A psicologia de checar seu e-mail

(foto: Shutterstock)

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Neil Patel, na Época Negócios

Se você é uma pessoa normal, checou seu e-mail nos últimos 60 minutos. Ele está sempre lá — distraindo sua mente, atrapalhando seu dia de trabalho e fazendo você ficar estressado e improdutivo. O e-mail é um monstro. Cada um de nós tem sua maneira de ceder ao monstro ou matá-lo com indignação tecnológica. Mas seja qual for o caso, e-mail é o que é. E está aqui para ficar.

E, como um profissional, você precisa entender como a obsessão por e-mail funciona, para poder projetar campanhas de e-mails mais eficazes. Se nós entendermos a psicologia de checar e-mails, poderemos criar e-mails que nossos destinatários realmente queiram abrir e interagir. Aqui estão alguns princípios que você deve saber:

Checar o e-mail é viciante

Muitas pessoas sofrem do vício do e-mail.
Ele ocorre devido a algo chamado condicionamento operante. O condicionamento operante é parte da forma como nossa mente aprende as coisas. No caso do e-mail, ela aprende que se nós fizermos algo (como abrir nossa aba de e-mail) nós vamos obter algo mais (um novo e-mail e o entusiasmo que ele nos traz).

O condicionamento operante, de acordo com B. F. Skinner, aplica-se ao “comportamento ativo que atua no meio ambiente para gerar consequências”. A ação — de checar o e-mail — é reforçada pela consequência — receber o e-mail.

Lição: Embora as pessoas odeiem o e-mail, nós amamos o agradável sentimento de receber um e-mail. Não tenha medo de enviar e-mails de marketing — apenas tenha certeza de que você está enviando o conteúdo certo para a pessoa certa.

Checar o e-mail é uma distração enorme

Em um experimento, pesquisadores descobriram que pessoas que trabalham com tecnologia ficam distraídas depois de apenas 11 minutos de trabalho.

E-mail é a causa primária de distração no local de trabalho. Embora nós achemos que estamos trabalhando — e-mail não é trabalho, certo? —, ele nos impede de começar o que realmente é importante.

Checar o e-mail é uma forma de procrastinação

Procrastinação é uma prima próxima da distração. Ela tem a mesma consequência negativa da distração — não fazer o que você deveria estar fazendo. Nós usamos o e-mail como um método de procrastinação, porque buscamos nos sentir melhores do que se estivéssemos apenas assistindo a vídeos de gatos no YouTube. Além disso, nós achamos que vai “levar apenas um minuto” para checar nosso e-mail. Geralmente, o “minuto” torna-se muito mais…

Lição: Escreva e-mails curtos. Dessa forma, as pessoas podem no mínimo se sentirem como se elas estivessem terminando a leitura rapidamente. Em vez de criar um e-mail longo, crie uma série de links ou passos. Cada sequência no passo dá ao usuário um senso de progresso e desempenho.

Um estudo perguntou aos usuários com qual frequência eles pensam que checam seus e-mails. Os participantes responderam uma vez por hora. Na verdade, eles checavam suas mensagens a cada cinco minutos. Um impulso irresistível nos mantém checando os e-mails mesmo quando nós não percebemos.

Lição: Embora não haja uma ciência para a melhor hora de enviar e-mails, não se estresse. Muitos usuários estão checando seus e-mails todo o tempo e eles verão seu e-mail, independentemente de quando você enviar.

E-mail gasta nosso tempo

Este ponto é óbvio. Checar o e-mail é uma grande perda de tempo. Vários estudos descobriram que gastamos um quarto do nosso dia de trabalho no e-mail. Embora seja uma perda de tempo, no entanto, o e-mail é necessário para o profissional de hoje. Nós não podemos simplesmente ignorá-lo. Temos que responder e fazer negócios com ele.

Lição: Respeite o fato de que as pessoas gastam muito tempo no e-mail. Elas querem ler as mensagens rapidamente. Se você quer que elas interajam com seu e-mail, então ele deve transmitir uma grande ideia na forma mais direta. Linhas de assunto claras, títulos grandes e uma breve mensagem são ingredientes para um bom e-mail.

Checar o e-mail geralmente traz decepção

Nancy Colier escreveu isto no Psychology Today: parece que o impulso de checar o e-mail é desproporcionalmente alto e fora de sincronia com o bem-estar. Ela fala de um assunto profundo. Checamos nossas mensagens habitualmente e ansiosamente, mas elas não fazem nenhum de nós mais feliz. De fato, nos faz sentir decepcionados. Collier chama isso de “cérebro de loteria”, um fenômeno mental que nos faz realizar coisas estúpidas. A Scientific American rotula o cérebro de loteria como “perigoso” e “irracional”.

Lição: Uma vez que as pessoas frequentemente se sentem tristes depois de checarem seus e-mails, tente fornecer um antídoto nos seus e-mails de marketing. Se você puder criar um senso de bem-estar individual,  terá uma chance maior de se destacar em lotadas caixas de entrada.

Checar o e-mail nos estressa

Checar o e-mail frequentemente não parece estressante. Mas não é bem assim. Um grupo de estudo foi notificado para checar seus e-mails três vezes ao dia. Outro para manter seus e-mails abertos e checá-los frequentemente. O resultado do estudo foi previsível. Depois do teste, pesquisadores compilaram os dados e determinaram que “limitar o número de vezes que as pessoas checam seus e-mails por dia reduziu a tensão durante uma atividade particularmente importante e diminuiu o estresse no dia-a-dia em geral.

Uma simples maneira de se livrar do estresse? Pare de checar seu e-mail com tanta frequência.

Lição: Uma vez que o e-mail causa estresse, dê aos seus clientes uma maneira de escapar do estresse. Selecione as cores certas, uma linha de assunto, tonalidade e conteúdo que possam sutilmente reduzir o estresse.

Conclusão

No geral, a psicologia de checar e-mails pode ser resumida em três pontos:

• É um habito viciante
• É demorado.
• É estressante

Para criar uma abordagem bem-sucedida, você deve entender e se adaptar a essas típicas reações. Seus destinatários estão subconscientemente procurando ficar distraídos. Eles vão escolher ficar distraídos por qualquer melhor promessa que alivie seu estresse. Eliminar o estresse, seja por um produto ou mensagem, é uma maneira útil para atrair cliente e ganhar seu respeito e atenção.

Se você chegou até o final desse artigo sem checar seu e-mail uma vez, parabéns. E se você aprendeu uma ou duas coisas sobre a psicologia do e-mail, então considere-se pronto para fazer seu marketing melhor.

*Neil Patel é empreendedor e especialista em marketing digital. Nos Estados Unidos, ele escreve para publicações como Forbes, Inc., Entrepreneur e The Huffington Post 

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