Descubra o horário em que você procrastina menos, segundo a ciência

Você é uma pessoa noturna ou matutina? Seu relógio biológico tem a ver com seu jeito de procrastinar – mas não da forma que você imagina.

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Ana Carolina Leonardi, na Superinteressante

Você provavelmente já ouviu dizer que existem pessoas vespertinas e matutinas. Essas categorias são baseadas no ciclo circadiano, o famoso “relógio biológico”. E seu despertador interno tem tudo a ver com procrastinação e autossabotagem.

Em primeiro lugar, o ritmo de cada corpo é tão único quanto uma impressão digital. Mas se, em geral, você cai no grupo do “corujão”, fica acabado pela manhã e extremamente alerta nas madrugadas. Se o seu pique é matutino, seu pico de atividade é durante o dia.

Daí, seria natural pensar que seu horário mais ativo é aquele em que você procrastina menos, certo? Mas uma nova pesquisa mostra o inverso – sua “hora do rush” interna também aumenta sua procrastinação. Assim, se você é mais ativo de manhã, procrastina menos a noite e vice e versa.

Os cientistas estavam tentando entender como o ritmo circadiano influencia a autossabotagem. Esse fenômeno aparece quando temos uma tarefa desafiadora pela frente e temos a sensação de que vamos falhar. Se, no meio dessa insegurança toda, uma pessoa se esforçar ao máximo e der tudo errado, ela vai levar aquilo como uma derrota pessoal.

Daí surge a procrastinação e aquela vontade incontrolável de virar a noite assistindo ao Netflix na véspera de uma prova importante. Se tirar nota vermelha, não dá para dizer que foi falta de capacidade e sim culpa da distração.

Nessa pesquisa recente, os cientistas dividiram voluntários em pessoas matutinas e vespertinas. Depois, avaliaram a tendência delas à autossabotagem com testes psicológicos.  Passadas algumas semanas, eles faziam exames de inteligência às 8 horas da manhã e às 20h. Antes de fazer a prova, os participantes tinham que dizer se estavam se sentindo doentes ou estressados.

Os pesquisadores foram analisar como se comportavam os participantes que mais se sabotavam no dia a dia. Perceberam que, entre eles, os matutinos alegavam um estresse desproporcional (sinal de que era tudo desculpinha) pela manhã, e os vespertinos faziam a mesma coisa quando o teste era feito à noite. Quando faziam a prova no período oposto ao seu horário de pico, porém, os níveis de estresse eram totalmente normais.

O resultado do estudo indica duas coisas: 1) nos sentimos mais inseguros quando nosso organismo está no ápice do seu desempenho (talvez porque doa mais no ego saber que você fracassou quando se sentia tão bem); 2) a autossabotagem é um processo que exige bastante massa cinzenta. Ou seja, você precisa estar com a mente ágil e aguçada para inventar desculpas e enrolar.

Então quer dizer que uma pessoa noturna vai encarar desafios mais facilmente de manhã? Tecnicamente sim. Ela não vai criar tantas barreiras para a própria performance. Por outro lado, também vai estar mais sonolenta – afinal, é por isso mesmo que é uma pessoa noturna.

Por isso, o desafio é balancear vantagens e desvantagens dos dois períodos do dia. O segredo seria equilibrar o horário em que você procrastina menos, (apesar de estar fora de órbita), com o período em que seu cérebro é capaz de conquistar o mundo – mas fica refém da sua insegurança.

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