Repercussão de foto de jovens músicos em favela surpreende autor

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Publicado no G1

O estudante de design gráfico Anderson Valentim ainda está assustado com a repercussão da foto tirada na favela do Turano, na Tijuca, Zona Norte do Rio, que viralizou na internet.

A foto, publicada em uma rede social pelo projeto Favelagrafia, mostra cinco jovens, com rostos tapados, segurando instrumentos musicais como se fossem armas. O texto diz: “Alguns lutam com outras armas”.

Em entrevista ao G1, Anderson disse como se sentiu algumas horas depois da foto ter sido publicada:
“Eu fiz a postagem na hora do almoço e no final da tarde já eram centenas de cliques e comentários. Levei um susto quando vi que a Maria Rita [cantora] e o marido da Alicia Keys [rapper Swizz Beatz] tinham postado a foto se identificando. Até fiquei aterrorizado”, contou.

Até às 19h desta segunda-feira (17) a foto dos jovens com os instrumentos musicais tinha mais de 4 mil curtidas no Instagran. O sucesso da foto e os comentários favoráveis à ideia que ele teve de utilizar os instrumentos musicais está dando frutos e ajudando no planejamento de outros projetos usando a arte como tema. Um deles, segundo Anderson, vai reunir um grupo de música do Morro do Vidigal, em São Conrado, na Zona Sul.

“Queremos fazer a conexão com outras comunidades. Infelizmente, só chega para fora dez por cento do que é o morro”. A foto coletiva, com músicos amigos de um grupo de jazz do Morro do Turano, não foi a primeira que Anderson fez. Ele já tinha fotografado um menino da comunidade do Borel segurando um instrumento e também com o rosto tapado.

Morador do Morro do Borel, também na Tijuca, Anderson foi um dos nove moradores de comunidades da cidade selecionados pelo projeto idealizado pela agência de publicidade NBS Rio+Rio, com a proposta de mudar a imagem estereotipada das pessoas sobre as comunidades cariocas. Os selecionados têm idade entre 20 e 39 anos.

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Joyce Marques, caçula do grupo, mora no Morro da Providência, no Centro. Ela não tinha nenhuma experiência em fotografia quando foi selecionada para o projeto. “Eu era fotografada porque já fiz trabalhos de modelo e estou descobrindo coisas que nem eu sabia fazer”, disse.

A preferência dela são as paisagens e os moradores mais idosos da comunidade. Uma das fotos de maior repercussão é a de um antigo morador da Providência, o seu Ananias, que ela fotografou em preto e branco em dois momentos: uma ressaltando os pés e sem rosto e outra revelando a identidade.
“No início tive dificuldades com pessoas. Depois, conversando com o pessoal, comecei a ver os traços das pessoas e a fazer esse destaque”, explicou.

Iniciado em agosto, o projeto conta com 11 mil seguidores no Instagram e tem páginas em outras redes sociais para divulgar as 10 mil fotografias já captadas pelos fotógrafos/moradores. São eles que fazem as postagens e os textos nas redes sociais, segundo Aline Pimenta, diretora da NBS.

“É o olhar do morador, totalmente livre para achar seus caminhos. Cada um tem seu estito. Pelos seus traços, conseguimos o olhar genuíno de cada um deles. Quem poderia criar um novo olhar seria o morador”, disse

O projeto Favelagrafia é incentivado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura, com o patrocínio do Consórcio Linha 4 Sul. Os moradores receberam treinamento de um fotógrafo profissional e um telefone celular para utilizar.

Em novembro, o Favelagrafia terá uma exposição, livro e um site onde ficarão informações pessoais dos fotógrafos. Também foi feito um convênio com o Sebrae para que os que desejam trabalhar com fotografia mais adiante se informem sobre a profissionalização.

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