Por que você não precisa atingir seu primeiro milhão antes dos 30

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Esqueça essas baboseiras que você lê por aí de como ficar milionário antes dos 30. Esses artigos de 8 passos, 10 dicas, 15 lições de como ficar milionário só te iludem sobre como você está longe do seu objetivo e do verdadeiro significado de riqueza.

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Convenhamos: ainda é comum associar dinheiro a sucesso. O dinheiro te dá diversas possibilidades de realização, eu concordo, muitas vezes materiais. Uma pessoa me disse uma vez que o sonho dela era ganhar 30 mil reais por mês e comprar um iate… mas ela não explicou pra quê. E ela se desdobrava pra trabalhar 14 horas por dia ou mais em dois empregos, incluindo finais de semana. Uma outra pessoa me disse que queria se matar de trabalhar agora para poder se aposentar antes dos 50 anos.

Bem, eu não condeno os trabalhadores, os milionários ou muito menos que dinheiro é coisa do capeta. Muito pelo contrário: acredito que o dinheiro é sim, necessário, e que seu bom usufruto traz algum conforto. Vejo como exemplo o meu pai. A vida inteira ele trabalhou incansavelmente, de segunda a segunda. Desde que imigraram ao Brasil, com muito suor, ele e minha mãe conseguiram me dar educação e saúde, itens básicos que são de difícil acesso para os menos privilegiados aqui.

Eu nunca teria feito um curso de inglês, de informática ou poderia ter passado no vestibular pra uma universidade pública se meus pais não tivessem investido na minha educação. Não nego que minha mãe e eu tivemos todo o conforto necessário, e eu tenho toda a gratidão do mundo.

Mas mesmo quando ele não precisava mais trabalhar tanto, ele trabalhava. Talvez porque a geração e a cultura dele não o permitiu ir além do que a sociedade esperava de um homem de família. Meu pai só juntava dinheiro e não o usufruía, ficou escravo dele, mesmo após levar 4 tiros a queima roupa em um assalto e ter perdido um rim.

Ao passar dos anos, mesmo sendo o grande provedor, minha mãe não o via mais como um companheiro presente, e eu não o via como um pai participativo. Hoje ele trabalha menos, mas perdeu muito da sua riqueza espiritual porque deixou de cultivar laços de família e amizade. Porque esqueceu de viver.

E a felicidade não vai nos brindar quando tivermos o primeiro milhão. Ela nos acena nas pequenas conquistas. O salário do meu primeiro estágio eu gastei comprando um violão e uma caixa de som para um ex-namorado, e foi uma das conquistas financeiras mais importantes pra mim, porque teve um significado simbólico.

Tenho 34 anos e não atingi meu milhão. Mas comprei carro, casa, viagens. Riqueza? Para alguns status, para outros significam conquistas muito maiores: independência, maturidade, liberdade, lar, conhecimento, cultura, histórias para contar.

Hoje tenho uma vida regrada devido ao momento de transição constante que é empreender. Há 3 anos, não vivo mais de renda certa, plano de saúde ou vale-alimentação. Não nego que às vezes, isso faz falta, quando se tem um financiamento para pagar.

Alguns luxos ficam de fora: sacrificam-se TVs a cabo, saídas semanais que signifiquem gastar, compras, salão toda semana, carro pra lá e pra cá. Controle e negocio toda e qualquer transação financeira com empresas que tenham alguma relação com meu suado dinheirinho: o banco, a operadora de celular, a seguradora, a Eletropaulo, o condomínio.

Em compensação, não abro mão de sair com amigos, comer fora de vez em quando, fazer um curso muito legal, me inscrever em atividades físicas que contribuem para meu bem estar, frequentar cinemas e exposições, ou viajar. Parece coisa de rico, mas não é. Esse exemplo mostra que ninguém precisa se isolar ou ser infeliz ao abrir mão de algumas regalias, em troca de um bem maior.

Uma grande amiga e o namorado sacrificaram dois anos com orçamentos apertados para, ao final, poderem fazer uma pós-graduação no Canadá. Ela sempre fala que me admira, mas no fundo é o contrário, pois é uma aspiração mútua. Tudo na vida são escolhas, planejamento, muita flexibilidade e jogo de cintura.

Ou seja, se você já estiver quase beirando seus 3.0 ou já passou dele e nem está perto do tal sonhado milhão, você sabe que não fará milagres em um ou dois anos. A vida fica mais leve quando celebramos metas atingidas a curto prazo. Não existem soluções rápidas se você não começar a cortar, economizar e poupar, nem que seja, 50 reais todo mês.

Planejamento financeiro, foco e disciplina devem fazer parte do seu dia-a-dia para você ter opções e uma segurança lá na frente, não importa se você vai virar ou não um milionário com 30, 40 ou 50 anos.

E ser milionário não é essa corrida desenfreada contra o tempo, mesmo porque não sabemos quanto tempos nós temos. E se tempo vale dinheiro, os milionários poderiam simplesmente comprar todo o tempo do mundo. A grande questão é que nem sempre esse tempo gera riqueza. E riqueza é diferente de dinheiro, porque existem os milionários ricos e os milionários pobres.

O milionário pobre é aquele que quer ter o iate, mas não sabe responder por que ele quer tê-lo. O milionário rico é aquele que quer ter um iate para viajar o mundo, conhecer culturas e conviver com as comunidades, e ver o pôr do sol cada dia em um lugar diferente. Esse descobriu o real significado de riqueza, quem sabe.

Riqueza de conhecimento, amor e saúde, sem necessariamente ostentar tantos dígitos na conta bancária. Rico de ter vivido experiências inesquecíveis, fracassos dolorosos, e histórias incríveis. Rico de gerar conexões, permutar, valorizar pessoas, compartilhar. Rico de saber que o seu trabalho faz diferença, traz o bem e a felicidade para você e os outros. Isso deveria ser a definição de sucesso e de riqueza.

E você, é rico?

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