Tem palpitação? O que faz seu coração bater pode ser um perigo

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Publicado no UOL

O que faz o seu coração bater mais forte? Ver a pessoa amada, subir uma escada, ficar sob pressão? Normalmente, o coração fica acelerado depois de uma emoção ou esforço físico fortes.

Mas o que faz o coração acelerar nem sempre é um bom sinal. Quando a taquicardia se torna frequente pode indicar transtornos de ansiedade ou problemas cardíacos.

Há algumas semanas, a engenheira ambiental Bianca*, 24, começou a sentir o coração disparar sem motivo aparente. A primeira vez foi no escritório onde trabalha em São Paulo (SP). “A sensação é de sufoco, de coração acelerado, de que eu preciso sair de onde estou. Eu tento controlar, mas piora porque eu fico apreensiva”, conta.

Quando é físico e quando é emocional?

Saber diferenciar o motivo da aceleração cardíaca nem sempre é fácil e pode confundir na hora de buscar ajuda profissional. A dica do cardiologista Ricardo Kuniyoshi, diretor científico da Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas) é observar o que acontece antes e durante a sensação de taquicardia.

“Normalmente quem tem a doença cardíaca tem palpitações não causadas por tensão. Já as que tem palpitações sem ter uma doença, geralmente são muito nervosas, ansiosas, tem história de medos e fobias”, explica o cardiologista.

Quando a palpitação vem acompanhada de outros sintomas, como dor intensa no peito, falta de ar, palidez e desmaios, pode ser um sinal de algo mais grave como um infarto. Nestes casos, é essencial procurar um serviço de emergência o quanto antes. Se os sintomas não são tão graves, vale procurar um cardiologista especialista em arritmias, que pedirá exames para comprovar se há algum problema no coração.

Ter arritmia nem sempre é sinal de gravidade. Pode ser um pequeno defeito elétrico no coração até uma doença mais avançada que provoca um transtorno. Pode ser genético, mas nem sempre é hereditário”.

Porém, como é difícil avaliar onde está a arritmia, já que o coração é composto por quatro câmaras, e a doença pode estar instalada em qualquer uma delas, é necessário fazer exames específicos para confirmação.

O mais recomendado é o eletrocardiograma –aqueles eletrodos ‘colados’ no peito que ficam mostrando o registro elétrico do coração. O teste de esteira ou o uso de aparelhos portáteis, como o holter, que monitoram as pulsações e o ritmo do coração também conseguem identificar se há arritmia ou não.

“Há várias formas de detectar e tratar arritmias, desde não fazer nada se for benigna até oferecer medicamentos ou partir para procedimentos invasivos”, afirma o cardiologista.

Em alguns casos mais graves, é indicada a introdução de um marcapasso comum ou de um do tipo cardiodesfibrilador, que emite pequenos choques no coração quando reconhece a arritmia.

Apesar de parecer uma saída natural procurar por um cardiologista ao sentir a taquicardia, em grande parte dos casos, o sintoma tem relação com problemas emocionais, especialmente ansiedade e síndrome do pânico.

Remédio é a solução?
Nestes casos, a sensação de sufoco pode ser minimizada em sessões de psicoterapia e com antidepressivos ou ansiolíticos receitados por um psiquiatra.

Quando a ansiedade chega a um ponto em que a pessoa não consegue fazer as tarefas normais, ou tem muito medo de tudo, existe um transtorno cerebral que causa a produção de mais adrenalina que o normal. O eterno estado de alerta causa taquicardia, falta de ar e tontura, mas pode ser tratado com medicamentos e psicoterapia.

Diego Tavares, pesquisador do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas da USP

O tratamento com remédios visa a desligar o sensor de pânico do ansioso, mas deve ser feito com parcimônia.

“Quando feito um bom tratamento, modifica o cérebro da pessoa, estabilizando o sistema nervoso até o momento de retirar o remédio e a pessoa não sofrer mais com pânico ou ansiedade. O antidepressivo é mais seguro porque não causa vício, já o calmante pode causar, tanto que isso já se tornou um problema de saúde pública. O ideal é aliar o tratamento com a psicoterapia”, afirma Tavares.

Mas até chegar a psicoterapia pode levar tempo porque é comum achar que a taquicardia é apenas o indício de “um dia ruim” não a consequência de uma sequela emocional, afirma o psicólogo Anderson Zenidarci, diretor do Centro de Estudos de Psicologia, Psicossomática e áreas afins (CEPPA-SP).

Ansiedade: mais comum do que parece

Toda vez que estamos ansiosos nos sentidos ameaçados. É um mecanismo de fuga ou de enfrentamento que pode causar taquicardia, mãos frias, tremores típicos do transtorno de ansiedade. Em outros casos, pode causar crises de pânico e a sensação de morte iminente”

Anderson Zenidarci, diretor do Centro de Estudos de Psicologia, Psicossomática e áreas afins (CEPPA-SP)

Bianca conta que a sensação é realmente essa: “Estava dentro do vestiário da academia, onde estava muito fechado e quente. Comecei a sentir o coração disparar e minha mente ficou trabalhando desesperadamente para conter aquilo. Fiquei me questionando, me deu um desespero e uma sensação de falta de controle. Chorei”, conta.

Em casos assim, a psicoterapia trabalha com a quebra do padrão de pensamento que causa medo e insegurança e consequentemente põe fim às reações físicas desagradáveis, explica Zenidarci.

Bianca marcou uma consulta com um cardiologista e vai começar a fazer terapia.

“Eu me cobro muito. Tenho um trabalho que eu gosto, uma família bacana. Então ficava me perguntando o que é isso, se é uma crise de ansiedade. Vou ao psicólogo porque quero entender os sintomas, entender o que posso fazer para controlar isso. Também vou a um cardiologista para ver se está tudo bem”, disse.

(*Bianca é um nome fictício)

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