Gentis com a vida

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Ricardo Gondim

Sobra inveja sempre que a busca pela felicidade adoece. A ideia de que o outro não pode ser mais jovem, mais forte, mais inteligente, ou mais “bem sucedido”, é combustível para a cobiça; a cobiça é mãe da inveja e a inveja, a raiz da discórdia – círculo vicioso de maldição, que torna o outro um inferno. Se o grande alvo de viver for fama e grandeza, os menores indícios de não se ter galgado o patamar da glória geram baixa estima. Ela alimenta a insatisfação; que, por sua vez, provoca comparações doentias.

As contendas não passam de projeção de uma guerra interna. Lutamos contra nossa própria insatisfação. Desaprendemos de dizer: tá bom. Muito da solidão moderna vem daí. As pessoas vivem enjauladas em desejar o que os outros também desejam. Eles ameaçam pelo que são, e pior, pelo que sequer ainda possuem.

O Talmud  descreve o que é mais poderoso na vida:

Uma rocha é forte, mas o ferro pode parti-la. O ferro é duro, mas o fogo pode amolecê-lo. O fogo tudo pode consumir, mas a água pode apagá-lo. A água é devastadora, mas as nuvens a contém. As nuvens são enormes, mas o vento pode dispersá-las. O vento é selvagem, mas o homem pode domesticá-lo. O homem é imponente, mas o medo pode alquebrá-lo. O medo é intimidador, mas o vinho pode aliviá-lo.  O vinho é forte, mas o sono pode anulá-lo. O sono é poderoso, mas a morte supera a tudo.

Mal reconhecemos que todos somos mortais. A inveja não só destrói com a possibilidade de celebrar a vida como joga a todos na trincheira onde jazem os que negam sua precariedade. De nada adiantam volúpia,  poder e vanglória. Os mais perspicazes são vulneráveis, os mais sábios, carentes, os mais ricos, mortais. E todos se nivelarão, mais cedo ou mais tarde, no mesmo esquecimento. Sejamos gentis uns com os outros. A vida agradece.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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