga escala sobre a imagem corporal no mundo industrializado, pesquisadores descobriram que, embora proporcionalmente mais mulheres estejam insatisfeitas com seus corpos do que homens, eles sofrem mais psicologicamente.

“Homens insatisfeitos com seus corpos podem ser um grupo particularmente de risco”, diz Scott Griffths, autor principal do estudo. “O estigma adicional sobre os homens é que eles seriam menos masculinos sofrendo de um problema estereotipado como feminino.”

A condição, que costumava atingir principalmente halterofilistas e quem se exercitava muito, está se tornando um “problema de saúde em ascensão”, de acordo com especialistas.

Pressão externa

Nascido na Bélgica, Deporteer nem sempre teve essa aparência musculosa. Ele era obeso quando criança e um nutricionista o ajudou a emagrecer durante a adolescência. Mas ele desenvolveu anorexia nervosa.
Surgiu a fixação pela contagem de calorias e os treinos intensos para deixar de ser “esquelético”.

“A parte mais difícil foi superar a anorexia. Quando comecei (a malhar) doía muito, mas eu vi tanta melhora que agora me sinto mal se falto um dia. Tudo isso – a dieta, treinar, a vida social na academia – virou parte de quem eu sou”, afirma.

Para Pradee Bala, de 26 anos, o desejo de “crescer” veio com a comparação com homens em revistas – achar uma “big inspiration”, “grande inspiração” no jargão do fisiculturismo, é uma tendência que, segundo especialistas, esta por trás do problema de vigorexia.

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“Encontrei inspiração vendo outro atletas e pensando, ‘com certeza posso ter um corpo igual’”, diz Bala, que começou a praticar o fisiculturismo aos 16 por sua “personalidade muito competitiva”.

Aos 19, ele percebeu que tinha um corpo que entraria na capa de qualquer revista fitness, mas também tinha um problema.

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