10 fatos que as pessoas precisam saber sobre os ciganos

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Publicado no Catraca Livre

As comunidades ciganas são uma das minorias que mais sofrem com o racismo na Europa. Desde a sua chegada no continente Europeu, partindo da Índia (por volta do século 13) foram vítimas de perseguição e até hoje são marginalizados. O conhecimento popular sobre a cultura cigana é baseado em mitos e descrições negativas, difundidos pelo sensacionalismo midiático.

Esse guia foi criado em colaboração com alguns membros das comunidades ciganas do leste Europeu (Romênia, Eslováquia e Hungria) residentes no Reino Unido, para mostrar o que eles gostariam que as pessoas soubessem sobre o seu povo, sua cultura e o seu modo de vida.

O guia cigano é uma parceria com a ONG Friends of Romano Lav e tem como objetivo estimular a desconstrução de estereótipos criando uma ponte para o diálogo intercultural.

1 – A maior minoria étnica da Europa

Os ciganos são a maior minoria étnica na Europa (European Comission: Acesse o site) – não existem estatísticas oficiais mas existe uma estimativa que existam de 10 a 12 milhões de ciganos em toda a Europa (Conciul of Europe Roma and Travellers Division: Acesse o Site). Eles não vêm somente da Romênia, como muitas pessoas pensam, mas sim de diferentes países Europeus.

2 – Originarios do Norte da Índia

Pesquisas em diversas áreas como linguística, antropologia cultural e genética descobriram que os ciganos são originários do norte da Índia (Factsheets on Roma: Acesse o Site). Apesar de não existirem dados precisos sobre quando deixaram a Índia, existem evidências que durante os séculos 3 e 5 começaram a sua jornada em direção ao Ocidente. Registros mais evidentes mostram uma presença forte na Europa desde o século 13. Existem ciganos vivendo em todos outros continentes.

3 – Cigano ou Romani?

O termo cigano carrega muitos preconceitos. Em 1971, no I Congresso Mundial Romani, sediado em Londres, as palavras Romani e Roma (“Rom” na língua cigana significa homem) foram escolhidas para definir esse grupo étnico. A terminologia Roma foi amplamente aceita por toda a União Europeia, apesar de alguns grupos ainda usarem a palavra cigano para descrever a si mesmos.

Para muitos a palavra cigano é ofensiva. Por exemplo, em um dos dicionários da língua Romena, a palavra “tigan” (cigano) é descrita com uma conotação negativa “uma pessoa de pele escura” ou “uma pessoa com maus hábitos”.

4 – Porajmos, o holocausto esquecido

Os ciganos foram vítimas de perseguição desde a sua chegada na Europa. Por 500 anos eles foram escravos na Romênia (Valáquia, Moldávia e Transilvânia). O Holocausto cigano (também conhecido como Porajmos) é sempre esquecido nas celebrações do dia da memória do Holocausto (27 de janeiro). Somente em 2015 o Parlamento Europeu votou por adotar uma resolução que reconhece “o fato histórico do genocídio dos ciganos que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial”.

(http://2august.eu/ep-recognition/). O dia da memória do cigano, celebrado no dia 2 de Agosto, evoca a vida de mais de 500.000 ciganos tiradas durante o Porajmos.

5 – Diversidade Cultural

Os ciganos são uma comunidade heterogênea, com diferentes línguas, culturas, religiões, tradições, regras e normas. Os diferentes subgrupos podem ser entendidos no contexto da história do seu país de origem.

Alguns ciganos falam Romani (língua comum entre muitos grupos ciganos) junto com a língua do seu país de origem. Outros falam apenas a língua do seu país de origem.

Apesar de ser um grupo heterogêneo, os ciganos mantêm o senso de pertença a uma cultura única.

6 – Nem sempre são nômades

Apesar dos ciganos estarem sempre associados a um estilo de vida nômade, 95% dos ciganos europeus têm moradia fixa. A maior razão da constante migração é para procurar oportunidades negadas no país de origem e fugir do racismo que ajuda perpetuar a sua marginalização.

7 – Preconceito

Os ciganos sofrem muito com os efeitos da pobreza e da exclusão social. Eles sofrem discriminação nas áreas da educação, emprego, moradia e saúde, e muitas vezes são impedidos de ter proteção social. Em países como a República Checa, Eslováquia, Hungria e Romênia, crianças ciganas são registradas em escolas para crianças com necessidades especiais. Em muitos locais, famílias são forçadamente desalojadas sem aviso prévio e em algumas cidades existem muros para separar ciganos dos seus vizinhos não-ciganos. Eles não têm um estado nacional independente para oferecer estrutura em uma certa área geográfica. Isso significa que os ciganos não têm um corpo político unificado para olhar e defender os seus melhores interesses.

8 – O dia do cigano

O dia 8 de abril foi oficializado como o Dia Internacional do Cigano, declarado em 1990, in Serock, Polônia, no quarto encontro mundial dos ciganos.

Muitas cidades na Europa organizam atividades e eventos durante esse dia. No Reino Unido, a cidade de Glasgow organiza uma parada anual, desde 2013, onde ciganos e não-ciganos marcham juntos contra o racismo e o preconceito, celebrando a diversidade cultural.

9 – História oral

A língua Romani é principalmente oral, com pouca tradição escrita (Literature General Introduction). Durante séculos a cultura e as tradições ciganas foram transmitidos oralmente, através de recursos criativos como contos, fábulas e músicas folclóricas. Inicialmente, a literatura produzida pelos ciganos foi definida como literatura oral. No século 20, autores ciganos de diferentes países começaram a escrever sua literatura em diferentes línguas e dialetos, usando diferentes sistemas de escrita.

10 – Ciganos famosos

Apesar dos ciganos terem pouca representatividade nos veículos de comunicação, existiram e existem muitas pessoas ciganas famosas como Elvis Presley, Charlie Chaplin, Michael Caine, Pablo Picasso, Shayne Ward, o presidente brasileiro Juscelino Kubitscheck.

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