Psiquiatra sobre ’13 Reasons’: “pessoas em risco devem ser desencorajadas a assistir”

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Publicado no Virgula

Se por um lado 13 Reasons Why ganhou elogios do público por discutir abertamente temas como bullying, assédio sexual e sexismo na adolescência, por outro, a série tem sido amplamente debatida e até criticada pela forma como aborda temas delicados como o suicídio adolescente.

Desde seu lançamento em 31 de março, a trama, que conta com Selena Gomez na produção executiva, ganhou notoriedade e espaço no catálogo da Netflix pela forma intensa e pesada como resolveu entrar no tema, que é historicamente evitado pela grande mídia. Para alguns psiquiatras, até aí, tudo bem. Desde que alguns cuidados sejam tomados.

Alerta: este texto contém spoilers!

“O suicídio está entre as principais causas de morte na adolescência, competindo com acidentes causados por veículos e, no caso de países como o Brasil, violência armada”, alerta o psiquiatra Luís Fernando Tófoli. “O programa tem o potencial de causar danos a pessoas que estão emocionalmente fragilizadas e que poderão, sim, ser influenciadas negativamente. Não é absurdo inclusive considerar que, para algumas pessoas, a série possa induzir ao suicídio. Portanto, pessoas em situações de risco deveriam ser desencorajadas a assistir a série”, completou.

13 Reasons é atualmente a série mais assistida da Netflix, segundo levantamento feito pela empresa de pesquisa de mercado Fizziology, baseado no “volume social” causado pela produção nos Estados Unidos. Foram cerca de 3,5 milhões de impressões sobre o seriado nas redes sociais em sua semana de lançamento.

Para Tófoli, o principal erro está em mostrar o suicídio de Hannah Baker, em uma das últimas cenas do episódio final. “A cena é absolutamente desnecessária na narrativa e claramente contrária ao que dizem os manuais que discutem prevenção de suicídio e mídia. Chega a ser absurdo que os autores da série ignorem completamente o que indicam explicitamente as recomendações da Sociedade Americana para Prevenção do Suicídio, que foram publicadas após a morte de Robin Williams”, destacou.

O psiquiatra acredita, ainda, que dar a entender que os colegas são culpados pela morte de Hannah não é saudável, assim como colocar todas as 13 histórias no mesmo nível. “Grande parte da tensão da série gira em torno de quem é o ‘culpado’ pelo suicídio de Hannah: ela, seus amigos, a escola – que é processada pelos pais da menina -, a sociedade. Os especialistas entendem que a busca por culpados é dolorosa e improdutiva. O suicídio é, na sua imensa maioria das vezes, um ato complexo, desesperado e ambíguo, e achar que ele possa ter responsabilidade atribuível é equivaler sua narrativa à de um crime”, opinou.

Para ele, 13 Reasons trata suicídio como uma “opção”, quando, na verdade, faz parte de um adoecimento mental. “O suicídio de Hannah é discutido como uma ‘opção’, esquecendo que na grande maioria das vezes a pessoa está aprisionada por um cenário falseado de opções causado pelo seu estado mental”, acredita.

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